Entre as principais propostas apresentadas pelo então
candidato Mário Galinho estava a promessa de modernizar a gestão pública de
Paulo Afonso com forte uso de tecnologia e transparência. O plano previa a unificação
de bases de dados para monitorar gastos e processos, a criação de um dashboard
de gerenciamento em tempo real para todas as secretarias e a implantação da Plataforma
PAOne, que digitalizaria documentos e reduziria em até 95% o uso de papel.
Também foi anunciada a oferta de internet gratuita em áreas periféricas e
rurais, por meio de antenas via satélite, além da criação de Centros Integrados
de Gestão Rural e Urbana para aproximar serviços públicos das comunidades.
Outras medidas incluíam a definição de indicadores de desempenho para avaliar
políticas públicas e o uso de geoprocessamento da frota veicular, com promessa
de economia de até 30% em combustível. Essas iniciativas, segundo o plano,
representariam uma ruptura com a burocracia e a ineficiência das gestões
anteriores, colocando a tecnologia a serviço da população.
A ideia central era devolver ao cidadão o protagonismo na
gestão municipal. Conselhos, conferências e orçamento participativo seriam
instrumentos para garantir voz ativa da população. O discurso era de ruptura
com a burocracia e aproximação com o povo, especialmente em áreas rurais e
bairros historicamente negligenciados.
Agora, já como prefeito, Galinho enfrenta acusações de
repetir práticas que antes condenava. A crítica que fazia às gestões anteriores,
autoritarismo, falta de transparência e favorecimentos, ecoa novamente, mas
desta vez direcionada à sua própria administração. O contraste entre promessa e
prática levanta dúvidas sobre a real efetividade da “gestão ética e
participativa” e sobre o impacto social que Paulo Afonso de fato experimenta.
O caso de Paulo Afonso expõe um dilema recorrente na
política brasileira, com candidatos que se elegem com discursos de renovação e
ética, mas que, ao assumir o poder, acabam reproduzindo os vícios que
criticavam. Para a população, o resultado é a frustração diante de expectativas
não cumpridas e a sensação de que a “nova história” prometida ainda não
começou.

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