Dimas Roque: Eu apoio Luciano Huck para 2022!

29.1.20

Eu apoio Luciano Huck para 2022!


Soube que o Luciano Huck levou um sobrevivente de Brumadinho no seu programa.

Soube que esse sobrevivente perdeu no quadro The Wall (Que brega usar Pink Floyd em programa de auditório!).

Soube que Huck, com "pena" do cidadão, organizou um "crowdfunding" para ele.

Soube também que Huck disse ao filho dele (não sei se do sobrevivente ou dele mesmo) que ele é como um 'blogueiro' ou um 'youtuber' que quando lança uma ideia, lança essa ideia para 30 milhões de pessoas de uma vez.

Eu nunca vi um somatório tão grande de imposturas. Nunca vi tanta exploração da miséria humana e da catástrofe. Nunca vi tanta hipocrisia e covardia em um mesmo programa de televisão.

Luciano Huck é pior do que Silvio Santos, pior que Faustão, pior que Barros de Alencar, pior que Bolinha, pior que Datena.

Soube também que Luciano Huck, mesmo levando um sobrevivente de Brumadinho em seu programa, não citou o nome da mineradora Vale.

Não cobrou justiça das autoridades. Não denunciou a ganância dos executivos, não mencionou a prisão de alguns deles, tampouco a soltura e a lentidão da justiça.

A exploração da miséria já e algo bastante degradante. Levar uma pessoa pobre a um programa de televisão, expô-la, fabricar audiência com ela, presenteá-la de maneira assistencialista com um carrinho de cachorro-quente e ainda ganhar milhões com isso é algo que já provoca repulsa em qualquer pessoa que tenha um pingo de leitura e caráter.

Note-se que o expectador de Luciano Huck não é uma vítima: é um agente do horror, tão responsável pela própria miséria quanto o apresentador.

Dar audiência a uma figura dessas diz mais sobre quem assiste do que propriamente sobre quem fatura.

Luciano Huck é pior do que Bolsonaro.

É pior porque finge ser o que não é. Porque quer se passar por uma pessoa "ética". Porque pronuncia a palavra "sustentabilidade", com histórico de desrespeito ao meio ambiente.

Eu disse que a exploração da miséria é degradante. E se a exploração da miséria é degradante, o que seria a "exploração da catástrofe"?

Se a humanidade retomar o curso da civilização perdido com a ascensão contemporânea do nazismo de Trump e Bolsonaro, daqui a 50 anos pesquisadores e analistas irão se perguntar: como um agente do ódio e da indiferença como Luciano Huck não foi processado e preso?

Como se suportou tamanha impostura em uma televisão aberta durante tantos anos? Que sociedade foi essa, a brasileira?

Sabe-se que esse esplendor da limitação intelectual que atende pelo nome de Luciano Huck tem a ambição de ser presidente da República. Ele parece querer comprar o cargo de presidente da República com o dinheiro excedente de sua engenharia fiscal.

É exatamente aí que reside a nossa felicidade e a nossa salvação. Porque essa pretensão deverá ser a grande lição que o apresentador irá aprender na vida.

Huck não resiste a uma semana de campanha eleitoral. Sua vida privada é uma monumentalidade de escândalos não divulgados. Ainda.

Huck candidato será uma das melhores notícias para a esquerda e para a democracia. Porque ele vai atualizar a memória do brasileiro com relação à demagogia explícita dos velhos e mentirosos políticos tucanos, como FHC, por exemplo (que, por sinal, é seu agenciador).

Huck fará a imagem de Aécio Neves, seu outro amigo, ser recuperada no córtex coletivo da repulsa. Sua imagem lamentando a derrota do candidato tucano em 2014 pertence à iconografia do submundo das coisas grotescas e reveladoras.

A ambição de Huck é uma excelente notícia para todos nós que amamos a democracia e não temos medo de sentir o prazer mórbido do testemunho de uma queda.

O mais interessante é que, além da ambição política, Huck tem ambições intelectuais. Isso torna tudo mais divertido.

Ele assinou três artigos no jornal Folha de S. Paulo que são o suprassumo de uma escrita enfadonha, pedante e no limiar do risível.

Recomento a todos a leitura desses três artigos que pertencem à antologia dos piores textos já escritos pelo ser humano. Há ali, problemas de gramática, de progressão textual e de uso lexical. Há pérolas da comicidade como o já célebre "errar na mosca".

A pretensa relação de Huck com a escrita é o desdobramento natural da pretensa relação dele com a política: ele não tem a menor vocação para nenhuma delas.

Fico imaginando como seria um debate eleitoral entre Luciano Huck e qualquer outro candidato (nem vou falar Lula, Dino ou Haddad para não estragar o argumento tão cedo).

Nenhum candidato poderia sonhar com algo mais reconfortante do que debater com Luciano Huck.

Não há media trainings no mundo que possam dar jeito tal desarranjo estrutural.

Por isso, expresso aqui o meu mais profundo apoio à candidatura de Luciano Huck para a presidência da República.

Nós queremos vê-lo candidato, Huck!

Estamos todos esperando por sua performance eleitoral. Desejamos vê-lo debatendo o país não apenas com os seus amigos empresários, mas também com o povo que você explora em seu programa.

Será muito útil ao Brasil um candidato como você nas próximas eleições.

Loucura, loucura, loucura.

Por: Gostavo Conde.

Publicado no GGN.

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