Celular de Vorcaro revela políticos no bolso do escândalo

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi preso em 4 de março de 2026 na terceira fase da Operação Compliance Zero, acusado de fraudes bilionárias e ocultação de patrimônio. O escândalo expôs não apenas o colapso de um banco já liquidado pelo Banco Central, mas também conexões políticas que atingem figuras da Bahia.

A Polícia Federal cumpriu mandados de prisão preventiva contra Vorcaro e outros investigados em São Paulo e Minas Gerais. A decisão foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que também determinou o bloqueio de até R$ 22 bilhões em ativos. A operação, batizada de *Compliance Zero*, apura fraudes financeiras envolvendo títulos de crédito falsos, lavagem de dinheiro e corrupção.

Vorcaro, de 42 anos, já havia sido alvo de investigações anteriores e viu seu banco ser liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025. O Banco Master, que se apresentava como alternativa agressiva no mercado de crédito, acumulava denúncias de práticas ilícitas e ameaças contra desafetos. Segundo a PF, o empresário chegou a montar um grupo armado para monitorar opositores e ocultar patrimônio superior a R$ 2 bilhões.

O escândalo ganhou contornos ainda mais explosivos quando investigadores revelaram que o celular de Vorcaro continha registros de contatos frequentes com políticos baianos. Entre os nomes citados estão o senador Ângelo Coronel, o ex-prefeito de Salvador ACM Neto e deputados estaduais ligados à base governista. Embora não haja, até o momento, acusações formais contra essas figuras, a simples presença de seus nomes na lista levanta suspeitas sobre a influência do banqueiro nos bastidores da política baiana.

A prisão de Vorcaro reacende o debate sobre a promiscuidade entre o sistema financeiro e a política. Na Bahia, onde a disputa eleitoral já se intensifica, a revelação de contatos comprometedores pode alterar alianças e desgastar lideranças. O caso expõe como empresários com poder econômico conseguem penetrar nos círculos políticos, criando redes de influência que sobrevivem mesmo após o colapso de suas empresas.

O episódio do Banco Master não é apenas mais um escândalo financeiro: é um retrato da fragilidade institucional e da vulnerabilidade da política baiana diante do poder do dinheiro. A prisão de Daniel Vorcaro mostra que, por trás das cifras bilionárias, há uma engrenagem que conecta banqueiros, políticos e interesses escusos. A pergunta que fica é: quantos outros “Vorcaros” ainda operam nas sombras, sustentados por contatos privilegiados e pela complacência de quem deveria defender o interesse público?

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