31.10.15

A REALIDADE SOCIOPOLÍTICA BRASILEIRA.

DIFICULDADES E OPORTUNIDADES

O Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, reunido em Brasília de 27 a 29 de outubro de 2015, comprometido com a vivência democrática e com os valores humanos, consciente de que é dever da Igreja cooperar com a sociedade para a construção do bem comum, manifesta-se acerca do momento de crise na atual conjuntura social e política brasileira.

A permanência e o agravamento da crise política e econômica, que toma conta do Brasil, parecem indicar a incapacidade das instituições republicanas que não encontram um modo de superar o conflito de interesses que sufoca a vida nacional, e que faz parecer que todas as atividades do país estão paralisadas e sem rumo. A frustração presente e a incerteza no futuro somam-se à desconfiança nas autoridades e à propaganda derrotista, gerando um pessimismo contaminador, porém, equivocado, de que o Brasil está num beco sem saída. Não nos deixaremos tomar pela “sensação de derrota que nos transforma em pessimistas lamurientos e desencantados com cara de vinagre” (Papa Francisco – Alegria do Evangelho, 85).

Somos todos convocados a assegurar a governabilidade que implica o funcionamento adequado dos três poderes, distintos, mas harmônicos; recuperar o crescimento sustentável; diminuir as desigualdades; exigir profundas transformações na saúde e na educação; ampliar a infraestrutura, cuidar das populações mais vulneráveis, que são as primeiras a sofrer com os desmandos e intransigências dos que deveriam dar o exemplo. Cada protagonista terá que ceder em prol da construção do bem comum, sem o que nada se obterá.

É preciso garantir o aprofundamento das conquistas sociais com vistas à construção de uma sociedade justa e igualitária. Cabe à sociedade civil exigir que os governantes do executivo, legislativo e judiciário recusem terminantemente mecanismos políticos que, disfarçados de solução, aprofundam a exclusão social e alimentam a violência, entre os quais o estado penal seletivo, as tentativas de redução da maioridade penal, a flexibilização ou revogação do Estatuto do Desarmamento e a transferência da demarcação de terras indígenas para o Congresso Nacional. No genuíno enfrentamento das atuais dificuldades pelas quais passa o país, não se pode abrir espaço para medidas que, de maneira oportunista, se apresentam como soluções fáceis para questões sabidamente graves e que exigem reflexão e discussão mais profundas com a sociedade.

A superação da crise passa pela recusa sistemática de toda e qualquer corrupção, pelo incremento do desenvolvimento sustentável e pelo diálogo que resulte num compromisso comum entre os responsáveis pela administração dos poderes do Estado e a sociedade. O Congresso Nacional e os partidos políticos têm o dever ético e moral de favorecer a busca de caminhos que recoloquem o país na normalidade. É inadmissível alimentar a crise econômica com uma crise política irresponsável e inconsequente.

Recorde-se que “uma sociedade política dura no tempo quando, como uma vocação, se esforça por satisfazer as carências comuns, estimulando o crescimento de todos os seus membros, especialmente aqueles que estão em situação de maior vulnerabilidade ou risco. A atividade legislativa baseia-se sempre no cuidado das pessoas” (Papa Francisco ao Congresso dos EUA). Nesse sentido, com o espírito profético inspirado na observância do Evangelho, a CNBB reitera que o povo brasileiro, os trabalhadores e, principalmente, os mais pobres não podem ser prejudicados em nome de um crescimento desigual que reserva benefícios a poucos e estende a muitos o desemprego, o empobrecimento e a exclusão.

A construção de pontes que favoreçam o diálogo entre todos os segmentos que legitimamente representam a sociedade é condição fundamental para a superação dos discursos de ódio, vingança, punição e rotulação seletivas que geram um clima de permanente animosidade e conflito entre cidadãos e grupos sociais. Esse clima belicoso, às vezes alimentado por parte da imprensa e das redes sociais, poderá contaminar ainda mais os corações e mentes das pessoas, aprofundando abismos e guetos que, historicamente, maculam nossa organização social. Ao aproximar-se o período eleitoral de 2016, é responsabilidade de todos os atores políticos e sociais, comprometidos com a ética, a justiça e a paz, aperfeiçoarem o ambiente democrático para que as eleições não sejam contagiadas pelos discursos segregacionistas que ratificam preconceitos e colocam em xeque a ampliação da cidadania em nosso país.

A corrupção se tornou uma “praga da sociedade” e um “pecado grave que brada aos céus” (Papa Francisco - O rosto da misericórdia, n.19). Acometendo tanto instituições públicas, quanto da iniciativa privada, esse mal demanda uma atitude forte e decidida de combate aos mecanismos que contribuem para sua existência. Nesse sentido, destaca-se a atuação sem precedentes dos órgãos públicos aos quais compete combater a corrupção. A contraposição eficaz à corrupção e à sua impunidade exige, antes de mais nada, que o Estado cumpra com rigor e imparcialidade a sua função de punir igualmente tanto os corruptos como os corruptores, de acordo com os ditames da lei e as exigências de justiça.

Deus nos dê a força e a sabedoria de seu Espírito, a fim de que vivamos nosso ideal de construtores do bem comum, base da nova sociedade que almejamos para nós e para as futuras gerações.

Brasília, 28 de outubro de 2015.


Dom Sergio da Rocha

Arcebispo de Brasília-DF

Presidente da CNBB


Dom Murilo S. R. Krieger

Arcebispo de São Salvador da Bahia- BA

Vice-presidente da CNBB

Dom Leonardo Ulrich Steiner

Bispo Auxiliar de Brasília-DF

Secretário Geral da CNBB

30.10.15

Um pouco sobre Jacques Rousseau.

A maioria das biografias de Jean-Jacques Rousseau nunca deixam de lembrar que o grande filósofo suíço, antes de tornar-se conhecido pelas suas ideias revolucionárias, viveu experiências pessoais intrigantes que, de certa forma, explicam sua genialidade e o enorme vácuo existente entre seu pensamento e a ordem social do seu tempo. Rousseau nunca se adaptou ao mundo restrito dos burgos do século XVIII, ainda cercado por muros e regras medievais. Gostava da vida natural, dos bosques e sempre tinha problemas quando retornava ao convívio da urbis. Era nessas fugas que saneava suas tormentas íntimas e encontrava paz de espírito para desenhar suas utopias. Numa delas Rousseau decide vagar pelo velho continente, como já fizera inúmeras vezes, desde a juventude, e cumprir sua conhecida missão e propósito de clarificação das mentes. Antes, desfaz a família, instável e incerta, põe os filhos num orfanato e parte para mundo. Angustiado pelos erros e remorsos, caminha sem rumo definido numa pequena estrada entre Paris e um vilarejo dos seus arredores. A paisagem silenciosa e bucólica convidam-no ao descanso. Dorme sob a sombra de uma árvore e ali permanece durante alguns minutos até cair em sono profundo, como tivesse sido arrebatado para um universo desconhecido. Não era a primeira vez. Quando desperta, Rousseau já não é mais o mesmo. Sua fisionomia não lembra mais o jovem rebelde que fugia do burgo e era repreendido pelo mestre ao deparar-se com a portas trancadas. Era agora o adulto ciente das causas e efeitos das suas ações. De repente é tomado por uma emoção muito forte que oprime seu peito e alguns segundo depois explode em lágrimas. Também não era a primeira vez que isso ocorria. Rousseau chora como se fosse uma criança que se despede dos pais e de casa para nunca mais voltar. O rápido sono havia matado o jovem Rousseau e despertado nele o homem que iria subverter a ordem do mundo, pela convicção profunda da liberdade e do desimpedimento. A partir daquele instante o mundo também nunca mais seria o mesmo. O sono e as lágrimas do filósofo sob a árvore havia provocado um parto de ideias que mudariam definitivamente a ideia do que é ser humano e do conviver em sociedade. As lágrimas e sua libertação pessoal seriam também o alto preço pago pela autonomia do Homem e a futura auto-determinação dos povos e nações que hoje desfrutamos. Era o advento da luz sobre as trevas, mais uma vez, não como uma revelação místico-religiosa, mas como consciência e consequência política irreversíveis. Com Rousseau, a experiência grega e romana de cidadania, bem como a ideia da predestinação judaico-cristã, adquirem dimensões mais amplas. Nasce ali, com maior propriedade filosófica a ideia o direito de ser livre, naturalmente livre, sem o lastro das culturas, da dependência pessoal ou obrigação dogmática. Os adultos agora deveriam ser livres, como é livre o espírito da criança, e nunca deveriam se submeter ao medo que os fracos sempre tiveram diante dos fortes. Ali havia sido descoberta e anunciada uma outra força, ou melhor ainda: um outro de tipo de força, a força da liberdade. Rousseau acordou, chorou e ressurgiu em si sob a árvore da Natureza. Desde aquela tarde, de três séculos atrás, o mundo se tornou Rousseau. E todos nós continuamos a ser a imagem e a semelhança intelectual desse filósofo, até que surja um novo tempo, até que nasça um outro Rousseau.

Texto de Marilena Chaui sobre Roousseau.

29.10.15

Rui visita obras do Palace Hotel, na Rua Chile, nesta quinta-feira

A parceria envolvendo o poder público e a iniciativa privada já está produzindo os primeiros resultados em um dos mais importantes cartões postais de Salvador. A revitalização e requalificação do Centro Histórico, por meio do Governo da Bahia, estão despertando o interesse dos empresários interessados em investir na região. Uma das primeiras iniciativas de grande porte nesta área consiste na reforma do antigo Palace Hotel, localizado na Rua Chile, adquirido pelo grupo Fera Empreendimentos para a construção de um hotel de luxo. 

Para conferir as obras em andamento, iniciadas em setembro passado, o governador Rui Costa faz uma visita ao canteiro de obras nesta quinta-feira (29), às 8h30, na Rua Chile, a convite do empreendimento. A visita da imprensa às obras estará limitada ao 5º andar, tendo em vista a complexidade de restauração do prédio e atendendo às medidas de segurança recomendadas pelo engenheiro responsável pela obra.