5.5.21

Publicação da rede Slow Food vai registrar e homenagear alimentos tradicionais da cultura baiana


Arca do Gosto Baiana é o nome da publicação que vai trazer alimentos e ingredientes que fazem parte da cultura alimentar de povos da Caatinga, da Mata Atlântica, do Cerrado, áreas de mangues e costeiras e, pelo menos, 20 receitas tradicionais da cultura da Bahia. A publicação está sendo construída no âmbito do projeto “Slow Food na Defesa da Sociobiodiversidade e Cultura Alimentar Baiana”, uma ação da rede Slow Food, em parceria com o Governo do Estado, por meio do projeto Pró-Semiárido.

“Nós temos um vínculo formal com a rede Slow Food para executar diversos trabalhos, nos quais a Arca do Gosto baiana é um deles. A Bahia é um poço inesgotável de tradições na área gastronômica e cultural e no Pró-Semiárido a gente tem uma linha de trabalho interessante porque a gente tem um amplo arco de ações. A gente apoia fortemente atividades produtivas da agricultura familiar, mas também a agregação de valor por meio do processamento de produtos. E esta parceria com o Slow Food está nos dando a oportunidade de fazer um trabalho muito interessante”, destacou o coordenador do Pró-Semiárido, Cesar Maynart.

Lapa do buriti, queijo de leite de cabra cru; umbuzada sertaneja de Uauá; bode no quiabo com leite de cabra de Caldeirão Grande; e doce de lapa do buriti das comunidades dos brejos de Pilão Arcado são alguns dos produtos e receitas que fazem parte dos saberes tradicionais partilhados por famílias agricultoras que vivem nas áreas de atuação do Pró-Semiárido. O projeto é executado pela Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), empresa pública ligada à Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR) com cofinanciamento do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (Fida).

A cartilha é a materialização do trabalho de mapeamento - realizado por agricultoras, agricultores e ativistas durante a última década - de alimentos tradicionais significativos em todo território do estado da Bahia. A partir da curadoria e revisão daqueles alimentos tradicionais inseridos no catálogo, a cartilha traz, além de ilustrações, informações sobre os territórios, questões botânicas e zootécnicas, ocorrência, além de técnicas agrícolas e usos gastronômicos.

“Foi um trabalho de muitas mãos e chegamos a 20 receitas. Para selecionar essas receitas adotamos a premissa do Slow Food do alimento bom, limpo, justo e acessível a todos. Isso quer dizer que estas receitas têm ingredientes fáceis de achar. Foi feita de um modo a apresentar a cultura local de cada canto da Bahia, a diversidade sociocultural e também na biodiversidade da Bahia. Toda essa expressão culinária, banquete do patrimônio baiano, é mantida por mulheres tradicionais como as quebradeiras de licuri, as catadeiras de umbu, as mulheres de fundo de pasto, as agricultoras familiares, pescadoras artesanais, que estão aí em todo o estado da Bahia e apoiadas pelo projeto Pró-Semiárido”, afirma Revecca Tapie, ativista do Slow Food no Brasil.

Arca do gosto

A rede Slow Food registrou pouco mais de 200 alimentos brasileiros na Arca do Gosto, cerca de 50 deles são do território baiano. A Arca do Gosto parte de uma ideia muito simples, é um catálogo de alimentos em risco de perda cultural ou biológica. “Enquanto movimento a gente tem um olhar para as coisas de cultura alimentar e acredita que o se consumir alimentos e se conhecer alimentos, os métodos de cultivo e de preparo, é uma salvaguarda de alimentos que se perdem por diversos motivos”, explica Ligia Meneguello, coordenadora de programa da rede Slow Food no Brasil.

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