A trajetória de Goretti, marcada por atuação no Conselho
Tutelar e pela herança política de seu pai, Wellington Rodrigues, sempre foi
apresentada como exemplo de compromisso social. No entanto, a guinada repentina
coloca em xeque a coerência de seu discurso. A vereadora, que conquistou 1.396
votos em 2024, agora parece tratar o mandato como palco de experimentos,
trocando de posição como quem troca de roupa, sem critério ou respeito ao
eleitorado que acreditou em sua independência.
O impacto da decisão não se limita ao plenário. A mudança de
lado fortalece o governo, mas também alimenta a descrença popular na política
municipal. Em uma cidade marcada por disputas intensas, a atitude da vereadora
reforça a ideia de que os interesses pessoais se sobrepõem ao compromisso
coletivo. O eleitor, mais uma vez, assiste ao espetáculo de vaidades e acordos,
enquanto problemas reais da população seguem sem solução.
O episódio escancara a banalização da política em Paulo
Afonso. Quando representantes eleitos tratam alianças como mercadoria, o
resultado é o desgaste da democracia e o aumento da distância entre sociedade e
poder público. Márcia Goretti pode até justificar sua decisão como ato de
coragem, mas para muitos cidadãos, sua mudança soa como oportunismo puro, um
escândalo que reforça a imagem de uma política feita sem princípios, apenas
pelo jogo de conveniências.

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