1.6.18

Jackson Barreto, o Brutus Sergipano



O velório de José Carlos Teixeira trouxe a memória o mais famoso discurso já escrito pelo autor inglês, Willian Shakespeare, e que foi proferido por Marco Antônio na Roma antiga durante o funeral de Júlio César. Para quem já teve a oportunidade de ler, ver no cinema onde foi interpretado pelo ator Marlon Brando.

Antes de falarmos do discurso de Marcélio Bomfim, que transformou o ex-governador Jackson Barreto no maior traidor da história política do estado, vamos entender melhor, o que aconteceu com César. Assassinato por Brutus, por pura inveja, a população da época tinha aceitado muito bem o ocorrido, já que a explicação dada por seus autores foi a de que César estava prestes a dar um golpe e se autonomear Rei, e Roma não aceitava tamanha ousadia política.  Ele foi traído por Brutus e Cassius.

Inconformado pela traição de Brutus e Cassius, Marco Antônio pede para ser a pessoa que faria o discurso de despedida de César. Este foi o grande erro dos senadores daqueles dias, falaria um dos mais brilhantes oradores de todos os tempos. Ele começou fazendo críticas ao morto e declara que Brutus é um homem honrado. Essa estrutura verbal conseguiu chamar a atenção de todos, e era visto que ele pretendia. Para depois falar da grandeza, lealdade e do amor que César tinha pelo povo de Roma, pouco a pouco Marco Antônio consegue mudar o estado de espírito da massa voltando-a contra os assassinos de César. Ao final ele, a imagem de quem antes era “odiado” pelo povo, recebe o beneplácito  e é aplaudido pelos presentes.

"O mal que os homens fazem sobrevive depois deles. O bem é quase sempre enterrado com seus ossos." Marco Antônio.

Voltando ao velório de José Carlos, percebemos que Marcélio, também, esperou o momento certo para colar em Jackson Barreto a pecha de traidor. Na oportunidade ele relembrou aos presentes os bastidores da eleição de 1986. Muitos, segundo o autor do discurso, foram os que traíram Teixeira naquele ano. Antes ajudados  pelo morto, que inclusive teria usado de sua influência para que muitos não tenham sido presos, torturados e mortos pela ditadura.

Olhando para Jackson, ele pediu perdão, reconheceu que errou e que Sergipe, possivelmente, seria hoje um Estado mais bem desenvolvido se toda a “turma” não tivesse traído José Carlos Teixeira. O orador citou nominalmente o nome de várias pessoas e algumas, com Jackson Barreto, estavam presentes.

Constrangido e de cara amarrada, Jackson “O Traidor”, que estava ao lado à beira do tumulo, se retirou visivelmente irritado. Após o enterro, muitos dos presentes cobraram o não pedido de perdão por parte de Jackson Barreto naquele momento.

Pré-candidato ao Senado Federal este ano, Jackson é conhecido por fazer acusações a adversários em programas de rádios e através da imprensa escrita. Como diria o personagem Chaves, ele só não contava com a astúcia de Marcélio Bomfim.

Nenhum comentário: