A reação da oposição revela um padrão preocupante, o de
transformar qualquer expressão cultural que dialogue com a política em caso
judicial. Ao invés de reconhecer o Carnaval como espaço legítimo de crítica e
celebração, parlamentares tentam impor censura disfarçada de zelo
institucional. Essa postura não apenas ameaça a liberdade de expressão, mas
também reforça a ideia de que a política brasileira vive sob permanente
judicialização, onde até manifestações populares são tratadas como crimes. O
episódio mostra como a disputa eleitoral de 2026 já contamina o ambiente
cultural, criando um clima de perseguição que extrapola os limites da
democracia.
Entre os protagonistas dessa ofensiva está o senador Flávio
Bolsonaro, que mesmo carregando um histórico de acusações graves, como o caso
das “rachadinhas” em seu antigo gabinete na Assembleia Legislativa do Rio, atua
como porta-voz da criminalização do desfile. O Ministério Público do Rio de
Janeiro havia apontado Flávio como líder de uma organização criminosa que
desviava parte dos salários de assessores, além de envolvimento em lavagem de
dinheiro e peculato. Embora decisões do STJ e do STF tenham encerrado o
processo, o episódio permanece como símbolo da impunidade que marca sua
trajetória política.
A tentativa de transformar o desfile da Acadêmicos de
Niterói em caso judicial expõe uma contradição gritante com políticos acusados
de corrupção e desvio de recursos públicos buscam criminalizar manifestações
culturais que exaltam figuras populares. Ao mirar Lula e a escola de samba, a
oposição não apenas tenta enfraquecer o presidente, mas também ameaça a essência
do Carnaval como espaço de liberdade e crítica social. O resultado é um ataque
direto à democracia, em que a cultura vira alvo de perseguição e a política se
reduz a uma guerra de processos, conduzida por figuras que carregam seus
próprios crimes nas costas.

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