Flávio Bolsonaro e a família que transforma a política em negócio de família

Flávio Bolsonaro, senador pelo PL do Rio de Janeiro, carrega em sua trajetória política marcas profundas de escândalos que não desapareceram, apesar das tentativas de blindagem judicial. O caso das chamadas “rachadinhas”, revelado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro, expôs um esquema em que parte dos salários de assessores era desviada para o próprio parlamentar quando ele ainda era deputado estadual. A denúncia incluía crimes como organização criminosa, lavagem de dinheiro, apropriação indébita e peculato, mas decisões posteriores do STJ e do STF acabaram por livrá-lo das acusações formais, gerando forte percepção de impunidade e descrédito nas instituições.

A família Bolsonaro, no entanto, não se limita a Flávio. A estratégia de perpetuação no poder é explícita com Jair Bolsonaro, mesmo após enfrentar investigações e processos, articula candidaturas de seus filhos em diferentes frentes. Eduardo Bolsonaro, com atuação internacional, e Carlos Bolsonaro, com forte presença digital, compõem um núcleo que transforma a política em negócio familiar. Essa prática, longe de ser apenas uma coincidência, revela um projeto de poder que se sustenta na ocupação sistemática de cargos públicos, criando uma espécie de dinastia política que desafia os princípios republicanos.

O histórico de Flávio não se resume às rachadinhas. Ele também foi alvo de questionamentos sobre movimentações financeiras suspeitas ligadas à sua loja de chocolates, apontada como possível instrumento de lavagem de dinheiro. Além disso, sua postura em momentos de crise, como quando incitou manifestações contra a prisão de Jair Bolsonaro, reforça a imagem de um político que atua mais em defesa dos interesses pessoais e familiares do que em prol da sociedade.

A presença constante da família Bolsonaro em campanhas eleitorais escancara um problema estrutural com a política transformada em herança. O eleitor brasileiro é colocado diante de uma narrativa em que o poder não é conquistado por mérito ou propostas, mas por sobrenome. Flávio Bolsonaro, mesmo com acusações graves e histórico de escândalos, surge como candidato viável em 2026, não por sua credibilidade, mas pela força de um projeto familiar que insiste em se perpetuar. Essa prática mina a democracia e reforça a ideia de que, no Brasil, a política pode ser usada como patrimônio privado, em detrimento do interesse público.

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