Mais uma semana se passou e até agora me parece que nós, forças oposicionistas à esquerda, ainda não conseguimos compreender e enfrentar consistentemente o fenômeno bolsonarista que cada vez mais se notabiliza por ser algo mais do que passageiro, mas uma faceta (contraditória) no aprofundamento da via autocrática e dependente do desenvolvimento do capitalismo brasileiro.
Se por um lado lideranças de uma esquerda social liberal apostam na tática de comentários públicos condenando as falas absurdas de Bolsonaro e seus ministros, ironizando projetos governamentais e assim obtendo “likes” e popularidade entre o eleitorado progressista, por outro, acompanhamos uma significativa estabilidade e até crescimento de popularidade do governo. Desde 2015, ainda sob a política austera do governo Dilma, a crise parecia aprofundar a situação de desemprego, violência urbana, fome e desmonte de políticas sociais progressivamente. No entanto, conforme identificou Paulo Nogueira Batista Jr., no final de 2019 o governo adotou algumas políticas heterodoxas “envergonhadas” como o saque do FGTS e o décimo terceiro do bolsa família que fizeram a situação aparentar que, se não melhorou, parou de piorar para significativas parcelas da população. Além disso, a crescente (des) sofisticação produtiva do país nos serviços e na indústria e a desregulamentação do mercado de trabalho impulsionaram a questão da uberização e a criação de subempregos extremamente precarizados.

