O prefeito de Paulo Afonso, Mário Galinho, reuniu sua base política em um evento marcado pela ostentação e discursos inflamados. No encontro chamado “Turma do Galo”, realizado no Baba Casquetinho, estiveram presentes deputados estaduais e federais, além de lideranças locais. O espaço foi tomado por apoiadores com adereços e um painel de LED exibindo imagens de figuras nacionais como Lula, Jerônimo Rodrigues, Jaques Wagner e Rui Costa, numa tentativa de reforçar a musculatura política do prefeito.
Apesar da demonstração de poder, Galinho passou o dia
levando seus convidados a locais onde sua própria administração ainda não
conseguiu dar respostas. Na Prainha, por exemplo, o cenário é de abandono, com
a invasão das plantas baronesas afastando turistas e prejudicando a economia
local. O prefeito aproveitou para cobrar ajuda dos parlamentares, mas a visita
acabou evidenciando a fragilidade de sua gestão diante de problemas que se
arrastam sem solução.
Outro ponto visitado foi o Hospital Universitário, obra do
governo federal em parceria com o estadual. O empreendimento, que promete
atender toda a região, foi usado como vitrine pelo prefeito, embora não seja
fruto direto de sua administração. A estratégia de se associar a projetos de
outras esferas de poder reforça a crítica de que Galinho busca capital político
em iniciativas que não partem de sua gestão.
No discurso feito no Casquetinho, o prefeito pediu que seus
apoiadores “não abaixem a cabeça” e afirmou que não foram eles que “destruíram”
Paulo Afonso. A fala, no entanto, deixou lacunas, e faltou explicar como
pretende reconstruir a cidade, já que seu mandato já ultrapassa um ano e três
sem avanços significativos em áreas essenciais. A retórica de resistência não
foi acompanhada de propostas concretas.
O evento, com clima de campanha antecipada, mostrou um
prefeito mais preocupado em exibir força política do que em apresentar soluções
reais para os problemas da população. Enquanto a base se fortalece em palanques
e discursos, os moradores seguem convivendo com dificuldades cotidianas. A
festa da “Turma do Galo” pode ter impressionado pela quantidade de apoiadores,
mas escancarou a distância entre a propaganda e a realidade vivida nas ruas de
Paulo Afonso.

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