Acadêmicos de Niterói desafia censura com o samba que calou a oposição na Sapucaí

O desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, realizado na Sapucaí em 15 de fevereiro de 2026, homenageou a trajetória política e pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A apresentação, marcada por forte simbolismo cultural, rapidamente ultrapassou os limites da festa popular e se transformou em alvo de uma ofensiva jurídica. Partidos de oposição, liderados pelo PL e pelo NOVO, anunciaram ao menos doze ações contra a escola e contra o presidente, alegando propaganda eleitoral antecipada e abuso de poder político e econômico. As iniciativas foram protocoladas no Tribunal Superior Eleitoral, no Ministério Público e em instâncias da Justiça comum, numa tentativa de criminalizar uma manifestação artística.

A reação da oposição revela um padrão preocupante, o de transformar qualquer expressão cultural que dialogue com a política em caso judicial. Ao invés de reconhecer o Carnaval como espaço legítimo de crítica e celebração, parlamentares tentam impor censura disfarçada de zelo institucional. Essa postura não apenas ameaça a liberdade de expressão, mas também reforça a ideia de que a política brasileira vive sob permanente judicialização, onde até manifestações populares são tratadas como crimes. O episódio mostra como a disputa eleitoral de 2026 já contamina o ambiente cultural, criando um clima de perseguição que extrapola os limites da democracia.

Entre os protagonistas dessa ofensiva está o senador Flávio Bolsonaro, que mesmo carregando um histórico de acusações graves, como o caso das “rachadinhas” em seu antigo gabinete na Assembleia Legislativa do Rio, atua como porta-voz da criminalização do desfile. O Ministério Público do Rio de Janeiro havia apontado Flávio como líder de uma organização criminosa que desviava parte dos salários de assessores, além de envolvimento em lavagem de dinheiro e peculato. Embora decisões do STJ e do STF tenham encerrado o processo, o episódio permanece como símbolo da impunidade que marca sua trajetória política.

A tentativa de transformar o desfile da Acadêmicos de Niterói em caso judicial expõe uma contradição gritante com políticos acusados de corrupção e desvio de recursos públicos buscam criminalizar manifestações culturais que exaltam figuras populares. Ao mirar Lula e a escola de samba, a oposição não apenas tenta enfraquecer o presidente, mas também ameaça a essência do Carnaval como espaço de liberdade e crítica social. O resultado é um ataque direto à democracia, em que a cultura vira alvo de perseguição e a política se reduz a uma guerra de processos, conduzida por figuras que carregam seus próprios crimes nas costas.

Nenhum comentário:

Postar um comentário