Propaganda ilegal de Flávio Bolsonaro em outdoors e adesivos em campanha antecipada no Norte e Nordeste

O Partido dos Trabalhadores avalia recorrer à Justiça Eleitoral contra a distribuição de adesivos pró-Flávio Bolsonaro no Nordeste, promovida pelo ex-ministro do Turismo Gilson Machado. Em vídeo divulgado nas redes sociais durante o Carnaval, Machado aparece entregando materiais com a frase “O Nordeste está com Flávio Bolsonaro 2026”, o que, segundo especialistas, configura propaganda eleitoral antecipada, já que menciona diretamente o ano da eleição presidencial. O setor jurídico do PT também monitora outdoors no Norte do país que reforçam a mesma mensagem, ampliando a suspeita de campanha irregular.

A prática de antecipar campanha por meio de símbolos visuais e materiais impressos é considerada ilícita pela legislação eleitoral brasileira, que só permite propaganda oficial após o período definido pelo Tribunal Superior Eleitoral. A estratégia bolsonarista, ao apostar em adesivos e outdoors, busca ocupar o imaginário popular antes da hora, criando uma narrativa de apoio regional que pode influenciar o eleitorado. Essa movimentação reforça a percepção de que a família Bolsonaro utiliza meios questionáveis para se manter em evidência, transformando a política em um projeto de poder hereditário.

Flávio Bolsonaro, apontado como pré-candidato à presidência em 2026, carrega um histórico marcado por escândalos. O Ministério Público do Rio de Janeiro o acusou de liderar um esquema de “rachadinha” em seu gabinete na Assembleia Legislativa, desviando parte dos salários de assessores. As denúncias incluíam crimes como organização criminosa, lavagem de dinheiro, peculato e apropriação indébita. Embora decisões do STJ e do STF tenham encerrado o processo, o caso permanece como símbolo da impunidade e da fragilidade institucional diante de figuras poderosas.

A ofensiva com adesivos e outdoors mostra que Flávio Bolsonaro não apenas ignora os limites legais da propaganda eleitoral, mas também tenta construir sua candidatura sobre práticas que já foram alvo de investigação criminal. Ao transformar o espaço público em vitrine antecipada de campanha, o senador reforça a ideia de que a política é usada como patrimônio privado da família Bolsonaro. O resultado é um ataque direto à democracia, em que regras eleitorais são desrespeitadas e crimes passados são apagados pela narrativa de poder contínuo.

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