31.10.18




O ex-candidato a presidência pelo PDT – Partido Democrático Trabalhista, Ciro Gomes, não fala sem pensar, como alguns querem acreditar. Ele sabe muito bem o que diz e aonde quer chegar.

Preterido pelo Partido dos Trabalhadores, que teve como candidato de Fernando Haddad, Ciro não perdoa este ato. Na cabeça dele (não sou psicanalista), o ressentimento tomou conta. Mas como esperar um ato de grandeza, como ele cobrou, por parte de quem teve o maior número de governadores e deputados eleitos? Como pedir a quem tem a maior e melhor militância partidária do planeta que abra espaço para outro candidato? E este outro não é qualquer um. Camaleão. Já esteve filiado ao PDS, PMDB, PSDB, PPS, PSB, PROS e agora PDT.

Ao final do primeiro turno das eleições em outro passado, todo o Brasil esperava de Ciro um ato de grandeza. Seu apoio era dado como certo ao candidato Haddad. Que disputou e foi derrotado por Bolsonaro. Mas o pedetista viajou. Sabe-se que esteve na Europa, “descansando” da maratona que enfrentou. De lá não mandou um sinal de fumaça que fosse em direção a esquerda. E no sábado, um dia anterior a eleição, chegou ao aeroporto da cidade de Fortaleza. Foi recebido por uma multidão. Todos esperando uma declaração de apoio a candidatura, que naquele momento, era o oposto ao fascismo. Ciro calou.

Mas como homem politico, Ciro mandou os primeiros sinais do que pretenderia fazer. Disse “claro que todo mundo preferia que eu, com meu estilo, tomasse um lado e participasse da campanha. Mas eu não quero fazer isso por uma razão muito prática, que eu não quero dizer agora, porque, se eu não posso ajudar, atrapalhar é o que eu não quero”. E atrapalhou!

Foi ai que percebi o que Ciro quer de verdade. Ele jogou para a eleição de Bolsonaro no segundo turno por ser um homem raivoso. Ciro nunca será candidato da esquerda, e ele sabe disso. A chance que ele tem é que Bolsonaro seja um desastre na condução do país. O que não precisa de bola de cristal para ver que já começou antes mesmo de começar. E é vendo isto que o politico camaleão mira daqui a quatro anos. A direita não terá um candidato competitivo. Todos os possíveis perderam espaços. E Ciro, o camaleão visa ocupar este espaço. Suas falas contra o PT, não são para se juntar a esquerda em nome de um projeto que o tenha como liderança, são acenos ao deus mercado e as legendas de direita. Ciro busca na verdade se credenciar como o próximo Bolsonaro da direita.

Suas declarações hoje ao jornal Folha de São Paulo já podem ser guardadas para serem estudas em um futuro próximo, como as de quem não tem escrúpulos para alcançar seus objetivos. Ciro precisa se dobrar a direita, e para isto precisa atacar o maior partido de esquerda do país.
Triste, muito triste o caminho por ele perseguido.


26.10.18



A direita de tempos em tempos através da grande imprensa solta a cantilena de que o “PT acabou”. Ledo engano. Tal qual uma fênix, o Partido é o mais admirado pela maioria da população brasileira. Ele está vivo. E sua chegada ao segundo turno das eleições deste ano, mostra o quanto sua militância foi importante. Ela é o oxigênio que nenhum outro partido possui.

Durante 13 anos o partido e seus líderes foram atacados sistematicamente, dia após dia em revistas, jornais, televisão e ultimamente como a internet, nas redes sociais. Bateram durante todo esse tempo, como se diz na Bahia, “como se bate o feijão em Irecê”. Cidade onde a cultura da leguminosa é predominante e ainda se usa porretes para separar a casca dos grãos.

Seus detratores se espalharam. Agora através das falsas notícias e usaram de todos os artifícios para retirar seu candidato à presidência, Fernando Haddad, do páreo. Eles achavam que ao transformar as agressões em algo normal, seria mais fácil acabar com “os vermelhos”.

Mas a história está mostrando que mesmo envergado, como vara de bambu, o petismo resiste nas ruas. De onde nunca deveria ter saído.

Agora se juntam a resistência neste segundo turno, todas as forças contrárias ao obscurantismo. E é lindo ver artistas consagrados, atrizes que antes só era possível enxergar pela TV, nas ruas, voluntariamente. Cantores e cantoras gravando vídeos e cantando contra o fascismo.

Esta eleição já conseguiu juntar pessoas que militam em partidos diferentes, ou que nunca militaram politicamente, por uma causa, a da liberdade. E se só fosse por isto, já bastaria. Mas o clima que tomou as ruas essa semana mostra que, sim, é possível vencer as forças do atraso.




Engajado neste segundo turno das eleições nas redes sociais, o cantos e confluência entre a juventude, Marcelo D2, pede a população do Rio de Janeiro para não passarem vergonha.

Ontem anoite em sua conta no twitter, ele fala da virada histórica que está acontecendo na cidade de São Paulo. Lá o candidato Fernando Haddad já ultrapassou a Bolsonaro em intenções de votos. Esta notícia está sendo comemorada intensamente pela campanha Petista. Está sendo chamada a “Hora da Virada”.

D2 Disse, “Em São Paulo já virou... pelo amor de Deus meu Rio de Janeiro não vamos passar vergonha... esse cara já mamou muito nas tetas do Estado... vamos virar”.
Nesta reta final do segundo turno, artistas se uniram a militância no engajamento e estão indo as ruas e nas redes sociais pedir votos para Haddad.

22.10.18



"A democracia é vida. E na vida se edifica. Na luta se sustenta e pela luta se espalha." (Marcelo Déda)

Segunda-feira, dia 22/10/2018, semana de eleições. Escrevo pra esse cara, que talvez não vá ler, pq talvez não exista esse tal outro lado. Mas escrevo assim mesmo, com o coração cheio da esperança que herdei dele.
Old man, já estou acostumada a ouvir das pessoas sobre a falta que você faz. Sempre alguém me puxa num canto e diz “seu pai faz falta nesse estado, nesse país”. Mas essa eleição é diferente. Eu vejo o desespero no olho de quem me aborda pra dizer “Déda deveria estar aqui agora”. Você costumava dizer que eu te via como um herói de história em quadrinho, mas que você era apenas um personagem dos quadros da História. Hoje, com maturidade, entendo o que você queria dizer. Você foi realmente apenas um personagem dos quadros da História (maiúsculas respeitosíssimas!), mas um personagem essencial, um personagem cuja ausência grita nos quatro cantos dos quadros. 
Hoje, meu pai, nosso país pode eleger um fascista pra presidência. E escrevo isso com lágrimas nos olhos. Lembra quando estudei Hannah Arendt na faculdade e liguei pra dizer o quão horrorizada eu estava? Não chega nem perto do horror que sinto agora. Pessoas próximas, familiares, amigos que cresceram comigo... Pessoas normais estão declarando voto (isso pra não falar nos que votarão nulo em tempos como esse) em um homem que PUBLICAMENTE DEFENDE A TORTURA, A DITADURA, BRILHANTE USTRA. Um homem racista, machista, homofóbico, sem escrúpulos. Um homem que afirma em discursos que as minorias devem se curvar às maiorias – ou simplesmente DESAPARECERÃO. Um homem que representa a mais alta ameaça à nossa tão sofrida e jovem Democracia (mais uma vez, letra maiúscula em forma de respeito). Isso pra não entrar na incapacidade intelectual, na corrupção e nos mil outros defeitos deste homem (sim, um homem, não um monstro com garras... não é assustador?).
Quando você imaginaria isso, velho Déda? Fomos pegos de surpresa. Por mais que os sinais gritassem, a gente não entendeu... Na verdade, talvez você, com essa inteligência fora da média, já tivesse cantado a pedra. Eu não. Eu ainda custo a acreditar. 
Termino essa espécie de carta (?) pra te dizer que apesar do medo, apesar da tristeza, apesar de tantos pesares, eu tenho esperança. Graças a você, minha mãe, meus irmãos, minha madrasta, meus tios, primos, avós, amigos. Eu acredito ainda no que você costumava de chamar de arma do povo: a Política. Com P maiúsculo. Sei que os próximos quatro anos podem (PODEM, a batalha não está perdida) ser de terror, talvez sem tanques nas ruas, um terror velado. Mas eu tô pronta. Eu e um batalhão. Não vamos desistir. Pode ficar tranquilo onde estiver, a luta só começou.

Te amo. A saudade ta mais forte que nunca. 

Luísa Barreto Déda - filha do ex-governador, Marcelo Déda 

#Dédapresente

18.10.18



Quem me conhece sabe que não sou adepto de teorias da conspiração, mas acabo de ler no twitter um relato sobre um provável câncer no trato do intestino que possui uma riqueza de detalhes e notícias que resolvi trazer para cá. As informações a seguir foram publicadas originalmente na conta @afffmulher. Todos os links estão no fim deste post.

Há rumores de que Bolsonaro, na verdade, está com câncer terminal no trato digestivo e não está bem de saúde. Fontes próximas acreditam que ele não tem saúde para terminar um possível mandato.

Desde o começo do ano, Jair Bolsonaro dá sinais de que não está com a saúde 100% para um paraquedista formado. Não, não me refiro àquelas flexões de cabeça que ele fez. Me refiro aos desmaios, passamentos, passadas de mal.

No dia 8 de fevereiro, o deputado passou mal e precisou de atendimento médico na cidade de Cascavel, no Paraná. Ele sentiu calafrios e fortes dores no estômago (guarde esta informação). Segundo informações ele teve PROBLEMAS GASTRINTESTINAIS, provocado por algum alimento (?) que teria ingerido em São Paulo, antes de visitar a cidade. Ele ficou 3 horas em observação e depois liberado. O fato aconteceu a poucos dias do carnaval, não teve muita repercussão mas alguns sites locais noticiaram o ocorrido. Fontes 1, 2 e 3.

Já em 13 de março, o candidato Jair Bolsonaro, passou mal novamente no Aeroporto no RJ, depois de uma viagem à Rio Branco, sendo internado no Hospital Central do Exército no Rio. Diferente do primeiro incidente, este é fácil de confirmar porque o G1 falou com a assessoria do candidato que confirmou tudo. Esta notícia foi amplamente divulgada.

Agora vem um fato curioso: no dia 24 de março foi publicado um vídeo de Bolsonaro no Youtube, cujo título é “URGENTE! DOENÇA DE BOLSONARO NÃO O IMPEDE DE MOSTRAR A VERDADE”. Opa! Que doença!? Você deve estar pensando “Oxe, qualquer pessoa pode colocar um vídeo dessa na internet, com qualquer título, seu idiota” Sim, é verdade. Mas cliquem no vídeo e percebam que o candidato está com uma sonda nasogástrica. Você sabe quem usa sonda nasogástrica? Quem não tem condições de se alimentar sozinho, por exemplo. Alguém com problemas no trato digestivo. Não é um procedimento feito aleatoriamente. Tem um porquê. Qual? Não sabemos. Lembra que ele foi internado duas vezes por dores no ESTÔMAGO. Então...

Não há nenhum registro público de que Jair Bolsonaro já tinha passado por um procedimento semelhante por volta de março ou abril de 2018. As notícias são datadas apenas da época da famigerada facada, mais de 4 meses após a publicação do vídeo no Youtube.

Outra coisa curiosa é que o então deputado federal cancelou vários eventos a essa época (acompanhem minha linha do tempo, estamos no final de março, começo de abril). A agenda do candidato só recomeça em 27 de abril de 2018. Não há nada sobre o mês de março nem no site oficial do candidato.

Eis então que surge nas redes sociais um vídeo de Jair Bolsonaro em um culto. Você deve ter se deparado com ele nos últimos dias. Um pastor clama por CURA, ou melhor MILAGRE, enquanto dois obreiros repousam as mãos sobre o ESTÔMAGO de Bolsonaro. Sim, este vídeo que está circulando e estão associando a um prenúncio da facada e a um possível livramento provavelmente é um pedido de oração para a cura da doença por parte da esposa do candidato que é evangélica. A ida ao culto ocorreu no dia 2 de maio. Links 7 e 8.

Avançamos para o primeiro debate na TV, o da rede Bandeirantes. O debate ocorreu em 09 de agosto de 2018, Bolsonaro foi o único sentado durante toda a discussão. Guilherme Boulos Boulos, mais tarde, disse em tom jocoso que o candidato estava visivelmente dopado, sequer conseguia falar direito.

No dia 06 de setembro de 2018, o atentado. A facada que aconteceu justamente no dia em que o candidato que sempre andava de colete a prova de balas, havia esquecido de usar o item de segurança. Lembremos da camisa forjada com sangue e toda a balela criada pelos dois lados. Temos que pensar na inconveniente conveniência deste ataque. Não esqueçamos também da saúde mental do autor do atentado, nem da coletiva de imprensa marcada para as vésperas do primeiro turno mas que acabou nunca acontecendo porque um deputado aliado de Bolsonaro solicitou a suspensão da entrevista e o pedido foi prontamente atendido pela justiça. Aliás, perceberam que ninguém fala mais disso? Não acho que o episódio tenha sido uma fantasia, mas não podemos descartar a possibilidade de ter sido usado para cobrir um problema de saúde maior do candidato. E já que estamos falando de conspirações, mais uma curiosidade: Dona Aparecida, proprietária da pensão que Adélio, o autor da facada, se hospedou antes de cometer o crime, morreu 1 semana após ter prestado depoimento a PF sobre o caso (2 semanas após o atentado).

Um outro fato que gerou enorme repercussão foi a mudança de hospital. Todos se lembram que uma equipe do Sírio Libanês estava a postos e foi a primeira a chegar em Minas e tinha inclusive uma UTI aérea para levá-lo a SP. Mas houve uma confusão e com a desculpa de que o Sírio era “hospital de esquerda”, ele e os filhos fizeram questão de que o ex-capitão fosse para o hospital Albert Einstein. Muito que bem, no Einstein, a cirurgia foi chefiada pelo Dr. Antônio Luiz de Macedo, ONCOLOGISTA, um dos maiores especialistas do país em câncer de intestino. O médico é quem acompanha o candidato desde então.

Vale lembrar que a alta cúpula das Forças Armadas demonstra forte resistência à candidatura de Jair Bolsonaro à Presidência da República. Mas a postura começou a mudar no começo deste ano sem maiores explicações. E após a indicação do General Mourão como vice, a questão pareceu sanada e os militares embarcaram de vez na chapa.

Por fim, semana passada foi informado que Bolsonaro passará por uma nova cirurgia em janeiro do ano que vem. Ou seja, dias após uma eventual posse, caso ele seja o vencedor das eleições. [18] Qualquer problema que venha acontecer, nós já sabemos: o Vice assume. E o Vice dele todos nós conhecemos.

Autor desconhecido.

17.10.18




O antipetismo, que serve a reacionários assumidos e enrustidos para votar na extrema-direita, não passa de uma falsa questão.
Independentemente do que possa ocorrer no próximo dia 28 – e o pior é sempre uma possibilidade – a tragédia política brasileira já tem contornos definidos com a óbvia inclinação da grande massa pelo discurso da extrema-direita. A voz do último dia 7 foi evidente demais, e grave demais, para não ser entendida.

O preço da vitória do desvario antipetista, porém, será a destruição da democracia, tão dolorosamente recuperada após 21 anos de ditadura, e tão arduamente sustentada nesses 30 anos da Constituição de 1988. O cantochão antipetista, assim, reproduz o papel cumprido pelo anticomunismo, que preparou o terreno para o golpe de 1964. Naquele então como agora, como também em 1954, a direita, com o inefável e sempre irresponsável concurso da grande mídia, cuidou de desmoralizar a política e desfraldou a bandeira do combate à corrupção.

O antipetismo, que serve a reacionários assumidos e a reacionários enrustidos para votar na extrema-direita, não passa, no frigir dos ovos, de uma falsa questão, pura aparência, construída para esconder o essencial.

Até aqui, nada de novo sob o Sol.

Assim, sob o falso pretexto de defesa das instituições e da ordem, da ‘moralização dos costumes’, do combate à corrupção e à ‘subversão  comunista’ (que só existia no marketing de suas estratégias de tomada do poder), o golpe militar vitorioso em 1964 rasgou a Constituição, mutilou o Congresso, reprimiu a vida política, cassou mandatos eletivos, impôs a censura desbragada (os jornalões andam esquecidos desses tempos…) e a repressão fez-se a  prioridade de nossas forças armadas, legando-nos o conhecido rol de presos, torturados e ‘desaparecidos’.

O retorno desses tempos, agravados, está na nossa esquina, dividindo nossa gente como se fôssemos servos, croatas e bósnios, à beira do fratricídio. A irresponsabilidade nos acena com a partidarização dos militares – que até há pouco pareciam conformados à ordem constitucional e aos mandamentos de seu Código de Conduta.

A mobilização dos púlpitos sugere uma guerra religiosa, e pouco nos faltará, amanhã, para convivermos com milícias legalizadas, fazendo aqui, como na Colômbia de anos recentes, o jogo mais ímpio da guerra suja.

Como no alvorecer do nazismo, multiplicam-se em todo o País os casos de agressão física a adversários do capitão, estimulados pelo discurso fascista, que incentiva o ódio, o desrespeito ao outro, ao diferente, que não aceita o debate e repele a razão.

Desta feita, porém, poderemos ter a pior das ditaduras, aquela que chega ao poder nos ombros de um processo eleitoral.

É disto que se trata.

Só não a veem, a ameaça, os cegos e os suicidas, como a chamada direita civilizada (admitamos sua existência), a centro-direita e o dito centro, que animaram, cevaram, promoveram o protofascismo supondo que com esse aliado estariam derrotando a centro-esquerda, quando, na verdade, estavam cavando a própria sepultura em cova rasa.

Burra, inculta, a direita brasileira, incapaz de aprender com a História, que desconhece, repete, quase um século passado, a sina dos liberais italianos que apoiaram Mussolini na ilusão de que que o futuro duce massacraria apenas os comunistas, deixando-lhes livre a estrada do poder. O fascismo, como é sabido, consumiu a todos.

Ignorante, a direita brasileira repete a burrice dos comunistas alemães, que viram na ascensão do fuher a possibilidade de varrer do mapa a socialdemocracia, deixando-lhes o caminho livre para a tomada do poder. Ao fim foram se encontrar, comunistas e socialdemocratas, no exílio, nos campos de concentração e nos fornos de cremação.

A direita brasileira de hoje também repete seus erros de outrora. A derrubada do governo Jango, ao contrário do esperado e prometido, fechou as portas ao poder civil, e Carlos Lacerda, seu grande líder, se viu com os direitos políticos cassados pelo regime que ajudara a instalar-se, exatamente quando esperava conquistar a presidência da República.

Igualmente, Juscelino Kubitscheck quedou-se mudo diante da deposição de Jango, fiou-se na promessa de Castelo de preservá-lo e de garantir as eleições de 65 que esperava concorrer e vencer. Deu no que deu. Pouco tempo passado estavam juntos Lacerda e Juscelino, até então arqui-inimigos, unidos no infortúnio. Cassados, expulsos da política pelos militares que haviam ajudado a tomar o poder.

Na política ninguém é inocente, todos somos responsáveis pelo que fazemos ou deixamos de fazer.

O capitão não é fruto de geração espontânea. Trata-se, ao contrário, de construção meticulosa, bem pensada, bem planejada, de cuja execução participaram a arcaica classe dominante brasileira, o ‘mercado’ e seus aparelhos, as muitas FIESPs, a grande mídia, o poder judiciário, e suas adjacências, o ministério público e as seitas neopentecostais. Além desses, repetindo 1964, a ‘inteligência’ militar e o ativismo de generais, oficiais e praças, fazendo de muitos quartéis algo similar a um comitê de campanha, como em verdadeiras células parece transformadas muitas oficinas de procuradores e juízes de direito, jogando às favas as antigas aparências de isenção.

A propósito, o capitão realizou recentemente, nas dependências do Batalhão de operações especiais (BOPE), da PM, do Rio de Janeiro, um comício eleitoral, o que é expressamente proibido por lei. Seria um fato insólito, não estivesse a justiça eleitoral engajada em sua campanha.

Assim se explica como um candidato sem partido e sem tempo de televisão tem sua campanha estruturada nacionalmente.

O fato objetivo é que, para destruir Lula (e o que ele representa), a direita vendeu a alma ao diabo e gerou um monstro que, podendo impor uma derrota à centro-esquerda brasileira, devorará da mesma forma a direita, e os simulacros de liberalismo e centro.

A fera insaciável só vê crescer sua fome enquanto devora a todos que encontra à sua frente, a começar pelos seus criadores. Dizimados nessas eleições, os partidos de direita (o ‘Centrão’) e a socialdemocracia tucana cedem seus espaços para a legenda do capitão.

É evidente que esse monstro não foi construído nas nuvens, repousa na realidade brasileira e nos erros cometidos à direita e à esquerda.

Nosso subdesenvolvimento político não nos permite a existência, seja de uma centro-direita consequente, seja de uma quase-esquerda consciente de seu papel histórico. Nossas organizações e líderes progressistas e de centro-esquerda chafurdam no mesmo charco em que se suicida o centro.

O PDT anuncia ‘apoio crítico’ a Fernando Haddad e seus candidatos que disputam governos estaduais no segundo turno apoiam o capitão fascista (fazendo o velho Brizola, onde quer que esteja, contorcer-se em agonia). Ciro Gomes, magoado com Lula e o PT, parte em doce vilegiatura pela Europa. Quando voltar, verá o que foi feito do país.

O PSB, que defendeu o impeachment e integrou o governo Temer, anuncia apoio pleno a Haddad, mas de seus três candidatos no segundo turno a governos estaduais só o bravo senador João Alberto Capiberibe apoia o candidato da democracia, no seu pequenino Amapá.

Assim, nossa pobreza política – o subdesenvolvimento é uma praga que não poupa ninguém – não permitiu o óbvio, que seria a formação de uma grande frente democrática, partidária e popular, para conjurar a ameaça fascista, como fizeram, por exemplo, os franceses para bloquear os Le Pen. Faltam-nos, como sempre, partidos e biografias, e como fazer História quando somos tão carentes de estadistas?

Essa coisa amorfa que a imprensa chama de centro, mais os chamados liberais de carteirinha, o tucanato, os conservadores não fascistas, reduzem nossa tragédia a uma discussão em torno do PT e do lulismo. É a especiosa forma de fugir da questão central: a opção, e todos estamos optando, entre democracia e fascismo.

Nas circunstâncias, o silêncio – de Alckmin, de Marina e de outros mais ou menos cotados – equivale a votar no capitão, ou seja, a dar aval a um projeto assumidamente totalitário, comandado pelo que há de mais primário e boçal na política brasileira, o candidato e sua coorte.

O ex-presidente que nos recomendou esquecer o que escreveu ao tempo de sociólogo enrosca-se em seus amuos antipetistas, em seus ressentimentos, e em suas queixas nada consegue ver ou deslumbrar para além de seu imenso umbigo. Valendo-se da tática dominante, também ele reduz a crise do país à cediça disputa entre PT e não-PT, e assim se vê dispensado de definir-se (“Cobram de mim para tomar posições. Mas eu digo: por quê?”). Aliás, ele se define, pois, silenciando, está objetivamente optando pelo capitão.

O ex-presidente sabe, como igualmente sabe Ciro Gomes, que a disjuntiva PT-antiPT é uma falsa questão, pois, sem absolver o PT, o que está em jogo é o futuro do país, bem maior do que essa querela e bem maior que o destino pessoal de ambos. Omitindo-se diante da contradição democracia versus ditadura, objetivamente estão levando mais água para o moinho dos fascistas. E assim se definem.

Circula nas redes sociais uma pequena história que ilustra o suicídio do centro brasileiro:  “A formiga, com raiva da barata, votou no inseticida, e todo mundo morreu. Inclusive o grilo, que se absteve do voto”.

Marielle – Quando as ‘autoridades’ policiais do Rio de Janeiro, interventoras ou domésticas, anunciarão os nomes dos mandantes e executantes do assassinato da vereadora Marielle Franco?

Estratégia – Espera-se que o PT explique a estratégia adotada para as eleições estaduais em São Paulo e Rio de Janeiro.

Roberto Amaral - escritor e ex-ministro de Ciência e Tecnologia



“Se o povo me deu mais de 75% dos votos, foi para eu fazer mais e melhor! E, para eu fazer mais e melhor, quero ter um presidente da República que goste da Bahia, que seja apaixonado pelos baianos”. A declaração em defesa do candidato Fernando Haddad é do governador reeleito Rui Costa, na tarde desta quarta-feira (17), no sul do estado. Durante as reuniões que participou em Itapetinga, pela manhã, e em Itabuna, à tarde, Rui destacou a importância de garantir a vitória de um candidato que tenha “compromisso com os brasileiros, que valorize a educação, os projetos sociais, a paz e a família e não a violência e o desprezo pela democracia”.

Na conversa com lideranças dos territórios de identidade Médio Sudoeste e Litoral Sul, Rui agradeceu sua reeleição e os 60% dos votos dos baianos para Haddad, mas pediu empenho para ampliar a votação do presidenciável do PT no segundo turno: “nosso objetivo é garantir 80% de votos válidos para Haddad na Bahia”, afirmou. Na opinião do governador, “a educação, a fé em Deus e amor da família são os maiores valores que vamos passar aos nossos filhos e ele reúne todos esses atributos. O governo de Haddad não será do PT, mas de todas as forças democráticas capazes de fazer o Brasil retomar o caminho do desenvolvimento, com respeito à convivência de todos os seus cidadãos”.

Ao lado do senador eleito pelo PSD, Angelo Coronel, e do presidente da União dos Municípios da Bahia (UPB), Eures Ribeiro, além de prefeitos, vereadores, deputados e outras lideranças regionais, Rui defendeu uma ampla mobilização de todos os baianos e brasileiros nessa reta final do segundo turno para levar Haddad à vitória. “Com Haddad, faremos mais e melhor. A eleição dele vai garantir a continuidade e ampliação de investimentos importantes no sul do estado, como a conclusão da FIOL, a construção do Porto Sul e a duplicação da rodovia Ilhéus-Itabuna [BR-415], além da recuperação da lavoura cacaueira, responsável pela geração de milhares de empregos”, afirmou em entrevista para rádios da região de Itabuna.

As reuniões promovidas pela coligação Mais Trabalho por Toda a Bahia, encabeçada pelo governador Rui Costa, continuam até a próxima sexta-feira (19). Amanhã, os encontros serão em Teixeira de Freitas às 9h, no Espaço D Cerimonial, no bairro de Monte Castelo; e em Porto Seguro, às 14h, no Hotel Solar Imperador. Os territórios de identidade contemplados nos encontros serão, respectivamente, Extremo Sul e Costa do Descobrimento. Na sexta, às 9h, o governador estará em Vitória da Conquista (territórios Sudoeste Baiano e Sertão Produtivo) e às 14h na cidade de Jequié (Médio Rio de Contas e Vale do Jiquiriça).


Fotos: Vaner Casaes.



As inscrições para estudantes da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) participarem do Programa Institucional de Bolsas de Incentivo Acadêmico (BIA) estão abertas até 22 de outubro. O BIA-Univasf oferece 21 bolsas para os projetos selecionados na primeira etapa do programa. Podem se inscrever estudantes ingressantes dos períodos letivos 2018.1 e 2018.2, que atendam aos requisitos determinados pelo Edital N˚ 27/2018.




Um anoitecer de outubro. Todos os brasileiros, mesmo que involuntariamente, seguem imersos na desconfiança para os possíveis rumos da política no país. A presente dicotomia eleitoral intensifica as incertezas e elucida a superficialidade das discussões. Os acalorados debates deixam de lado o essencial: ideias e propostas pragmáticas que possam fazer do Brasil um país pujante.

É notório que apresentamos problemas estruturais graves e o clamor da sociedade vai da educação a investimentos em ciência e tecnologia. As atuais travas para o desenvolvimento nacional perpassam pelo direcionamento político dado por nossos representantes. Os avanços alcançados devem ser aprimorados e o norte para o progresso deve ser buscado com empenho sempre. Entretanto, este período de campanha eleitoral tem aprimorado mais o viés ideológico, que sobrepõe o bom senso e a autocrítica, do que o desejo de ver o país nos trilhos.

O cenário eleitoral tem se assemelhado a um jogo de futebol onde os torcedores de cada time incitam a derrota aos seus opositores a qualquer custo, como se estivessem em barcos opostos. Porém, esquecem que ao fim da campanha, o que estará em voga são os caminhos do país para os próximos quatro anos. Podemos nos refutar de discutir ideias, de ler os programas de governo de cada candidato? Devemos continuar nas acusações pessoais e esquecer-se de discutir o país?

Muitos brasileiros não se atentam ao fato de que os representantes do povo (seja no legislativo ou no executivo) estão ou estarão nesses cargos por um tempo e, assim sendo, as figuras passam, mas o país permanece. Direcionar o Brasil para avanços reais, como educação de qualidade, cidadania efetiva, saúde, segurança pública eficiente, desenvolvimento industrial e tecnológico tem de ser o arcabouço de qualquer governo.
Ao ser mantida a parcialidade irrestrita a qualquer que seja o candidato e fundamentada tão somente pela ideologia política, com o passar do tempo, nos tornamos cegos ou coniventes para sinais de incoerências na administração do que é público. Daí a necessidade de uma constante avaliação imparcial do que será bom ao país e, jamais, do que será favorável a um partido ou o político em questão.

Seremos coniventes com atitudes erradas? Manteremos a acomodação e normalidade ao “rouba, mas faz”? Isso que queremos para o país? No momento em que o Brasil apresentar uma volumosa massa crítica e que não sirva mais como objeto de manobra, sem dúvidas, estaremos livres das amarras politiqueiras e ascendendo a uma sociedade mais criteriosa, esclarecida e que preza pelo bem comum. Um país que enxergará avanços e jamais retrocessos. Em suma, não podemos recorrer a irracionalidades que atrasam uma nação.

Por Tiago A. Fonseca Nunes.
tiagofonsecanunes@gmail.com
 

16.10.18



Quero me solidarizar com os eleitores de Bolsonaro. Refiro-me exclusivamente aos que professam sua fé em Jesus Cristo. Deve ser duro e constrangedor para vocês ter que defender um candidato que diz tantas coisas contrárias ao espírito do evangelho. Imagino a crise de consciência que muitos de vocês enfrentam. Eu digo “muitos” em vez de “todos”, porque sei que nem todos se alinham de fato aos ensinos de Cristo. Alguns se sentem absurdamente à vontade, não apenas para confiar-lhe o voto, mas também para defendê-lo em redes sociais. Alguns se dispõem até a perder amigos e familiares por amor a Bolsonaro. Isso mesmo. Talvez jamais tenham feito isso por amor a Jesus. Mas por alguma razão, Bolsonaro parece reunir todas as qualidades que o fazem merecer sua irrestrita lealdade.

Creiam: eu já vi este filme antes. Meu rosto cora de vergonha ao confessar que meu voto ajudar a eleger Fernando Collor de Mello, o "caçador de marajás", que dizia em sua propaganda eleitoral que nossa bandeira jamais será vermelha. Por isso me solidarizo com cada um de vocês.

Não se sintam constrangidos. Vocês não estão sós. Ao longo da história, muitos cristãos adotaram postura semelhante, protagonizando ou apoiando discursos e atitudes antagônicas à fé que diziam professar. Vejam, por exemplo, as cruzadas, quando o mundo cristão se levantou contra o mundo muçulmano para retomar o controle de Jerusalém. À época, o Papa conseguiu convencer bons cristãos de que aquilo era o justo a se fazer, mesmo que muito sangue fosse derramado. Muitos pais liberaram seus filhos para lutarem ao lado dos Cruzados. Mais tarde veio a Santa Inquisição que mandou milhares de “hereges” e supostas “bruxas” para a fogueira. Até um reformador protestante aderiu ao espírito da época. Calma. Não precisa soar frio ainda. Como você mesmo pode ver, nosso telhado é de vidro.

Talvez o capítulo mais triste de todos tenha sido o do NAZISMO. Caso não saiba, foi a igreja evangélica alemã que elegeu Hitler. Ele prometia varrer a corrupção daquele país e combater o comunismo, zelando pelos valores cristãos da família tradicional. Sabe qual era o slogan de sua campanha? Adivinha! “Deutschland über alles”, que é traduzido em português como “Alemanha acima de tudo”. Isso te faz lembrar algo? Resultado: seis milhões de judeus, negros, homossexuais, ciganos e cristãos insurgentes mortos nos campos de concentração ou fuzilados no paredão.

Mais recentemente, foram os evangélicos que elegeram Donald Trump presidente dos Estados Unidos. Alguém poderá alegar que ele está fazendo um bom governo, que o índice de desemprego caiu. Daí, eu lhe pergunto: Você concorda com a política de Trump para os imigrantes? Não acha desumano que os filhos pequenos sejam separados dos pais e vivam enjaulados feito animais até o dia de sua deportação?

Você não está sozinho. Você apenas engrossa a voz da maioria. A onda “Bolsonaro” te pegou. Logo, se um dia isso lhe for cobrado em juízo, você poderá alegar não ter culpa alguma. Só tem um pequeno probleminha: ao ler este texto, você deixou de ser inocente. Antes não houvesse lido, não é mesmo? Recomendo até que pare por aqui, se não a coisa vai complicar para você.

O mandamento diz: "Não acompanhe a maioria para fazer o mal” (Êxodo 23:2). Portanto, sinto muito em lhe informar, mas esta desculpa não cola mais. O apóstolo Paulo é claro ao nos advertir a não sermos cúmplices das obras infrutuosas das trevas (Efésios 5:11).

Ao votar em um candidato que se opõe às minorias, aos direitos trabalhistas, aos direitos humanos, e ainda faz apologia à tortura e a ditadura, você está se juntando às hordas de cristãos professos que negaram a eficácia do evangelho. Assim como hoje julgamos as gerações de cristãos que apoiaram massacres, perseguições, cruzadas e inquisições, gerações futuras nos julgarão acerca do posicionamento que adotarmos agora. Não está em jogo apenas o resultado de uma eleição, nem os Fake News que têm sido espalhados por lideranças cristãs que só querem estar próximas do poder. O que está em jogo é o futuro do país. Depois não digam que não foram avisados.

Que bom que a história do Cristianismo não se resume a esses capítulos tenebrosos que citei acima. Houve cristãos que lutaram contra o regime escravocrata. Outros, como Martin Luther King, emprestaram a voz na defesa dos direitos civis dos negros norte-americanos. Ele foi chamado de “comunista”, baderneiro, promíscuo, e acusado de participar de orgias. Acabou brutalmente assassinado com foi recentemente Marielle, defensora dos direitos humanos. Infelizmente, este tem sido o destino de muitos dos que se insurgem contra a hipocrisia imperante, desmascarando o discurso de ódio e preconceito travestido de religiosidade. Hoje, a maioria dos cristãos enche a boca para falar de Luther King. Ele se tornou motivo de orgulho para a comunidade cristã. Outro que não se dobrou foi Bonhoeffer, o pastor que peitou Hitler quando seus colegas só faziam elogia-lo. Acabou fuzilado por um pelotão nazista.

Daqui a vinte anos, que versão da história você contará aos seus filhos? De que lado você se posicionou? Pense nisso antes de sair por aí defendendo o indefensável. Ainda há tempo de repensar. Não é vergonhoso mudar de opinião. Vergonho é teimar com uma coisa mesmo conhecendo a verdade acerca dela.

Só uma pergunta básica: este texto lhe despertou ódio ou compaixão? Pense bem que tipo de sentimento este candidato tem despertado em você. De nada vale uma esperança recheada de ódio e intolerância.

Por Hermes C. Fernandes.

15.10.18



Sempre que se misturou política com religião a história mostrou que o resultado sempre foi desastroso para ambos os lados. Em 622, quando "Maomé", ameaçado de morte, pelos opositores do islamismo, fugiu da cidade de "Meca" para "Medina" na Arábia Saudita, 300 km ao norte da primeira. Lá ele expandiu o islamismo. Até hoje realizam “guerras santas” para, segundo eles, defenderem seus princípios religiosos. Muito sangue já foi derramado ao longo do tempo em nome de Maomé.

Para a Igreja Católica, que usaram as Cruzadas, a guerra santa era a busca pela conquista do Santo Sepulcro que fica na cidade de Jerusalém em Israel. Expedições militares foram feitas com esse objetivo, oito exatamente. E sabe o que aconteceu durante esses movimentos “militares”? Muita violência contra os povos não cristãos. Muita carnificina e corpos por onde passavam eram deixados pelo caminho.

O termo ganhou outra forma quando mais recentemente podemos classificar de “guerra santa” o que acontece no Oriente Médio com Israel massacrando os Palestinos. Este movimento israelita surgiu da necessidade da criação de um estado para os Judeus logo após o final da segunda guerra mundial. Com o fim do Holocausto, houve uma pressão muito forte entre os "aliados" pela criação de um Estado judeu. E esta disputa existe até os dias de hoje. Mistura-se religião com necessidades de sobrevivência de ambos os lados e em “nome de Deus” pessoas são assassinadas quase que diariamente na região.

O Brasil sofre a síndrome da “copia”. Aqui se copia mais os exemplos ruins que os bons. Vejamos brasileiros que vão aos estados unidos. Quando retornam, após uma, duas semanas, voltam fazendo gestos só utilizados por aquelas bandas. Alguns, como papagaios mal ensinados, repetem palavras em um inglês sofrível. Isso para mostrar que estiveram por lá. É uma necessidade quase que mortal, de ser o que não são. Eles nunca vão ser americanos, mas não têm vergonha das suas macaquices.

E se é para copiar os erros, líderes de igrejas por todo o país resolveram declarar uma guerra santa política este ano. Eles estão utilizando de todos os artifícios, argumentos e símbolos religiosos para tentar convencer suas “ovelhas” de que devem eleger o candidato que, pensam eles, está em sintonia com os seus “evangelhos”. Para obter este objetivo eles mentem em pleno púlpito. Mostram filmes bem produzidos na tentativa de induzir as pessoas a acreditarem que há um inimigo a ser destruído. Falam em nome de um deus (minúsculo mesmo). Usam artifícios de que teriam ouvido do próprio Deus, palavras que pedia para eles repetirem de público. Blasfemam sem demonstrar nenhum arrependimento.
O que boa parte desses líderes religiosos não está percebendo é que este movimento dentro das igrejas está esgarçando o poder de absolvição silenciosa dentro dos templos. E isto trará em médio prazo uma debandada religiosa das chamadas “ovelhas”. Que já, nos cantos dos templos, reclamam do uso religioso e da Bíblia com fins políticos. Mas para onde irão os desiludidos religiosos após a guerra santa? Não dá para antever o que acontecerá. Tomará que não seja uma horda a vagar desiludida do Deus vivo por culpa exclusiva daqueles que trocaram o evangelho por poder político.

Deus nos proteja!

11.10.18



Eu tinha muitas expectativas pra esse show e, dentro delas, duas certezas:
1. Roger Waters se posicionaria contra Bolsonaro;
2. Ia dar problema.

Eu preciso começar falando que não tem como esperar posicionamento diferente do integrante de uma banda com álbuns como The Wall, Animals e The Final Cut. Quem achou um absurdo o que ele falou, definitivamente passou a vida toda ouvindo OUTRA banda.

Agora, voltemos ao início. O show começou com fortes críticas ao Trump e à política antirefugiados que ele defende. Nessa hora o estádio do Palmeiras concordava em uníssono, urrando palavras de amor ao baixista do Pink Floyd. Todas as vezes que o Trump apareceu no telão as pessoas gritaram, estavam achando a crítica excelente.

Eis que Waters encerra o primeiro bloco do show anunciando um intervalo de 20 minutos, durante os quais foram projetadas diversas frases no telão com teor político e humanitário (seguem algumas imagens no post). A expectativa de pessoas que, como eu, ouviram Pink Floyd a vida toda e tinham total compreensão dos assuntos abordados nos discos, era grande. A qualquer momento um nome ou uma hashtag apareceria. E apareceu. Na sequência da frase “RESISTA AO NEO-FASCISMO” apareceu uma tela com exemplos de neofascistas pelo mundo. Trump apareceu. Putin apareceu. Bolsonaro apareceu.

Nessa hora, a plateia explodiu com diferentes reações. Uns (eu inclusive) quase perderam a voz de tanto gritar a favor da crítica. Outros... ah, os outros... os outros que até aquele momento estavam IDOLATRANDO Roger Waters, passaram a desprezá-lo. Gritos de “ESSE VELHO GAGÁ NÃO SABE O QUE ELE TÁ FALANDO”, “VAI TOMAR NO CU SEU FILHO DA PUTA”, “EU VOU EMBORA DESSA MERDA”, “EU QUERO MEU DINHEIRO DE VOLTA”, “QUEM TE PERGUNTOU, SEU MERDA? ”.

Ué... mas você não era O maior fã de Pink Floyd até então? Você não ouviu TODOS os álbuns? Você não foi em 700 shows? Como que você não sabia que isso aconteceria? Você realmente achou que Roger NÃO se posicionaria?

“Ah, mas não é da conta dele o que acontece no Brasil. ”

Ué..., mas você não estava achando O MÁXIMO ele criticando o Trump até agora? Sendo tão fã de Pink Floyd assim você deve saber que a banda é inglesa e, portanto, o que ocorre nos EUA “também não é da conta dele”.

Vocês acham que parou por aí? Mas é claro que não. Houve um momento incrível em que o prisma da capa de Dark Side Of The Moon foi projetado na plateia. Em seguida, no telão, a imensa hashtag: #ELENÃO. Foram quase 5 minutos de gritos favoráveis misturados a vaias. Quando Waters finalmente conseguiu falar, lembrou a plateia de que ele sempre foi defensor dos Direitos Humanos (meu, o cara perdeu o avô na Primeira Guerra Mundial e o pai na Segunda, ALÔ!) e que, portando, jamais seria favorável a um discurso de exaltação de torturador. Nesse momento ele recebeu vaias. SIM, MEUS CAROS. AS PESSOAS VAIARAM A DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS NO SHOW DO ROGER WATERS. Em seguida, lembrou a plateia de que ele é fortemente a favor da democracia e que estamos passando por eleições importantes e que ele não gostaria de viver sob o governo de alguém que acha que a Ditadura Militar foi algo bom (nem eu, Roger... nem eu).

Após muitos e muitos e muitos gritos favoráveis, misturados a muitas e muitas e muitas vaias, Roger Waters começa a cantar Mother. E esse foi o momento em que eu entrei em crise.

Pessoas ao meu redor achavam que eu chorava copiosamente pela música. E, em partes, era mesmo. Mas eu estava chorando majoritariamente de medo. MEDO. Eu não me senti pessoalmente ameaçada por nenhum pró-Bolsonaro no show. Mas o que eu presenciei em meio a esse ESPETÁCULO INDESCRITÍVEL me apavorou. Porque eles querem acabar com a nossa democracia. Com a nossa liberdade. Eu chorava pela CERTEZA de que eu seria torturada numa ditadura, pela CERTEZA de que seria EU largada às traças no porão do DOPS. Porque ditadura não permite a existência de pessoas que se posicionam. E se vocês PELO MENOS me têm nas redes sociais, vocês sabem que se tem uma coisa que eu faço nessa vida é me posicionar. E isso jamais seria aceito. Eu chorava por saber das pessoas ao meu redor cujos rostos eu reconheceria sob os cortes, hematomas e edemas da tortura no porão do DOPS. Eu chorava porque eu não estou disposta a abrir mão dos meus direitos e da minha liberdade. Eu DEFINITIVAMENTE não estou disposta.

Esse show, portanto, foi o mais importante da minha vida. Porque ele me mostrou a cara da sociedade em que eu estou vivendo. E principalmente porque ele me mostrou que eu não estarei sozinha na luta. A metade do estádio que gritou “ELE NÃO” a plenos pulmões estará ao meu lado, além das 3 pessoas que me abraçaram quando as luzes se acenderam, porque me viram em prantos e entenderam imediatamente que as lágrimas não mostravam emoção, mas pavor. Uma moça cuja profissão eu não me lembro e dois moços, professores de escolas públicas. Eles me lembraram que mataram a Marielle, mas que o Rio de Janeiro elegeu TRÊS MARIELLES para o Congresso. Eles me lembraram que Marielle floresceu e que nós também floresceremos.

Finalizo esse texto com a certeza de que existe muita hipocrisia no eleitorado do Bolsonaro (o cara que mais berrou absurdos estava fumando maconha... nada de novo sob o sol da incoerência) e que existe muito, muito, muito ódio no coração do brasileiro. E esse ódio passa longe de ser pelo PT. É ódio de gente.

Hoje, mais do que nunca, eu grito: ELE NUNCA!

Autor desconhecido.

9.10.18


Desculpem os amigos, mas não é de um "machismo", de uma "homofobia" ou de um "racismo" do brasileiro. A imensa maioria dos eleitores do candidato do PSL não é machista, racista, homofóbica nem defende a tortura. A maioria deles nem mesmo é bolsonarista.

O Bolsonaro surgiu daqui mesmo, do campo das esquerdas. Surgiu da nossa incapacidade de fazer a necessária autocrítica. Surgiu da recusa em conversar com o outro lado. Surgiu da insistência na ação estratégica em detrimento da ação comunicativa, o que nos levou a demonizar, sem tentar compreender, os que pensam e sentem de modo diferente.

É, inclusive, o que estamos fazendo agora. O meu Facebook e o meu WhatsApp estão cheios de ataques aos "fascistas", àqueles que têm "mãos cheias de sangue", que são "machistas", "homofóbicos", "racistas". Só que o eleitor médio do Bolsonaro não é nada disso nem se identifica com essas pechas. As mulheres votaram mais no Bolsonaro do que no Haddad. Os negros votaram mais no Bolsonaro do que no Haddad. Uma quantidade enorme de gays votou no Bolsonaro.

Amigos, estamos errando o alvo. O problema não é o eleitor do Bolsonaro. Somos nós, do grande campo das esquerdas.

O eleitor não votou no Bolsonaro PORQUE ele disse coisas detestáveis. Ele votou no Bolsonaro APESAR disso.

O voto no Bolsonaro, não nos iludamos, não foi o voto na direita: foi o voto anti-esquerda, foi o voto anti-sistema, foi o voto anti-corrupção. Na cabeça de muita gente (aqui e nos EUA, nas últimas eleições), o sistema, a corrupção e a esquerda estão ligados. O voto deles aqui foi o mesmo voto que elegeu o Trump lá. E os pecados da esquerda lá são os pecados da esquerda aqui.

O Bolsonaro teve os votos que teve porque nós evitamos, a todo custo, olhar para os nossos erros e mudar a forma de fazer política. Ficamos presos a nomes intocáveis, mesmo quando demonstraram sua falibilidade. Adotamos o método mais podre de conquistar maioria no congresso e nas assembleias legislativas, por termos preferido o poder à virtude. Corrompemos a mídia com anúncios de empresas estatais até o ponto em que elas passaram a depender do Estado. E expulsamos, ou levamos ao ostracismo, todas as vozes críticas dentro da esquerda.

O que fizemos com o Cristóvão Buarque?
O que fizemos com o Gabeira?
O que fizemos com a Marina?
O que fizemos com o Hélio Bicudo?
O que fizemos com tantos outros menores do que eles?

Os que não concordavam com a nossa vaca sagrada, os que criticavam os métodos das cúpulas partidárias, foram calados ou tiveram que abandonar a esquerda para continuar tendo voz.

Enquanto isso, enganávamo-nos com os sucessos eleitorais, e nos tornamos um movimento da elite política. Perdemos a capacidade de nos comunicar com o povo, com as classes médias, com o cidadão que trabalha 10h por dia, e passamos a nos iludir com a crença na ideia de que toda mobilização popular deve ser estruturada de cima para baixo.

A própria decisão de lançar o Lula e o Haddad como candidatos mostra que não aprendemos nada com nossos erros - ou, o que é pior, que nem percebemos que estamos errando, e colocamos a culpa nos outros. Onde estão as convenções partidárias lindas dos anos 80? Onde estão as correntes e tendências lançando contra-pré-candidatos? Onde estão os debates internos? Quando foi que o partido passou a ter um dono?

Em suma: as esquerdas envelheceram, enriqueceram e se esqueceram de suas origens.

O que nos restou foi a criação de slogans que repetimos e repetimos até que passamos a acreditar neles. Só que esses slogans não pegam no povo, porque não correspondem ao que o povo vivencia. Não adianta chamar o eleitor do Bolsonaro de racista, quando esse eleitor é negro e decidiu que não vota nunca mais no PT. Não adianta falar que mulher não vota no Bolsonaro para a mulher que decidiu não votar no PT de jeito nenhum.

Não, amigos, o Brasil não tem 47% de machistas, homofóbicos e racistas. Nós chamarmos os eleitores do Bolsonaro disso tudo não vai resolver nada, porque o xingamento não vai pegar. O eleitor médio do cara não é nada disso. Ele só não quer mais que o país seja governado por um partido que tem um dono.

E não, não está havendo uma disputa entre barbárie e civilização. O bárbaro não disputa eleições. (Ah, o Hitler disputou etc. Você já leu o Mein Kampf? Eu já. Está tudo lá, já em 1925. Desculpe, amigo, mas piadas e frases imbecis NÃO SÃO o Mein Kampf. Onde está a sua capacidade hermenêutica?).

Está havendo uma onda Bolsonaro, mas poderia ser uma onda de qualquer outro candidato anti-PT. Eu suspeito que o Bolsonaro só surfa nessa onda sozinho porque é o mais antipetista de todos.

E a culpa dessa onda ter surgido é nossa, exclusivamente nossa. Não somente é nossa, como continuará sendo até que consigamos fazer uma verdadeira autocrítica e trazer de volta para nosso campo (e para os nossos partidos) uma prática verdadeiramente democrática, que é algo que perdemos há mais de vinte anos. Falamos tanto na defesa da democracia, mas não praticamos a democracia em nossa própria casa. Será que nós esquecemos o seu significado e transformamos também a democracia em um mero slogan político, em que o que é nosso é automaticamente democrático e o que é do outro é automaticamente fascista?

É hora de utilizar menos as vísceras e mais o cérebro, amigos. E slogans falam à bile, não à razão.

8.10.18


Você se pergunta como um candidato com tão poucas qualidades e com tantos defeitos pode conseguir o apoio quase que incondicional de grande parte da população?
Você já tentou argumentar racionalmente com os eleitores deles, mas parece que eles estão absolutamente decididos e te tratam imediatamente como inimigo no mais leve aceno de contrariedade?
Até sua tia, que sempre foi fofa com você, agora ataca seus posts sobre política no facebook?
Pois bem, vou contar uma história.
O principal nome dessa história é um sujeito chamado Steve Bannon. Bannon tinha uma visão de extrema direita nacionalista. Ele tinha um site no qual expressava seus pontos de vista que flertavam com o machismo, com a homofobia, com a xenofobia, etc. Porém, o site tinha pouca visibilidade e seu sonho era que suas ideias se espalhassem com mais força no mundo.
Para isso, Bannon contratou uma empresa chamada Cambridge Analytica. Essa empresa conseguiu dados do facebook de milhões de contas de perfis por todo mundo. Todo tipo de dado acumulado pelo facebook: curtidas, comentários, mensagens privadas. De posse desses dados e utilizando algoritmos, essa empresa poderia traçar perfis psicológicos detalhados dos indivíduos.
Tais perfis seriam então utilizados para verificar quais indivíduos estariam mais predispostos a receber as mensagens: aqueles com disposição de acreditar em teorias conspiratórias sobre o governo, por exemplo, ou que apresentavam algum sentimento de contrariedade difuso ao cenário político atual.
A estratégia seria fazer com que esse indivíduo suscetível a essas mensagens mudasse seu comportamento, se radicalizasse. Como as pessoas passaram a receber as notícias e a perceber o mundo principalmente através das redes sociais, não é difícil manipular essas informações. Se você pode controlar as informações a que uma pessoa tem acesso, você pode controlar a maneira com que ela percebe o mundo e, com isso, pode influenciar a maneira como se comporta e age.
Posts no facebook podem te fazer mais feliz ou triste, com raiva ou com medo. E os algoritmos sabem identificar as mudanças no seu comportamento pela análise dos padrões das suas postagens, curtidas, comentários.
Assim, indivíduos com perfis de direita e seu tradicional discurso “não gosto de impostos” foram radicalizados para perfis paranóicos em relação ao governo e a determinados grupos sociais. A manipulação poderia ser feita, por exemplo, através do medo: “o governo quer tirar suas armas”. Esse tipo de mensagem estimula um sentimento de impotência e de não ser capaz de se defender. Estimula também um sentimento de “somos nós contra eles”, o que fecha a pessoa para argumentos racionais.
Sites e blogs foram fabricados com notícias falsas para bombardear diretamente as pessoas influenciáveis a esse tipo de mensagem. Além disso, foi explorado também um sentimento anti-establishment, anti-mídia tradicional e anti “tudo isso que está aí”. Quando as pessoas recebiam várias notícias de forma direta, e não viam essas notícias repercutirem na grande mídia, chegavam à conclusão de que a grande mídia mente e esconde a verdade que eles tem.
Se antes a mídia tradicional podia manipular a população, a manipulação teria que ser feita abertamente, aos olhos de todos. Agora, todos temos telas privadas que nos mandam mensagens diretamente. Ninguém sabe que tipo de informação a pessoa do lado está recebendo ou quais mensagens estão construindo sua percepção de realidade.
Com esse poder nas mãos, Bannon conseguiu popularizar a alt right (movimento de extrema direita americana) entre os jovens, que resultou nos protestos “unite de right” no ano passado em Charlottesville, Virgínia que tiveram a participação de supremacistas brancos. Bannon trabalhou na campanha presidencial de Donald Trump e foi estrategista de seu governo. A Cambridge Analytica trabalhou também no referendo do Brexit, que foi vencido principalmente por argumentos originados de fakenews.
Quando a manipulação veio à tona, Mark Zuckerberg foi chamado ao senado americano para depor. Pra quem entendeu o que houve, ficou claro que a democracia da nação mais importante do mundo havia sido hackeada. Mas os congressistas pouco entendimento tinham de mídia social; e quem estaria disposto a admitir que a democracia pode ser hackeada através da manipulação dos indivíduos?
Zuckerberg estava apenas pensando em estabelecer um modelo de negócios lucrativo com a venda de anúncios direcionados. A coleta de dados e a avaliação de perfil psicológico das pessoas tinham a intenção “inocente” de fazer as pessoas clicarem em anúncios pagos. Era apenas um modelo de negócios. Mas esse mesmo instrumento pode ser usado com finalidade política.
Ele se deu conta disso e sabia que as eleições brasileiras podiam estar em risco também. Somos uma das maiores democracias do mundo. O facebook tomou medidas ativas para evitar que as campanhas de desinformação e manipulações ocorressem em sua rede social. Muitas contas fake e páginas que compartilhavam informações falsas foram retiradas do facebook no período que antecede as eleições.
Mas não contavam com a capilarização e a popularização dos grupos de whatsapp. Whatsapp é um aplicativo de mensagens diretas entre indivíduos; por isso, não pode ser monitorado externamente. Não há como regular as fakenews, portanto. Fazer um perfil fake no whatsapp também é bem mais fácil que em outras redes sociais e mais difícil de ser detectado.
Lembram do Steve Bannon, que sonhou com o retorno de uma extrema direita nacionalista forte mundialmente? Que tinha ideias que são classificadas como anti minorias, racistas e homofóbicas? E que usou um sentimento difuso anti “tudo que está aí”, e um medo de os homens se sentirem indefesos para conquistar adeptos?
Pois bem, ele se encontrou em agosto com Eduardo Bolsonaro. Bolsonaro disse que o Bannon apoiaria a campanha do seu pai com suporte e “dicas de internet”, essas coisas. Bannon é agora um “consultor eventual” da campanha. Era o candidato ideal pra ele, por compartilhava suas ideias, no cenário ideal: um país passando por uma grave crise econômica com a população desiludida com a sua classe política.
Logo depois de manifestações de mulheres nas ruas de todo o Brasil e do mundo contra Bolsonaro, o apoio do candidato subiu, entre o público feminino, de 18 para 24 por cento. Um aumento de 6 pontos depois de grande parte das mulheres se unir para demonstrar sua insatisfação com o candidato.
Isso acontece porque, de um lado, a grande mídia simplesmente ignorou as manifestações e, por outro, houve um ataque preciso às manifestações através dos grupos de whatsapp pró-Bolsonaro. Vídeos foram editados com cenas de outras manifestações, com mulheres mostrando os seios ou quebrando imagens sacras, mas utilizadas dessa vez para desmoralizar o movimento #elenão entre as mais conservadoras.
Além disso, Eduardo Bolsonaro veio a público logo após a manifestação e declarou: “As mulheres de direita são mais bonitas que as de esquerda. Elas não mostram os peitos e nem defecam nas ruas. As mulheres de direita têm mais higiene.” Essa declaração pode parece pueril ou simplesmente estúpida mas é feita sob medida para estimular um sentimento de repulsa para com o “outro lado”.
Isso não é nenhuma novidade. A máquina de propaganda do nazismo alemão associava os judeus a ratos. O discurso era que os judeus estavam infestando as cidades alemãs como os ratos. Esse é um discurso que associa o sentimento de repulsa e nojo a uma determinada população, o que faz com que o indivíduo queira se identificar com o lado “limpo” da história. Daí os 6 por cento das mulheres que passaram a se identificar com o Bolsonaro.
Agora é possível compreender porque é tão difícil usar argumentos racionais para dialogar com um eleitor do Bolsonaro? Agora você se dá conta do nível de manipulação emocional a que seus amigos e familiares estão expostos? Então a pergunta é: “o que fazer?”
Não adiante confrontá-los e acusá-los de massa de manobra. Isso só vai fazer com que eles se fechem e classifiquem você como um inimigo “do outro lado”. Ser chamado de manipulado pode ser interpretado como ser chamado de burro, o que só vai gerar uma troca de insultos improdutiva.
Tenha empatia. Essas pessoas não são tolas ou malvadas; elas estão tendo suas emoções manipuladas e estão submetidas a uma percepção da realidade bastante diferente da sua.
Tente trazê-las aos poucos para a razão. Não ofereça seus argumentos racionais logo de cara, eles não vão funcionar com essas pessoas. A única maneira de mudar seu pensamento é fazer com que tais pessoas percebam sozinhas que não há argumentos que fundamentem suas crenças e as notícias veiculadas de maneira falsa.
Isso só pode ser feito com uma grande dose de paciência e de escuta. Peça para que a pessoa defenda racionalmente suas decisões políticas. Esteja aberto para ouvi-la, mas continue sempre perguntando mais e mais, até ela perceber que chegou num ponto em que não tem argumentos para responder.
Pergunte, por exemplo: “Por que você decidiu por esse candidato? Por que você acha que ele vai mudar as coisas? Você acha que ele está preparado? Você conhece as propostas dele? Conhece o histórico dele como político? Quais realizações ele fez antes que você aprova?”
Em muitos casos, a pessoa tentará mudar o discurso para falar mal de um outro partido ou do movimento feminista. Tal estratégia é esperada porque eles foram programados para achar que isso representa “o outro lado”, os inimigos a combater.
Nesse caso, o caminho continua o mesmo: tentar trazer a pessoa para sua própria razão: “Por que você acha que esse partido é tão ruim assim? Sua vida melhorou ou piorou quando esse partido estava no poder? Como você conhece o movimento feminista? Você já participou de alguma reunião feminista ou conhece alguém envolvido nessa luta?”
Se perceber que a pessoa não está pronta para debater, simplesmente retire-se da discussão. Não agrida ou nem ofenda, comportamento que radicalizaria o pensamento de “somos nós contra eles”. Tenha em mente que os discursos que essa pessoa acredita foram incutidos nela de maneira que houvesse uma verdadeira identificação emocional, se tornando uma espécie de segunda identidade. Não é de uma hora pra outra que se muda algo assim.
Duas das mais importantes democracias do mundo já foram hackeadas utilizando tais técnicas de manipulação. O alvo atual é o nosso país, com uma das mais importantes democracias do mundo. Não vamos deixar que essas forças nos joguem uns contra os outros, rasgando nosso tecido social de uma maneira irrecuperável.
P.S.: Por favor, pesquise extensamente sobre todo e qualquer assunto que expus aqui, e sobre o qual você esteja em dúvida. Não sou de nenhum partido. Sou filósofo e, como filósofo, me interesso pela verdade, pela ética e pelo verdadeiro debate de ideias.

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