1.4.21

Projetos do Governo do Estado asseguram emprego, renda e autonomia financeira para juventude rural


Mais de 700 jovens, que são agentes comunitários rurais (ACR), em comunidades do interior de toda a Bahia, estão conquistando a tão sonhada autonomia financeira e realizando sonhos e projetos. Isso é uma realidade para aqueles que atuam em projetos do Governo do Estado, como o Bahia Produtiva e o Pró-Semiárido, ambos executados pela Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), empresa pública vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR).

Só no Bahia Produtiva, projeto cofinanciado pelo Banco Mundial, atualmente trabalham 644 jovens rurais, homens e mulheres, que atuam na assistência técnica e extensão rural (Ater), junto às famílias agricultoras e suas organizações produtivas, selecionadas via editais e atendidas com recursos para fortalecer sistemas produtivos estratégicos, como a apicultura, meliponicultura, piscicultura, aquicultura, bovinocultura de leite, avicultura e ovinocaprinocultura, dentre outros.

Ramiro Junior, 23 anos, que é casado e pai, atua como ACR, pelo Bahia Produtiva, desde 2017, na comunidade Fazenda Sobradinho, em Irará. Ele conta que, a partir das oportunidades do projeto, está cursando o 7º semestre de Engenharia Agronômica, sem se ver em outra área de atuação: “Antes de desenvolver o trabalho como ACR, não tinha quase nenhuma relação com o campo, nem tampouco experiências. Hoje, trabalhando há mais de quatro anos no projeto, vivo o sonho que estava escondido. O Bahia Produtiva trouxe-me infinitas oportunidades, como conhecimento e vocação profissional. Acredito na sustentabilidade do campo e permanência do jovem na zona rural, pelo fato de que é possível gerar renda e produzir alimentos saudáveis sem precisar ir em busca de emprego nas grandes cidades. Hoje tenho minha família e casa própria”.

No Pró-Semiárido, projeto cofinanciado pelo Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), estão atuando como ACR 88 jovens, selecionados pelas comunidades para contribuir com as ações em suas localidades. Os(as) agentes atuam como elo entre os projetos e as comunidades rurais. São grandes responsáveis por fazer a política pública acontecer.

Carla Dias, da comunidade Campos, em Juazeiro,  é ACR no Pró-Semiárido e trabalha como locutora em uma rádio comunitária local. Para ela, o projeto foi um ‘divisor de águas’ na sua vida. Cursa Gestão em Agronegócio, e afirma que existe o antes e o depois de o projeto chegar à comunidade, onde é difícil, especialmente para os jovens, conseguirem emprego de carteira assinada, tendo que deixar a comunidade em busca de trabalho nas cidades: “O projeto veio para salvar a nossa comunidade, eu não tinha experiência nenhuma, e o projeto aposta no jovem e investe muito na questão da experiência, em treinamentos e oficinas, que agrega muito e ensina a gente aprender a lidar com o trabalho e a socializar, a conhecer mais as pessoas e a unir as comunidades onde atua. O projeto veio para transformar, principalmente a minha vida e me abriu muitas portas”.

Entre os critérios para a seleção de ACR estão: ter até 29 anos e residir em comunidades atendidas pelos projetos. Para muitos jovens, a função de ACR é também seu primeiro emprego. Com carteira assinada,  homens e mulheres, que contam com uma motocicleta para o deslocamento nas comunidades, recebem formação em diversas áreas, que vão desde capacitações sobre produção agropecuária, até oficinas sobre gestão e controle social. Alguns(as) destes(as) jovens estão conquistando novos espaços e exercendo cargos importantes nos municípios em que residem.

Fabrício Yhasis, 27 anos, da comunidade de Cancelas, município de Queimadas, trabalha hoje como assessor especial da Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente de Queimadas. Ele conta que trabalhou como ACR pelo Pró-Semiárido nos anos de 2019 e 2020: “Durante os dois anos que fui ACR. para mim foi um trabalho incrível. Eu já trabalhava com associações e grupos produtivos de mulheres e jovens e foi uma adequação do que eu fazia, de forma voluntária, em um trabalho, que pude desenvolver com muita dedicação e conseguimos dar visibilidade ao projeto”. Ela enumera algumas ações que ajudou a realizar, junto às comunidades, que vem dando resultados: “Hoje eu atendo diversas comunidades, levando tudo que eu aprendi do Pró-Semiárido. O município ganhou um ACR”.

São os(as) ACRs que fazem as mobilizações, divulgações, dão suporte às associações conveniadas, auxiliam nas prestações de contas dos convênios e nas aquisições, entre outras atividades. Muitos desses(as) jovens chegaram no projeto somente com o ensino médio concluído e hoje alguns já estão na pós-graduação. Construíram casa, casaram-se, ajudam a família, e não querem mais sair do campo para tentar a vida nos grandes centros urbanos.

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