31.10.08


Acaba de começar a semana já é segunda-feira, são 09h34m da manhã e ela me fala que no próximo sábado vai haver uma festa no clube da cidade. Perceba que serão sete dias o que separa o primeiro contato entre duas pessoas que se amam da data do tal evento. Porque eu falo isto? Porque você perceberá ao longo desta narrativa a tortura que é esperar esta extensa semana enquanto meu amor se prepara para mostrar para todos a nova dança que aprendeu com as amigas no salão.
À noite ao chegar a casa dela sorrindo de felicidades, pois irei encontrar o meu amor novamente. Ela abre a porta e me dá um beijo carinhoso. Apaixonado como sempre digo. – Eu te amo! Todas as vezes que falo isto para ela é a mais pura verdade. Mas a sensibilidade feminina que todos nós conhecemos nas mulheres, aparece nas belas palavras que vem daquela boca maravilhosa.
– Tá lembrado da festa? Não vá dá pra trás agora! Já marquei com minhas amigas e todas vão estar lá!
Ai você olha com cara de quem não pode dar uma resposta à altura da provocação. Sim provocação. Ou você pensa que a vontade não a de dar as costas e ir para casa descontar aquele sono perdido no final de semana que passou?
Terça-feira no trabalho alguém grita.
– Telefone pra você?
E eu pergunto. – Quem é?
O sorriso no rosto do colega de trabalho denuncia quem está do outro lado da linha telefônica. Desloco-me até a mesa onde está o aparelho e ao passar no meio da sala todos me olham com aquele ar de “ta lascado”. Naquele momento você não consegue entende a reação das pessoas, isto só vai acontecer quando toda está história acabar. Se é que acaba. Ao atender o chamado do meu amor me derreto todo em carinho. Você sabe quem ama perde a consciência do que acontece ao seu redor.
– Oi amor, você está bem? Estou com saudades de você, podemos almoçar juntos hoje?
A resposta vem logo em seguida, mostrando que eu sou correspondido.
- Claro meu amor! E ela emenda outra frase, mas bem poderia não ter feito. - Amor. Que lindo a voz dela me chamando de amor. – Que roupa você acha que devo usar para irmos à festa?
O que? Lá vem ela novamente com o mesmo assunto. A Festa!
– Querida você pode usar qualquer coisa que mesmo assim ficara linda como sempre. Não fique preocupada com isto eu gosto de você do jeito que você é. É besteira querer me agradar. Você já sabe que gosto do seu jeitinho simples de ser.
Melhor seria não ter dito isto.
– Mas é que minhas amigas vão comprar uma roupa nova só para ir ao baile e eu não tenho uma roupa que sirva para mim. Todas elas vão estar lindas e eu? Eu vou com aquela que fui ao baile passado? O que vão dizer de mim? Que só tenho esta roupa!
O primeiro som de choro ecoa pela linha telefônica. Sem graça, pois todos os colegas de trabalho já tinham parado os seus afazeres e estavam me olhando com aquela cara de espanto. Viro meu rosto para a parede, tentando diminuir o som da minha voz para que as pessoas não ouvissem o que eu falava.
– Não chore amor, quando eu sair daqui nós vamos almoçar e depois se houver tempo, ainda hoje, passamos em uma loja e eu te compro um vestido novo. Nesta hora não sei se a palavra “compro” serviu como remédio, o certo é que do outro lado da linha já não havia mais ninguém a chorar e só ouço uma voz carinhosa me fazendo juras de amor. Acho que foi nesta hora que me senti mais amado ainda e o meu amor por ela ficou muito maior.
Na quarta-feira marquei de me encontrar com ela. O vestido que adquirimos no dia anterior precisava de uns ajustes. O corpo da minha amada é lindo, posso dizer a você que ele é perfeito. Lá estava ela me esperando. O amor é belo. Ao me ver, ela vem correndo com seus braços abertos e me dá um grande e forte abraço. Tentei me lembrar de um outro que ela tenha dado e não lembro de um tão bom assim. Não adianta insistir, não lembro. Ouço vozes ao redor. E estas eu conheço, são as amigas dela que também vieram para dar palpite no vestido. Não vou me alongar aqui, pois a noite estive na casa dela e ao ser recebido você já deve ter percebido qual foi à frase que ouvi. Não lembra? Lembra sim. Não insista para que eu repita. Tá bom!
– Estou nervosa, acho que esse baile vai ser o Máximo. Ham? Você queria o que? Que eu repetisse a mesma frase? Não ia ter graça!
Chegou à quinta-feira. Pelo jeito chega o domingo e parece que este sábado não vem. Ela acabou de me ligar falando que a costureira tinha errado algo no figurino do vestido. Fiquei pensando no que eu poderia ajudar e não cheguei a nenhuma conclusão. Trabalho com eventos e não lembro ter feito qualquer curso de alfaiate ou de estilista para dar minha opinião abalizada neste vestido. Mas, lá vou eu ao encontro da minha amada. Avistei-a na entrada da loja onde tínhamos deixado o vestido. Parecia-me bem eu não imagina que o mundo estava para acabar naquele momento. De longe me parecia bem. Mas ao me ver chegando ela caiu em prantos. Tá achando engraçado? Não? Imagine eu naquela situação em plena quinta-feira às 02h da tarde e em plena rua com alguém a chorar desesperadamente como se algo de perverso lhe tivesse acontecido.
– O que está acontecendo meu amor?
Eu sempre com carinho para dar a ela.
- O meu vestido. A costureira acabou com ele.
Pensei comigo “a mulher deve ter cortado o dito cujo e jogado a nossa ida a festa no lixo”. Comecei a gostar dessa costureira.
– Me fala o que realmente aconteceu com o vestido!
O meu tom de voz quase denuncia os meus pensamentos. Com seus olhos cheios de lagrimas e soluçando, meu amor continua a falar.
– Aqui do lado esquerdo. Ela deixou maior que o lado direito e agora vai ter que fazer tudo novamente.
Pensei e deveria só ter pensado e não falado.
– Mas foi só isto... Mal terminei o que queria dizer e ela.
– Você também está torcendo contra. Quer que nada dê certo que é para não irmos à festa. Já tinha percebido que era isto mesmo que você queria. Qual é o jogo que vai ter no sábado? Quer sair com os amigos? O que está acontecendo? Quem é a outra?
Nesta hora, nesta hora é melhor pensar duas vezes antes de falar o que realmente vem à cabeça. É nesta hora que você tem que medir o tamanho do seu amor por aquela pessoa linda e maravilhosa que você conheceu já faz oito anos. Pego Ela braço e vou ao encontro da costureira e pergunto se tem jeito o vestido. A mulher acaba de me informar que o que aconteceu foi que uma costura teria feito uma costura fora do lugar e que enquanto estávamos na frente da loja ela própria já teria concertado o erro da outra. Mais uma vez o sorriso volta aquele rosto lindo. Vejo o vestido pela primeira vez no corpo de quem eu amo. Perfeito. Ela vai chamar muito atenção na festa. Perai! Então se ela vai chamar a atenção de todos isto inclui os marmanjos! Tem algo errado nisto tudo, estou enfeito presente pra vagabundo! Comecei a mudar de opinião quanto a ir à festa.
Chegou à sexta-feira. Já estou com nervoso com essa bendita ocasião que não chega. Foi o único assunto entre eu e meu amor durante toda a semana. Falei para todos do trabalho que hoje não atendo telefone. Desliguei o celular. Tenho que produzir ou vou ser demitido da empresa. À noite vou cedo para casa e caio na cama. Amanhã é o dia da festa e nada pode dar errado. Ela estando feliz eu estarei feliz.
08h da manhã do sábado e já tem alguém batendo na minha porta. Ouço uma voz feminina. É o meu amor. Acordar esta hora com minha linda é maravilhoso. Ganhei o dia. Quando abro a porta recebo um beijo. O amor é lindo.
– Passei por aqui para lhe lembrar que você deve passar em casa às 21h. Vou estar pronta te esperando. Acorda pra vida meu amor. Que palavras maravilhosas para serem ouvidas numa manhã de sábado e ainda com sono. Tenho a impressão que este dia vai ser longo. São 13h e já com o celular ligado e carregado que é para nada sair nada errado, recebo uma ligação dela.
– Amor ta lembrado da hora? Respondo que sim.
– As meninas estão perguntando se dá pra passarmos na casa delas para irmos juntos a festa? Paro uns segundos e...
– Sim meu amor. Faremos como você quiser. 19h e mais uma ligação. Já estou com os nervos à flor da pele. – Amor que horas você vem mesmo?
– Na hora que você pediu! E ela emenda. - Que horas mesmo? Acho que ela ta querendo me testar para saber se eu me lembro do combinado. Nesta ela não vai me pegar. – Às 21h querida. E ela.
– Ainda bem que não esqueceu! Ufa! 20h30m e agora quem faz uma ligação sou eu.
– Amor eu já estou saindo daqui, você está pronta?
– Não querido, passe antes na casa das meninas e depois você vem me buscar. Assim quando você chegar eu vou estar prontinha para irmos a festa. Percebi que nesta festa vou ser só um acessório e não estou gostando disso. Passei na casa das amigas e nenhuma das três estava pronta ainda. Como não tinha aonde ir fui à casa do meu amor como combinado durante toda a semana. Ao chegar toquei a campainha e quem vem me receber? Ela, meu amor... Que ainda nem banho tomou, nada de cabelo pronto, nada de estar vestida com aquele bendito vestido que me deu uma tremenda dor de cabeça durante toda a semana. Com a voz em tom de desaprovação. Isto mesmo imagine ai um tom ríspido, dos que você faz quando perde a paciência com o seu amor. Foi desta forma que me dirigi a ela.
– O que aconteceu que você ainda não está pronta? E ela.
– Você chegou cedo demais!
– Eu o que? Nesta hora, novamente, o melhor que você deve fazer é pensar naquele livro de auto ajuda vendido no camelô por R$ 1,99 e que você tem na cabeceira da sua cama e lê todas as manhãs antes de sair para o trabalho. Ele agora lhe será de grande ajuda. Não perca a cabeça, afinal em sua frente está à mulher que você quer para toda a sua vida. Ou que vai fuder a sua vida.

18.10.08


Ela não me entende e não vou perder meus dias tentando convencê-la de que não sou um cara que vive andando atrás de outra.
– Eu disse outra? Melhor outras!
Já tinham decorrido 15 dias que nós tivemos a ultima briga por causa de ciúmes dela. Revoltei-me naquele momento e entrei em greve. Acho até que foi ela quem começou. Peguei meu lençol e desci as escadas, fui me acomodar no meu velho e amigo sofá. Ali eu e ele nos tornamos inseparáveis naqueles dias. Sua cor amarela ouro, seu encosto de braço, cada lugar daquele amigão de todas as horas eu já conhecia. Sabia onde podia ou não ringir sua madeira.
Mas depois de tantos dias sem ter contato com minha esposa eu já estava subindo pelas paredes, agredindo o vento literalmente. Ela lá no seu canto impassível, irredutível na sua decisão de castigar seu homem. Passava por mim e o Maximo que conseguia dela era um “oi”. Durante este longo período, por varias vezes tentei me chegar a ela, mas fui repelido. Se existe uma coisa que elas sabem fazer é nos maltratar. A primeira coisa que fazem é abstinência sexual. Nós pobres mortais ávidos para dar amor a nossas companheiras sofremos com isto.
Mas como todo ser humano eu que não sou a fina flor da fidelidade encontrei uma garota que a muito já vinha de olho. Juntando a fome com a vontade de comer parti para o ataque feito Denner à época em que jogava no Vasco da Gama. Aquela menina linda e maravilhosa tinha só dezenove aninhos. O que eu poderia querer mais em uma hora dessas de desespero? Convidei-a para sair e qual não foi a minha surpresa a danada aceitou. Combinamos que no dia seguinte, isto era uma terça-feira, nos encontraríamos às 18h em frente ao Bar Visual que fica no centro da cidade.
Na tarde daquele dia eu já estava nervoso e ansioso por tirar aquele peso da consciência. Já não agüentava tantos dias parados sem fazer exercício na horizontal. Encontrei dois velhos amigos de infância, da época da Praça Libanesa, um deles ao saber o que eu estava passando me receitou algo que ele me garantiu que era infalível e eu, com medo de na hora do crime não conseguir ficar de pé, aceitei a solução. Imagine eu com meus quarenta anos de muita luta está agora frente a frente com aquela morena bela de cabelos longos e ondulados, cheirando como uma flor. Nada poderia dar errado naquele momento.
Fui até a farmácia e como quem não queria nada e meio envergonhado com a situação esperei que as duas pessoas que estavam sendo atendidas saíssem.
- Boa tarde?
Perguntei eu sem jeito!
-Boa!
Respondeu o atendente sem levantar a cabeça. Ele estava colocando o dinheiro na maquina registradora.
- Amigo...
Tentei mostrar intimidade para que a situação fosse menos humilhante naquele momento.
- Pois não. O que o senhor deseja mesmo?
Estava dada a oportunidade para que eu pudesse fazer a pergunta.
- O senhor tem...
Minha voz engasgou naquela hora. Porque eu teria que passar por isto nesta fase da idade?
- Pois não. Qual o remédio que o senhor deseja mesmo?
Lá estava ele me torturando novamente com aquela pergunta.
Com a cara de quem estava olhando para as prateleiras da farmácia. Parecia mais um farmacêutico naquela hora. Uma cena desconfortante para mim.
- Acho que não tem o que eu quero!
Ao pronunciar estas palavras fui me retirando e quando já ia chegando a porta de saída ouvi outra pergunta.
- Senhor nós não temos o Viagra, mas temos o Promil e o seu efeito é mais forte que o outro.
Pronto lá estava eu com as pernas bambas de vergonha.
- Não se preocupe é comum as pessoas virem aqui e não saberem como pedir este tipo de medicamento. O que estou lhe mostrando tem o efeito duas vezes superior ao da marca mais famosa.
- Verdade?
Lá estava eu com minha cara lisa e com um sorriso no rosto.
- Então me dê dois desse ai, quero um pra mim e outro para minha esposa. Ela que quer testar, soube por uma amiga que os dois tomando a coisa melhoram.
Nunca entendi o porquê de eu ter mentido naquele momento. Saí direto para o carro, pois já eram 16h40minutos. Passei antes no caixa eletrônico para retirar uma grana para o pagamento do motel. Entrei em uma bodega que fica ao lado e pedi um pouco de água. Se um desses valera por dois do outro, dois desses equivalem a quatro. Tomei os dois. Ai foi o meu segundo erro do dia. O primeiro? Foi ter comprado esses miseráveis de comprimidos.
Já são 18h10minutos e nada dela aparecer. Deve ter se atrasado um pouco e a coisa ta começando a fazer efeito.
19h e nada daquela bela morena aparecer. O pior não peguei o número do celular dela para poder ligar caso houvesse um pequeno atraso.
Não consigo mais ficar parado! 21h32minutos e aquela miserável desapareceu e não me deu nenhuma satisfação do que tenha acontecido. Meu corpo está pegando fogo, minhas veias alteradas parece que vão explodir e meu corpo suando feito um condenado a morte. Estou lascado da vida. Sem falar que com a mulher já faz quinze dias e sem realizar meus desejos mais humanos, estou literalmente FUDIDO!
Já sem esperança nenhuma de que algo pudesse acontecer decidi ir embora, mas antes passei pelo centro da cidade na tentativa de que pudesse encontrar a sacana ou na pior das hipóteses outra que pudesse me aliviar desta situação filha da puta. Nada... Quanto mais eu pensava naquela situação mais minha moral ficava dura. O tempo passando e eu sem saber como resolver aquela situação em que eu me meti. Mas quem me mandou ouvir a opinião de outras pessoas. Com a situação já a beira da insustemtabilidade, aumentei a velocidade do corro em direção aminha casa. Fui entrando como um louco pela sala, Vazia? Não acredito no que está me acontecendo. Subi dois degraus da escada e parei. Se eu for lá a mulher não vai querer falar comigo. O banheiro foi à solução desta situação humilhante em que me meti. Agredi o azulejo de forma incontável. Quase ouvi uma voz dizendo “de novo não”. Ufa... Joguei água gelada no corpo para poder aliviar aquela dor descomunal. Acho que agora passa!
02h da manhã e eu me acordo com o moral alto e firme que nem um poste. A impaciência está tomando conta de mim. O jeito é apelar para a minha querida esposa. Dessa vez subi a escada que lava ao primeiro andar como se fosse um gato, não fiz barulho e correndo para o abraço de minha querida, amada, estimada... É sim, naquele momento eu não me lembrava mais das brigas que ocorreram antes e tinha a certeza de que se houve alguma ela estava certa. Cheguei de mansinho para não assustar a minha querida. Dei uns beijinhos no pescoço dela e vi que seu rosto sorriu. Fui deitando devagar ao seu lado e empurrando seu corpo com o meu. Foi beijo pra todo o lado, carinho demasiado e ela linda me recebeu como uma Vênus que surge das espumas do mar que jorra do meu amor.
- Já estava com saúdes de você querido!
Aquelas palavras eram como músicas em meus ouvidos e pode ter certeza não era pagode porque isto não é música é no Maximo um barulho ritmado.
Caí em um sono profundo e muito feliz por estar livre daquela tensão que estava me acompanhado.
O dia já estava clareando a janela quando novamente eu acordei de Pinto duro. Remédio miserável este que tomei e fui logo usar os dois que valem quatro e que me deixaram nesta situação da zorra. Não tem outro jeito, vou ter que partir novamente para a frente de batalha e conquistar meu espaço nesta luta.
Aquela coisa mais linda do mundo ao meu lado na cama e eu sofrendo.
- Querida!
Falei com carinho naquele momento.
- Querida!
Eu já estava quase implorando naquele momento.
- Meu bem!
Agora vai.
- Oi amor, fala...
Nem aqueles cabelos despenteados me assustaram naquele momento. Cheiro pra lá, beijo pra cá...
- O que danado ta acontecendo com tu homem? Abaixa o fogo...
Se ela soubesse da minha situação não falaria isto.
- Você ta virado. Voltou com tudo. Sossega um pouco e me deixa dormir...
Nada disso pensei eu que estava novamente ávido por amor e desejo feito animal atrás de sua parceira no sil.
- O que ta acontecendo com você, andou bebendo foi?
Será que ela percebeu algo?
- Não meu coração. É muita saudades que estava sentindo de você. Eu lá no sofá abandonado e te querendo...
Tinha que soltar essa porque senão o que iria explicar a ela? Que aquela outra me deixou, não. Literalmente!
Depois de um tempo de carinho, quero comunicar que ainda tive forças para ir à batalha e fui novamente um vencedor. Claro que, já exausto não tive muita força para continuar acordado.
Perdi à hora do trabalho. Acordei às 08h02minutos, assim marcava o relógio de parede. Como Eros o deus do amor e que sempre estava em busca da felicidade, lá estava eu. Uma mistura perfeita de Eros e Ares. O amor e a guerra existente dentro de mim para fazer cessar aquela pulsação incontrolável em meu corpo. Quando levantei da cama, estava molhado de suor novamente e feito um soldado dando continência. Naquele momento percebi que não poderia novamente buscar conforto nos braços de quem me ama. Filho da puta de amigo, sacana de vendedor. Porque eu fui entrar na conversa deles.
Banheiro... Banheiro... Banheiro.Eu tenho que me aliviar né?

15.10.08

Eu tinha chegado durante a tarde naquela cidade. Me deparei com uma tarefa das mais dolorosas das que costumo passar. Ir a uma festa de São Pedro e ouvir um artista que não é nordestino cantando música brega. Não sei o porquê da contratação desses artistas durante os festejos juninos, mas parece que virou moda nas cidades de médio porte que realizam festas juninas. Lá pelas 21h eu estava diante do portão de entrada e era espremido pela multidão que queria entrar. Eu seguia os passos de um casal de amigos. Pisávamos na lama, o que já era sinal de que aquela noite seria uma tortura.

A área tinha uma quadra de esportes que ficava coberta. Vocês imaginam que quando a chuva começava e isto ocorreu durante boa parte da noite, aquela multidão tinha a mesma idéia, se amparar debaixo da cobertura.

Os meus amigos tinham marcado um local para encontrar seus amigos. Ficava encostado em uma coluna que dava sustentação à bendita cobertura da quadra. O que eu não poderia imaginar era que naquele local... Pausa. Lembram daquela frase... “a terra tem não sei quantos quilômetros. O Brasil tem lá seus... metros.” Você sabe do que estou falando. Pois não é que bem atrás de onde ficamos, tinham duas garotas encima de um banco de plástico, tipo tamborete, a gritar feito duas malucas pelo tal do cantor de brega. A cada música, a cada gesto do cara, eu tinha que agüentar aqueles gritos ensurdecedores. Meu grande erro foi demonstrar que não estava gostando do que estava acontecendo. Não sei se por pura birra, mas a verdade é que surgiram mais umas três garotas a gritar. Era o coral mais desafinado, mais chato, mais... Ta bom, ou vou cansar vocês. Mas que doía isso dói nos ouvidos.

Para completar a cena, as garotas estavam bebendo feito loucas. Mas parecia que o mundo estava para acabar e que tinham que beber todas naquela noite. Duas horas e meia depois. Quando eu já não aquentava mais aqueles gritos e pensava em ir embora, os gritos diminuíram. Aquela música chata já não incomodava mais. Meus ouvidos tinham se acostumado. Vinte minutos depois os gritos já me faziam falta. Foi ai que descobri através de uma das meninas que restaram que as duas vocalistas que estavam encima do banco estavam bêbadas em uma barraca. Dando o maior vexame.

Como sempre, lá estava eu a procurar confusão.

- Quer levar ela para casa? Pergunto eu.

- Você faria isto? Indaga uma das garotas.

- Claro que sim! Sempre a disposição, lá estava eu caindo em mais uma.

Fui até a barraca com a garota e ao chegar lá encontrei as duas, uma deitada no colo da outra e as duas dormindo. Uma cena feia pra zorra. Imagina duas mulheres bêbadas em uma barraca de festa de São Pedro e todos ao redor a rirem delas. Bom isto é cidade do interior.

Até hoje tenho as fotos que tirei das duas naquela situação.

Pegamos elas pelos braços e quando íamos levando para o carro, não é que elas despertaram. A festa começou a ficar ruim novamente. Os gritos iriam recomeçar. Engano meu. Depois daquela bebedeira acho que o gás delas acabou. Continuamos na festa, agora mais calma e sem gritos. Até uma dança eu arrisquei com elas. A noite terminou eu indo embora só e elas ficando na festa. Soube depois que ainda permaneceram até as 05h30mn da manhã.

Vocês devem estar se perguntando “o que tudo isto tem haver com O AMOR?” é que antes de sair eu perguntei a uma delas onde aquela garota de cabelos curtos trabalhava.

- No restaurante DA ESQUINA. Falou àquela garota que sempre dava informações quando eu perguntava.

Durante a semana seguinte. Todos os dias na parte da tarde eu ia lá. Comprava sorvete. Almoçava. Bebia refrigerante. De tudo eu fazia para passar por lá. No inicio eu fazia de conta que não a conhecia. Mas já na quinta-feira, não me contendo e percebendo que ela também deitava uma asa para mim, sapequei:

- Posso te roubar hoje à noite?

Acho que ela não entendeu a cantada! Ou será que foi horrível mesmo?

- Hoje não posso, à noite estarei na escola.

- E quando podemos nos ver?

- Já estamos nos vendo! Direta e no queixo.

Não me sentindo derrotado naquela luta entre duas pessoas que exalavam sentimentos um pelo outro. Pára de me sacanear. Não vou ficar dizendo aqui que ela não tava nem ai comigo, tenho que enfeitar a coisa para não parecer que estou muito oferecido. Voltando...

- Mas há uma chance de que eu possa te ver? Se não hoje, poderia ser amanhã!

Olhando nos meus olhos. Que lindos olhos os dela. Ela responde:

- Amanhã pode ser!

Não falei a vocês. Não adianta ter pressa, elas sempre querem. Fazem sempre aquele charme, mas no final, no final, no final... Me apaixonei por aquela garota. Saímos juntos algumas vezes. Ela começou a me chamar de “meu amor”. Como todo homem é um velho bobão, eu acreditei nela. Era meu amor prá lá, meu amor prá cá... Hoje estou aqui conversando com vocês, solitário que nem um bezerro rejeitado. Com lagrimas nos olhos. Soube através de uns amigos em comum que ela está para se casar. Bom para ela e... Para mim? Zorra como esse negocio de amar dói.

10.10.08

Para quem militou durante o final dos anos 70 e por toda a década de 80 sabe muito bem do que vou falar neste texto. Naqueles dias muitos dos nossos parlamentares eram eleitos através do chamado voto consciente, ou como outros chamavam voto de protesto. Eram personalidades engajadas com os movimentos populares que conseguiam mobilizar a opinião pública unicamente através do discurso.

Os anos se passaram e com isso vieram as campanhas políticas caras. Hoje para que um candidato possa estar presente na comunidade ele terá que gastar uma soma vultosa. Um candidato a Prefeito em uma cidade de pequeno porte não faz sua campanha por menos de R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Esse dinheiro é gasto na infra-estrutura dos comitês, em material de propaganda e na “compra de votos”. Aquele candidato que melhor souber colocar seu exercito nas ruas para encontrar famílias inteiras e pessoas dispostas a vender o seu voto, terá grandes chances de sagrar-se o vencedor do pleito eleitoral.

O candidato a vereador que tenha sua vida ligada as associações populares não garante um bom desempenho nas urnas se não tiver um grande volume de recursos para “doar” durante a campanha. Estão sendo eleitas pessoas descomprometidas com a população. Hoje o dinheiro é determinante para o sucesso ou o fracasso de um candidato nas urnas.

A direita, a esquerda, o centro, todos se utilizam atualmente do dinheiro para obter sucesso nas eleições. A “prostituição” política está enraizada nos partidos e na população que vende o seu voto. Ou são procurados ou procuram os políticos para obter vantagens. É difícil saber quem é o corrupto ou quem é o corrompido.

São mais quatro anos de espera para mudar algo que tenha sido feito errado. Mas quem vai pagar por isso?
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