17.5.18

16 DE MAIO DE 2001: O INÍCIO DO FIM DO CARLISMO Por Everaldo de Jesus



 Há 17 anos, três grandes manifestações ocorridas no mês de maio entraram para a história da Bahia. Marcaram a primeira cisão no encouraçado poder do ex-governador e ex-senador Antônio Carlos Magalhães. O cacique baiano estava mergulhado em um escândalo, após ser flagrado por evidências de ter violado o painel do Senado, em uma votação que deveria ser secreta.


Convocada pelos movimentos estudantis que pediam a cassação de ACM, a primeira manifestação ocorreu em 10 de maio de 2001. Uma passeata com cerca de 3 mil participantes, iniciada no centro de Salvador, tinha como destino o bairro da Graça, onde os estudantes pretendiam fazer uma “lavagem” das escadarias do Edifício Stella Mares, residência de ACM.  A polícia militar reprimiu violentamente a passeata e impediu que ela chegasse ao destino.


O segundo ato, ainda maior, estimado em 9 mil manifestantes, aconteceu dias depois, em 16 de maio de 2001. Desta vez o local escolhido foi o Vale do Canela, e a concentração das manifestações aconteceram na Faculdade de Direito da UFBA, local que os organizadores consideravam inviolável pela polícia baiana, por ser um espaço federal. Não foi o que ocorreu: a PM invadiu a faculdade e dispersou a manifestação com mais violência. Utilizaram gás lacrimogênio e balas de borracha e deixaram um saldo de 25 estudantes feridos.

As imagens da selvageria da polícia carlista invadiram o noticiário nacional e provocou uma terceira passeata ainda maior, com pelo menos 17 mil pessoas, no dia seguinte. Os estudantes dessa vez contaram com a solidariedade de outras organizações e partidos políticos, além dos professores da UFBA e do próprio reitor à época, Heonir Rocha.

A manifestação ocorreu pacificamente. Iniciada em frente à reitoria da UFBA, a passeata percorreu as ruas do centro da capital baiana com faixas que denunciavam a violência do dia anterior, escrachavam o senador direitista e pediam sua cassação. Prenunciaram o início do fim do carlismo.

Alguns dias depois, em 30 de maio de 2001, o senador Antônio Carlos Magalhães sobe a tribuna do Senado. Em um discurso rápido, critica os rumos de um governo que ajudou a sustentar e denuncia perseguição dos seus pares. E renúncia ao cargo de senador, já certo de que seria cassado e perderia seus direitos políticos.


Por Everaldo de Jesus

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