- Manuel Domingos Neto, autor de O que fazer com o militar(anotações para uma nova defesa nacional)
A chamada classe-dominante – os herdeiros da casa-grande –
não consulta sua história (de que não tem memória) e se recusa a olhar para o
futuro. É o aqui e o agora da mediocridade e do atraso. Não há de ser fruto do
acaso estarmos, nos primeiros anos da terceira década do terceiro milênio,
patinando na periferia do capitalismo. E mesmo no capitalismo permanecemos
órfãos de um projeto de sociedade e país. Desde sempre carecemos de pioneiros,
de visionários, aqueles que se recusam a aceitar o statu quo como um
determinismo, uma fatalidade ou desígnio divino, e se devotam, muitos a vida
toda, a intervir na realidade, visando a transformá-la, confrontando os riscos
da incerteza, o outro lado da acomodação histórica que nos caracteriza. Ao
contrário, criamo-nos e formamo-nos sob o signo da dependência ideológica, a
marca colonial que presidiu o império e chega à República dos nossos dias.
Caminhávamos e caminhamos no contrapelo daquelas sociedades que puderam
construir seu destino, ousando mesmo a aventura do desconhecido.

