10.4.16

CARTA ABERTA “Justiça e paz se abraçarão” (Salmo 85,11).

Nós, religiosos agostinianos do Vicariato Nossa Senhora da Consolação do Brasil ,–Ordem de Santo Agostinho, com sede em Belo Horizonte, como seguidores de Jesus de Nazaré, no caminho espiritual de Santo Agostinho que, no livro “A Cidade de Deus”, refletiu sobre os acontecimentos políticos de seu tempo à luz da fé, queremos demonstrar nossa  apreensão, preocupações e esperanças diante da situação sócio-política  que atravessa nosso país.
Nossa apreensão fundamenta-se na dificuldade de compreender como as conquistas alcançadas na sociedade brasileira nos últimos anos  não são consideradas ou até menosprezadas no momento atual. Entre as conquistas podem-se destacar: o avanço do processo democrático, a diminuição do índice de pobreza, o crescimento econômico no grupo de países emergentes, os avanços nas questões de gênero, na educação, na moradia, entre outras.
As manifestações de ódio, violência e intolerância que setores  da sociedade brasileira e a maioria dos meios de comunicação tem insuflado na população, não podem  ser aceitas, sob o risco de prejudicar as conquistas  e provocar a desestabilização do país.
Esse quadro justifica  nossas preocupações . Não se pode aceitar a “partidarização da justiça”, a “judicialização da política” e “a espetacularização das ações judiciais”.
Combater a corrupção é um imperativo ético. A corrupção destrói a vida das nações e de qualquer agrupamento humano. Mas não é isso o que ocorre no país neste momento. O que temos visto é o combate  de forma seletiva, destacando apenas  a corrupção de um determinado grupo. Nós queremos que o combate seja equânime, que alcance a corrupção em todos os níveis e de todos os grupos.
Ninguém está por cima da Constituição, se ela for desrespeitada corremos o risco de voltar aos tempos totalitários da ditadura. Nenhum dos poderes pode desrespeitá-la . Se  o  Judiciário, o Executivo ou  o Legislativo o fizerem é o fim do Estado de Direito.
Apesar dessa preocupante situação, com esperança queremos seguir acreditando e apoiando as conquistas democráticas feitas, e as que deverão ser realizadas nas áreas: agrária, tributária, política e sanitária.
Iluminados pela fé e pela esperança ativa e solidária  pensamos que é preciso   seguir sendo sementeira de um “mundo onde caibam todos” e um “mundo de muitos mundos, onde justiça e paz se abraçarão.
Ao Deus da Vida de todos e de tudo, que toma partido a favor dos mais vulneráveis e perseguidos, pertence a vitória Pascal. Seja Ele nosso guia.
 
​​​​Belo Horizonte 10 de abril de 2016

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