8.9.15

Para onde caminha o PT em Sergipe?

Há uma corrente muito forte dentro do Partido dos Trabalhadores que há muito tempo vem pedindo uma mudança nos destinos do mesmo. Essa “mudança” seria voltada ao passado. No inicio da legenda, quando, nas palavras do ex-presidente Lula, “A gente vendia utopia para as pessoas que iam aos palanques assistir o nosso partido”. E foi vendendo sonhos que o PT se tornou o referencial junto à classe trabalhadora e humilde do Brasil.
O tempo passou, perderam algumas eleições, aprenderam “comendo poeira”, como disse o ex-governador Jaques Wagner da Bahia. Mas o que teria levado seus dirigentes máximos, aqueles que se tornaram referência para a militância, cometeram tantos erros. E não falo aqui, das acusações a que alguns estão sendo imputadas. Que teremos que esperar até o resultado final de cada processo. Quero falar da coisa mais interna. Da forma como o Partido se tornou cartorial, onde os eleitos começaram a ter um poder antes nunca visto. Bastava conseguir uma cadeira, nas Câmaras, Assembléias e Governos, para virar o dono de diretórios nas cidades.
E foi assim que vimos à militância, a que vai as ruas em cada campanha eleitoral, começar a questionar esse método, antes usado por partidos de direita. E o que teria levado a isto? O medo do novo? O medo de perder eleitoralmente para o que se apresenta como a alternativa viável? Foi tudo isso e a certeza de que cartorialmente eles têm a certeza da complacência dos diretórios estaduais e federal. E ainda usaram dos mesmos artifícios dos outros partidos para crescer. Para ter novos eleitos, foram filiadas pessoas com o único intuito, o eleitoral, de arrebanhar votos. E hoje temos parlamentares que vêem o partido sendo trucidado no parlamento e se calam diante de tamanha agressão.
Vejamos o caso da eleição de prefeito na cidade de Aracaju no ano quem vem. A Eliane de Aquino, ex-esposa do saudoso Marcelo Dedá, é potencialmente uma candidata para ganhar o pleito. Filiada ao Partido dos Trabalhadores, não consegue que as lideranças, os Caciques, trabalhem o seu nome. Ela, que teve todas as condições de se eleger senadora na eleição de 2014, foi atropelada pelo atual presidente da sigla, Rogério Carvalho. Que foi derrotado nas urnas. Essa é uma pratica corriqueira na agremiação. Os “Donos” não abrem espaço para possíveis eleitos, como falei antes, preferem artistas, jogadores e afins, que arrebanhem votos para ajudá-los eleitoralmente.
Eliane poderá ser “derrotada” novamente dentro do PT. E quem pagará, mais uma vez, essa conta?
Ocorre com ela o que antes já acontecerá com Ismael Silva, grande liderança dos movimentos populares da Aracaju, tinha nos anos 80 todas as condições de se eleger prefeito da capital ou disputar, com chances o governo do estado. Foi, também, preterido e deixado a margem das grandes decisões e relegado ao lugar, que agora, querem impor a Eliane, a sarjeta da política estadual. O que será mais um erro cometido esquema cartorial que se torno o Partido dos Trabalhadores ao longo dos tempos.
A mudança não pode ser só em palavras. Ela tem que prescindir de atos, e nós estamos carentes dos que possam indicar que o PT retornou aos trilhos da utopia de ser um partido diferenciado dos outros, onde a participação popular é o seu mais forte legado.
Dimas Roque

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