13.5.16

Renovar a política para manter as lutas sociais.

Com o desfecho do golpe, disfarçado de impeachment, pela maioria dos deputados e senadores do país, o PT amarga uma das piores situações  destes 35 anos de existência. O presidencialismo de coalizão se mostra esgotado e a governabilidade em meio ao fisiologismo no meio político-partidário do Brasil já apresentava rumos diferentes do que a direção seguia. Diversos intelectuais, cientistas políticos, militantes e lideranças  dos movimentos sociais já alertavam que uma hora essa bomba relógio explodiria. E foi o que aconteceu.
As tramas da direita, somada e orientada com os barões da mídia e de setores conservadores representados pela bancada evangélica, dos latifundiários e empresários ligados ao setor especulativo, assim como os partidos com diversos parlamentares envolvidos em esquemas de corrupção que assolam o país há muitas décadas, aproveitou-se das fragilidades criadas pela burocratização dos dirigentes da esquerda e  êxito desde a reeleição de Dilma, que enfrentou dificuldades desde que foi reconduzida à presidência, após uma campanha dura e difícil, na qual a sociedade civil foi imprescindível para reelegê-la e logo em seguida teve a decepção de ver o Ministério da Economia ser conduzido por Levy, um conservador neoliberal.
As centrais sindicais ligadas aos partidos de esquerda passaram então a criticar o governo Dilma de forma contundente e somando-se às demais organizaes sindicais e sociais, já em linha de tiro contra o planalto, ajudaram a desgastar a imagem da presidente perante a classe trabalhadora e camadas populares.
A imprensa noticiava com entusiamo as manifestaes de sindicalistas pró-governo, que defendiam a manuteno do governo, mas criticavam as medidas econômicas e as reformas propostas pela equipe de Dilma. Lula chegou pedir durante o Congresso Nacional da CUT, que entidade apoiasse Dilma, mas mesmo aplaudido, os sindicalistas pediam mudanas a diretriz que no surgiram. 
Com o acirramento das denúncias e ofensivas da operação Lava Jato contra figuras públicas do PT, a unidade entre as grandes entidades dos movimentos sociais ligados ao PT e o PCdoB juntaram-se naquela que agora coordena as atividades de resistência contra o golpe é democracia no Brasil, a Frente Brasil Popular que reúne o MST, UNE, PCdoB, PT, Levante da Juventude, Marcha das Mulheres, CUT, CTB entre outras entidades nacionais que ocuparam as ruas nos últimos meses, em defesa da democracia e do mandato da presidente eleita e reeleita de forma legítima.
Foi tarde. A reação dos grandes movimentos sociais não se deu no tempo certo e a aliança com o governo não foi estratégica e sim tática, meramente para contrapor o golpe. Eis aí um dos erros fatais que levaram a queda de Dilma. A juventude e setores progressistas não saíram ás ruas para a defesa da manutenção democrática e a sociedade dividiu-se nas ruas de algumas capitais do país, uns a favor do impeachment e outros contra.
O distanciamento do PT de sua base social e o isolamento dos que criticavam as medidas impopulares e a burocratização  da cúpula sindical e partidária, trouxe o aprofundamento da crise interna, na qual muitas das principais cabeças pensantes do partido resolveram se afastar do núcleo dirigente e este como hipnotizado pela mera manutenção no poder federal, ignorou os riscos de investir na partilha de cargos em troca de uma governabilidade frágil e submissa aos interesses que no eram da população que elegeu e reelegeu o governo de Lula e Dilma por quatro vezes consecutivas.

Por Diógenes Brandão, autor do blog AS FALAS DA PÓLIS.

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