Ontem à noite, após mais uma discussão estéril com um eleitor persistente do Bolsonaro, comecei a refletir sobre a incapacidade mútua que temos de entrar em entendimento, pois demonizar apenas e colocar a culpa no outro não parece ser uma boa forma de conseguir consenso, muito embora em casos assim seja bem possível que ele nunca venha a acontecer.
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Tá na internet: Os Bozos eram felizes e não sabiam...
Imaginem a fria que o Bolsonaro entrou. Estava lá quietinho, sem fazer porra nenhuma, enriquecendo a si e aos seus. Os três filhos, mulher, ex-mulher, motorista, todos empreendendo seus business na boa, tranquilos na sua ignorância, brincando em clube de tiros, falando merda aos quatro ventos sem se preocupar com as críticas. Tudo na santa paz em casa e no congresso, onde encontrava seus parceiros para trocar suas imbecilidades sem censura ou dormia em plena sessão de votações.
Era um vagabundo, corrupto, sem vergonha na cara e quase anônimo. Aí, resolveram usá-lo para consolidar o Golpe de 2016, quando o insano pode até homenagear torturador, mas pega nada isso daí. Conspirava crimes junto às milícias e tudo normal. Seu filho, seu garotinho, empregava parentes de acusados de assassinato e tudo bem. Esse mesmo filhinho Homenageou com a medalha Tiradentes um desses milicianos que estão na mira até da Interpol pelo assassinato de Marielle e tudo ótimo. Tinha funcionários-fantasma e tudo continuava em ordem.
Agora, o vagabundo e sua prole estão sob os holofotes do mundo e ele tem que demonstrar saber fazer o que não sabe, ser presidente. A vidinha boa que poderia levar até morrer acabou. Primeiro, ele e os “garotos” terão que ficar espertos nas falcatruas, coisa que não são, espertos. Depois, os vagabundos terão que fingir que trabalham, o que para uns descerebrados que nem eles, dá muito trabalho. Enquanto estavam lá idiotamente postando bosta e fake news no WhatsApp e Twitter a vida estava tão boa! Os Bozos eram felizes e não sabiam.
Por Marcia Noczynski.
Eu admiro Bolsonaro, de verdade...
Admiro porque ele consegue convencer gente que não tem como
pagar universidade privada de que é preciso fazer cortes na educação pública e
aumentar o número de universidades privadas no país.
Ele convence quem nunca estudou ou pôs os pés na
Universidade de que diploma é bobagem e pesquisa científica é atraso.
Ele convence gente a trabalhar mais tempo para ganhar menos.
Ele convence o trabalhador de que é melhor abrir mão de
direitos adquiridos em prol dos empresários, afinal o empresário e
sobrecarregado.
Ele convence negro de que racismo não existe, mesmo que ele
tenha dito que seus filhos não casariam com negras, afinal foram bem educados.
E convence gays, que vivem no país que mais mata gays no
mundo(!), de que homofobia é mimimi.
Ele convence policiais que são assassinados por milicianos e
grupos de extermínio, de que milicianos e grupos de extermínio são bem vindos e
necessários.
Ele convence policial de rua que vive estressado (a cada 17
dias um policial comete suicídio no Brasil) de que eles devem ter mais tempo de
serviço para se aposentar.
Ele convence policiais que carta branca para matar é o que
resolve, ao invés de investimento sério em segurança pública, como salários,
treinamentos, investigação, equipamentos, atendimentos psicológico. Se a
polícia matar todo mundo e metade da polícia morrer junto, problema resolvido.
Afinal, ele valoriza os heróis.
Ele convence gente que estudou de que Olavo de Carvalho é
filósofo, mesmo que a burrice seja escancarada e que ele atribua os problemas
do país à filosofia.
Ele convence mulheres de que feminicídio é uma bobagem,
mesmo que no Brasil a cada 12 horas uma mulher seja assassinada pelo
(ex)companheiro.
Ele convence mulheres a ficarem contra o feminismo, porque a
luta do feminismo não é por direitos iguais, afinal feminista é feia e tem
sovaco cabeludo, não luta por direitos iguais, querem mesmo é andar peladas e
fazerem xixi na porta de igreja.
Ele convence mulheres de que elas devem achar normal ganhar
menos.
Ele convence quem não pode pagar por saúde privada de que a
solução é privatizar.
Ele convence o brasileiro de que natureza é uma bobagem, de
que tem mais é que desmatar e liberar a caça para o país evoluir.
Nietzsche (filósofo alemão), chamou isso de moral de
escravo, o grande rebanho. Mas o rebanho está convencido, apoia, aplaude e quer
o relho.
E o gado continua cego e defendendo...
Temos um doido varrido na presidência
Eu já contei em outros textos
que na minha infância conheci algumas personalidades, daquelas que vagavam
pelas ruas da minha cidade no interior da Bahia. Barrão Samê e Fedegoso foram
aqueles que mais marcaram aqueles tempos. É que eram os mais visíveis entre
tantos outros. Essa gente tinha os que os incomodavam e os que os tratavam bem.
Eles eram tratados como “doidos”.
Passado o tempo, eu nunca
imaginei antes que um doido varrido, da classe dos que perambulam em estradas,
ruas e becos falando sozinhos frases incompreensíveis poderia chegar a
presidência da república do Brasil.
É certo que a história não nos
foi contada completamente e nos esconderam durante muitos anos que tipos de
pessoas colonizaram o Brasil logo após a descoberta destas terras por Pedro
Alvarez Cabral. E diga-se. Ele estava perdido, segundo o que contam, após uma
tempestade. Aquele 22 de abril de 1500 é a data que, dizem, chegaram aqui pela
primeira vez.
Já sabemos, também, que a
coroa portuguesa, com medo de perder a colonização, arrumou um jeitinho de se
livrar de criminosos, prostitutas, velhacos, doidos, prisioneiros condenados,
assassinos... toda aquela gente que não valia um vintém, foram enviados para
cá.
Durante 503 anos imperou o jeitinho
português que circula em nosso sangue. De 2003 a 2016 tivemos 13 anos de
prosperidade. Vimos a classe mais baixa da sociedade ter direitos que antes
nunca tiveram. Pobres puderam ir ao supermercado fazer suas compras, andar de
avião, entrar na faculdade e sair com diploma de médico, engenheiro,
jornalista... mas parece que os espíritos daqueles que colonizaram o Brasil
acordaram de uma hora para outra.
Bolsonaro foi eleito por um
tsunami de falsas notícias distribuídas pela internet em uma velocidade que
pegou os “tonhos da lua” de surpresa e os cativou. Gente que antes pareciam
normais no convívio diário, se mostraram agressivas, intolerantes e
propagadoras de mentiras, tornando-se, também, parte da farsa.
Hoje temos na presidência da
república um doido varrido. Um homem que prega abertamente a morte dos seus
opositores políticos abertamente e é aplaudido por evangélicos e pessoas de
bem.
Essa mistura do que fomos no
princípio de tudo, pariu essa coisa que está como mandatário atualmente.
Tenho saudades dos malucos da minha infância que não faziam mal nenhum às pessoas. O máximo que acontecia era botar a criançada para correr, quando eram provocados. Mas hoje, vendo o Brasil entregue a essa turma, me dá uma falta de esperança no futuro que estamos deixando para os nossos filhos e netos. E ninguém sabe, ainda, como dá um basta nessa loucura.
Tenho saudades dos malucos da minha infância que não faziam mal nenhum às pessoas. O máximo que acontecia era botar a criançada para correr, quando eram provocados. Mas hoje, vendo o Brasil entregue a essa turma, me dá uma falta de esperança no futuro que estamos deixando para os nossos filhos e netos. E ninguém sabe, ainda, como dá um basta nessa loucura.
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