5.8.17

A primeira entrevista do Árabe a imprensa mostra que "há muito que fazer" na Secretaria de Comunicação do PT.


Carlos Henrique Árabe é filiado ao PT desde 1985. Economista, com mestrado em Ciência Política pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e doutorado em Sociologia pela Universidade de São Paulo (USP), e hoje está na Secretaria Nacional de Comunicação do Partido dos Trabalhadores.

Secretaria Nacional de Comunicação do PT busca ampliar e unificar os trabalhos de comunicação do Partido dos Trabalhadores com o intuito de irradiar o diálogo da legenda por todos as regiões do Brasil. Ela deve manter o padrão das peças jornalísticas e de publicidade do PT. Além disso, tem a missão de desenvolver e ampliar a atuação nas redes sociais ao lado da comunicação institucional do partido.

O Blog tem o privilégio de ser o primeiro como órgão de imprensa, a entrevistar o Árabe após a sua nomeação apara o cargo dentro do Partido. E como ele definiu, “Acho importante que seja para um militante da comunicação e do Partido dos Trabalhadores”.

Vamos a entrevista:

Blog - Como o Partido dos Trabalhadores vai enfrentar a disputa da comunicação nas redes sociais, onde milhares de militantes do PT estão, sem coordenação, a defender a legenda?

Calos Árabe - Assumi a Secretaria Nacional de Comunicação do PT como  membro da direção eleita no 6º Congresso do partido.

Esse Congresso orientou o partido a lutar sem trégua contra o golpe, por diretas já e por um novo governo que traga emprego, salário e direitos ao nosso povo. Essa luta só terá sucesso com a mobilização em todas as frentes, nas quais a comunicação é um espaço estratégico. Acredito que uma melhor coordenação começa com direção e unidade política do PT.

Em outra dimensão, que também tem uma função estratégica, o 6º Congresso orientou realizarmos uma grande Conferência Nacional de Comunicação ainda esse ano, buscando com isso uma comunicação participativa e criativa, capaz de servir como ferramenta de consciência e organização política.

Blog - Por quê esse distanciamento da secretaria de comunicação com os Ativistas Digitais e por quê o contato se tornou quase que virtual?

Árabe - Há muito que fazer. Uma parte importante da energia militante do PT e da esquerda está no ativismo digital. Esse ativismo é muito combativo, é plural e tem crescido em escala geométrica. Seu papel político e ideológico é enorme. Por sua natureza exige debate, participação e clareza de posicionamentos. É nesse sentido que vamos trabalhar.

Blog – O PT errou quando no governo não fez a Lei dos Meios, democratizando as Comunicações?

Árabe - Essa é uma das conclusões do 6º Congresso.  A democratização da comunicação é parte fundamental da democratização da sociedade. Ela não pode ser substituída pela ilusão na neutralidade de meios de comunicação baseados na busca de privilégios e lucro, controlados ferreamente por meia dúzia de bilionários.

Blog – O que impediu os Governos Petistas de buscarem essa aprovação pelo Congresso Nacional?

Árabe - Também como reflexão do 6º Congresso, compreendemos hoje que uma mudança dessa natureza dificilmente seria aprovada por um parlamento conservador e subordinado à mídia conservadora. Assim, uma reforma democrática radical como a dos meios de comunicação, para se viabilizar, precisa de mobilização e inteligência para desmascarar as manipulações típicas da tv globo, precisa de uma forte bancada parlamentar de esquerda, de um partido decidido a fazê-la, e um governo com um programa democrático radical.

Blog – Após tomar posse na Secretaria de Comunicação do PT, qual política será implementada na área?

Árabe - Vamos implementar as orientações do 6º Congresso (o cadernocom as resoluções está disponível aqui), vamos propor uma comunicação de ampla participação com pluralidade e diálogo, vamos propor uma comunicação capaz de contribuir para a organização coletiva do PT e para a unidade da esquerda.


4.8.17

O dia em que Luiz Melodia comeu Culhões.


Morreu Luiz e ficou triste a melodia no dia de hoje. É uma dor que não se sabe quando termina. E ela tem nome e cor. O nome é a música que com ela nos alegrou durante muito tempo.

Hoje, eu me lembrei de um momento ao lado do Melodia na cidade de Salvador na Bahia. O ano, acho, foi 1996 ou 1997. Eu estava passando uns dias por lá. Hilton Barbosa, um querido amigo, tinha um apartamento no Corredor da Vitória, lá no Sol Victoria Marina. Um aparte hotel interessante. Era a república dos Amigos e sempre que ia a cidade, Hilton liberava o apartamento, um kitnet.

Naquele dia me aparece por lá, Jorge Papapá acompanhado de Paulo Jorge. Dois dos mais brilhantes compositores da música baiana. Com composições gravadas por Ivete Sangalo, Daniela Mercury, Chiclete, Timbalada. Enfim, dezenas de artistas já foram agraciados com suas poesias. E, mais ou menos, uma hora após estarem no AP, Papapá recebe uma ligação de Luiz Melodia. Ele informava que estava chegando a cidade a tarde e que faria um show naquele mesmo dia. Os dois eram grandes amigos.

Como em um transe artístico, Papapá decidiu que faríamos, digo faríamos, mas quem fez foi ele e Paulo, uma feijoada para Melodia. E a maior das coincidências foi que ele se hospedou no mesmo hotel. Ai já sabem, tudo ficou mais fácil de acontecer. Corremos ao supermercado do Porto da Barra, compramos tudo o que seria usado. Papapá teve a brilhante ideia de comprar Culhão de Boi como iguaria. E lá fomos nós atrás de panelas, já que tudo seria feito às escondidas no Kitnet. Lá era proibido ter fogão.

À tarde, antes de começar a aprontar a feijoada, o encontramos no restaurante do hotel. Ouvimos muitas histórias de Melodia e Papapá. Rimos muito com as loucuras que fizeram juntos. Tudo era festa. Em dado momento, ele se referiu a um de seus filhos, o Mahal. Disse que estava feliz, pois ele estava cantando em uma Banda de RAP. Eu, metido a entendido de música, ao ouvir aquilo e lembrando que era um ritmo americano se apossando da nossa cultura chegando pelo Rio de Janeiro disse, “o RAP Melodia, é o primo pobre do Repentista Nordestino”. Ele parou, olhou para mim e eu pensei, devia ter ficado calado. Ele caiu na gargalhada e avisou que iria falar para o filho sobre isso.

Combinamos que não iríamos ao show pois precisávamos colocar a feijoada no fogo. E assim foi feito. No AP, descobrimos que era perigoso ligar aquele fogão de uma boca. Então, o colocamos no pequeno corredor, entre a porta de entrada e o banheiro. Foi o único local seguro. Duas horas depois, ninguém aguentava com o cheiro dentro do apartamento e, não lembro quem foi o gênio, abriu a porta. Quinze minutos depois o gerente surge na porta e pergunta o que estava acontecendo. Perguntou porque quis, porque o cheiro, o fogão e aquele caldeirão grande já denunciava tudo. Ele disse que hóspedes ligaram, não reclamando, mas querendo saber onde tinha feijoada no hotel. Rimos juntos. Ele só pediu para fecharmos a porta novamente. E foi o que fizemos.

Já passava da meia noite quando Melodia ligou informando que tinha chegado. Subimos ao apartamento em que ele estava. Dez vezes maior que o nosso. Chegamos de caldeirão nas mãos. Paulo Jorge, que tinha comido quase todos os Culhões de Boi durante o cozimento, levou um prato com o que sobrou.

Ficamos lá com ele durante uma hora e meia. Nesse tempo, ele comeu a iguaria, quase sem querer, e se fartou, assim como todos nós, da feijoada feita com muito carinho e amizade para ele naquela noite, que ficou gravada em minha memória e que permanecerá. Histórias lindas e com amigos queridos, eu sempre deixo guardado em um cantinho, para sempre ir buscar quando for preciso.


Obrigado Papapá, por ter me proporcionado um dia com Melodia.

Denunciado ao Ministério Público, ACM Neto pode não ser candidato em 2018.


ACM Neto é denunciado ao Ministério Público por crime de responsabilidade é crime eleitoral.

Os deputados federais Robinson Almeida (PT-BA) e Afonso Florence (PT-BA) entraram com uma representação no Ministério Público da Bahia contra o prefeito de Salvador, ACM Neto, por prática crime de responsabilidade e crime eleitoral. 

Na sexta-feira (28) ACM Neto abandonou a Prefeitura, levando todo seu staff, e usou como pretexto o aniversário de emancipação de Jacobina para fazer campanha de forma irregular e antecipada no município baiano.

“É um escárnio com o povo de Salvador, o prefeito, que tem a pior gestão de saúde do estado, abandonar a prefeitura, em pleno expediente, pra fazer campanha ilegal em Jacobina”, afirmou Robinson Almeida.

O evento ocorrido em Jacobina foi mais uma oportunidade usada pelo prefeito de Salvador para divulgar pelo interior do Estado a candidatura dele ao mandato de governador do Estado da Bahia. O mais grave é que, ao revés de estarem em atividades normais da administração municipal, inúmeros secretários estavam em Jacobina, em atividade partidária-eleitoral.

“O prefeito ACM Neto abandona Salvador, persegue a Bahia e faz campanha antecipada, cometendo crime eleitoral e crime de responsabilidade. A Bahia não aguenta mais o prefeito ACM Neto querendo imitar o avô. Ele, Eduardo Cunha, Aécio Neves e Michel Temer, perseguem a Bahia”, afirmou Afonso Florence.

Diante dos fatos amplamente divulgados, inclusive pela imprensa nacional, os deputados pedem ao Ministério Público que seja instaurado inquérito civil, ou procedimento investigatório equivalente, a fim de que sejam rigorosamente apurada a denúncia.

Na passagem pelo Nordeste, Lula receberá titulo de cidadão em Estância/SE.


O Plenário da Câmara Municipal de Estância (SE) aprovou na tarde desta quarta-feira, 02, os projetos de Decreto Legislativo 09 e 10 de 2017, apresentados pelo vereador petista Artur Oliveira. As matérias concedem ao ex-presidente Lula o Título Honorífico de Cidadania Estanciana e, também, a Medalha de Honra ao Mérito Parlamentar.
O proponente apresentou requerimento em regime de urgência especial para discussão e aprovação dos citados projetos. Artur conseguiu doze assinaturas e teve ambos aprovados na sessão ordinária desta quarta, 02 de agosto.
Na tribuna, no pequeno expediente, Artur Oliveira lembrou que o ex-presidente estará em Estância no próximo dia 20.
– Será objeto de honra recebê-lo e conceder o título de cidadania e uma medalha de honra ao mérito a um presidente que muito fez pelo país – disse o petista.
Artur lembrou ainda que foi luta conjunta incluir a cidade de Estância no roteiro de visitas do ex-presidente e que foi preciso a somação de esforços do presidente do Diretório Municipal, Dominguinhos, com apoio do presidente do Diretório Estadual, Rogério Carvalho e com apoio do deputado federal João Daniel.
– Conseguimos que a cidade de Estância constasse na sua agenda de visita. Então para nós será um momento de muitas alegrias fazer a entrega dessa honraria no dia da sua visita à cidade de Estância – revelou o petista Oliveira Nascimento.

Lula Marques se defende de acusação do deputado da Tattoo, Wladimri Costa.


Hoje, fui surpreendido com a notícia de que o deputado Wladimir Costa não iria me processar pelas fotos que fiz dele ontem no plenário porque, segundo ele, foi tudo combinado e ele ainda teria pago R$ 500,00. Pois é, acreditem! Morri de rir quando soube! 

Depois de 41 anos de fotojornalismo, sei que tem muito político que não gosta de mim. Desagradei vários, inclusive, presidentes da República. A ética e o respeito ao leitor são a minha base para fazer fotojornalismo. Eu sou os olhos do leitor e tenho compromisso com a verdade. A veracidade das minhas fotos nunca foi contestada. 

“Excelência”, deixe de ser mentiroso. Eu jamais faria um serviço fotográfico desses, ainda mais para um deputado golpista, machão e bufão como você. Eu tenho respeito profissional e jamais aceitaria participar de uma armação fotográfica. “Vossa Excelência”, você não tem noção do valor de um profissional e acha que qualquer um se vende, como muitos deputados para salvar o presidente golpista? Fique sabendo que nem se me oferecesse os R$ 7 milhões em emendas que dizem que você recebeu, eu não aceitaria para fazer essas fotos. Quero respeito!

Diante do que o deputado falou ao site Poder 360, vou consultar meus advogados para um possível processo por calúnia e difamação. Não vou deixar minha imagem ser arranhada dessa forma.

Por Lula Marques.

3.8.17

ACM Neto salva Temer em troca de bloqueio de verbas para a Bahia.


O deputado federal Robinson Almeida (PT-BA) denunciou ação do prefeito de Salvador, ACM Neto, de articular apoio ao arquivamento da denúncia contra Michel Temer na Câmara dos Deputados em troca do bloqueio de verbas para o Estado da Bahia. 
 
“O prefeito de Salvador, de maneira deplorável, negociou o apoio a Temer em troca do bloqueio de verbas para a Bahia. Com isso, o presidente Temer foi salvo da investigação de corrupção passiva devido aos votos do DEM e de deputados liderados de ACM Neto”, afirmou. 

O parlamentar explicou que há muito tempo repousa na mesa de Temer o pedido de empréstimo do governo da Bahia de R$ 600 milhões para a recuperação de estradas, saúde e educação. 

“Neto, seguindo a tradição do seu grupo político, usa a perseguição aos adversários como forma de fazer política. Ao vetar o empréstimo, na verdade persegue a todo povo baiano”, disparou Almeida.

Nós perdemos. E agora?


A minha infância e as lições pra vida. Dos ditos populares que a minha mãe adorava esfregar nas nossas caras, minha e de meus irmãos, uma delas está gravada na memória. Eis ela, “as quedas do dia-a-dia, nos ensina a levantar e vencer”. Quase sempre isso ocorria quando ela via algum de nós chorando por perder eleições. Hoje já acostumado com derrotas, é da democracia, não derramo mais lagrimas. É da vida!

Vejam que ontem, já no meio da tarde, eu lia algumas postagens em redes sociais de jovens ainda acreditando que o povo iria vencer. Preocupado, resolvi logo exorcizar de dentro de mim, qualquer pensamento que levasse a imaginar, por um único momento, que aconteceria. Fui ao Twitter, na minha conta, e avisei que a derrota viria e não devíamos nos enganar.

Eu aprendi que é sempre melhor assumir a dor que ficar sofrendo com ela!

Pois é, nós perdemos, e agora?

Em conversa com o Deputado estadual Durval Ângelo do PT de Minas Gerais, ouvi dele a seguinte opinião quanto a esse momento que vive o Brasileiro, “esse resultado era esperado. Se alguém tinha dúvida a respeito dos votos do Temer para assumir a presidência da república, ontem com um parecer do Aécio, do PSDB, com a articulação do Aécio, o Temer ganhou de alguma forma a aparência de legalidade para ser presidente”. Com a aprovação no plenário da Câmara de “uma corja, de uma quadrilha”.

A tal legalidade, ao custo de muito dinheiro negociado nos dias que antecederam a votação e no próprio plenário, ontem, disse Durval, “hoje ele está eleito, eleito pelo Aécio, eleito pelo PSDB, por aqueles todos que estão envolvidos com a corrupção no Brasil. Hoje ele é legitimamente o presidente da corrupção e dos corruptos no Brasil”.

Mas nada está perdido para os que acreditam que a democracia retornará ao Brasil. Em breve toda a bandidagem instalada no Congresso Nacional será testada nas urnas e será a hora do povo dizer o que quer mesmo para o pais. A atriz Tássia Camargo, acredita que houve uma derrota momentânea, “perdemos ontem. Mas isso não significa que a gente vá perder a guerra”. Ela ainda disse que por ser muito otimista, acredita que logo as forças populares irão retornar ao poder com uma nova configuração de forças, onde a esquerda não precise ter que fazer acordos com aqueles partidos que estão participando hoje do Golpe. Mas para que isto não aconteça, em 2018 a população tem que eleger, não empresários, mas sim candidatos ligados aos movimentos populares e partidos de esquerda.

Durval ainda destacou o que acha que deve ser feito agora, “nós temos que fazer o que somos bons. Ir para a base, organizar o povo e preparar uma resposta nas eleições do ano que vem. Elegermos um número grande de deputados federais. Fazermos aliança e parceria como o movimento popular organizado e reelegermos Lula para Presidente do Brasil e trabalharmos as nossas candidaturas aos governos dos estados. Agora é, pela base, construindo um caminho novo, investindo na organização e na luta. E principalmente, tentar barrar a continuidade da quebra dos direitos no congresso nacional. A luta hoje tem que ser com Lula em 2018 para que a gente volte a ter direitos e para evitar que continue essa ação devastadora desse presidente de quadrilha”.

O momento não é de abaixar a cabeça. A hora é de enfrentamento direto para denunciar os crimes que estão sendo cometidos contra os direitos do povo Brasileiro. A luta é eterna para quem quer vencer dignamente na vida!


Mutirão de cirurgias chega a Paulo Afonso na Bahia.l


 
Entre os dias 08 e 10 de agosto, o Mutirão de Cirurgias, programa do Governo do Estado, viabilizado pela Secretaria da Saúde do Estado (Sesab), chega ao município de Paulo Afonso. O Mutirão vai atender a todos aqueles que estão aguardando a realização de cirurgias de hérnias (umbilical, inguinal, epigástrica) histerectomia (retirada do útero) e colecistectomia (vesícula).



Nesses dias, serão realizadas as pré-consultas com as unidades móveis estacionadas no Centro de Cultura Lindinalva Cabral, na Vila Poty. O atendimento será a partir das 7h e atenderá até 180 pacientes diariamente.



Para ser atendido, o paciente já deve ter a indicação médica para a cirurgia e ter feito o cadastro na Secretaria de Saúde do município. Caso ele não tenha feito o cadastro prévio, mas tenha exames laboratoriais que comprovem a necessidade de realizar uma das cirurgias oferecidas, o paciente poderá se dirigir ao local das consultas pré-operatórias munido dos documentos.



As cirurgias começam a ser feitas a partir do dia 17 de agosto, no Hospital Nair Alves de Souza.

Ativismo sobre rodas: Por que Salvador ainda não entrou nos trilhos? (Por Ernesto Marques)


Explicar as razões de o Brasil, muitas décadas atrás, ter escolhido transportar suas gentes e riquezas por rodovias, abandonando os trens, é tarefa por demais complexa para os limites deste escrevinhador e de um texto a ser compartilhado num ambiente onde se abominam os "textões". Arriscaria buscar respostas no pensamento do sociólogo Jessé Souza, centrado na herança escravocrata, e não no patrimonialismo, para explicar o comportamento da nossa elite "rapineira", predatória pela própria natureza, sem visão de futuro e sem compromisso com um projeto de nação. Mas o recorte aqui proposto é bem mais limitado, restrito ao transporte público em nossa caótica e apaixonante Salvador. Juntando cacos da história recente da cidade a partir dos laços de família entre o primeiro prefeito da ditadura e o atual, recorro à biologia para arriscar um diagnóstico: a repetida rejeição ao modal ferroviário é uma escolha atávica - hereditária mesmo, em claríssimo português.


A melhor experiência de planejamento urbano da primeira capital do Brasil data dos anos 1940, quando o santamarense Mário Leal Ferreira volta à Bahia, de onde partiu aos 19 anos, recém-formado engenheiro-geógrafo pela Escola Politécnica, para trabalhar na Viação Ferroviária do Rio Grande do Sul. Avançou nos estudos sobre sociologia, engenharia sanitária e urbanismo no Brasil e em outros países. Chegou cheio de conhecimento, prestígio e determinação para mudar as características urbanas de uma cidade então prestes a completar de 400 anos com cerca de 500 mil habitantes, ruas estreitas, habitações precárias e altíssima incidência de tuberculose. Foram longos anos de estudos minuciosos para desenvolver uma proposta absolutamente original, sem recorrer a modelos prontos e consagrados em cidades com características históricas e espaciais bem diversas. Não por acaso, uma das mais importantes avenidas de Salvador, mais conhecida como Bonocô, assim como a fundação municipal encarregada de pensar a cidade, homenageiam o engenheiro Mário Leal Ferreira. 


A equipe multidisciplinar coordenada por ele ouviu a cidade em entrevistas com 4.500 famílias e pensou em tudo - o quase tudo. Mas as avenidas de vale, como o Bonocô, sem as quais já teríamos superado o inferno, em projeto, eram muito mais do que são hoje. Além de melhorar as condições sanitárias, com a modernização das redes de distribuição de água tratada e coleta de esgotos e águas de chuvas, as avenidas projetavam uma solução de mobilidade capaz de suportar o crescimento da cidade sem brigar com seu relevo. Pouco acima das margens dos rios que abriram os vales nos milênios anteriores, trilhos para os bondes e, um pouco mais acima, pistas de grande fluxo para carros e ônibus. Intercalando essas redes de avenidas, muitas árvores para conter o barulho e fuligem dos motores. “Eleito” prefeito pelos coturnos do golpe civil-militar de 1964, ACM teve a oportunidade de executar o ambicioso planejamento coordenado inicialmente por Mário Leal e concluído por Diógenes Rebouças. Em vez disso, mediocrizou o trabalho da equipe do Escritório do Plano de Urbanismo da Cidade do Salvador (EPUCS). Lançou asfalto onde deveriam estar assentados até hoje os trilhos do ferro-carril (algo como um metrô de superfície) e passou a vida jactando-se de grande modernizador da capital. Foi a primeira recusa ao modal de transporte adotado por Buenos Aires em 1913 - para não falar do sistema de Londres, de 1863, ou do parisiense, de 1900. 


Caçula entre os seis maiores sistemas metroviários do mundo, o de Seoul, capital sul-coreana, nasceu em 1974 e hoje transporta a maioria da população pelos 981 Km das suas 19 linhas. Enquanto os coreanos construíam seu metrô, hoje considerado o melhor do mundo, o ex-governador Roberto Santos e seu secretário de transportes, Wellington Figueiredo, desenvolveram o projeto de um sistema de transporte de massa para integrar a Região Metropolitana quando Salvador tinha pouco mais de um milhão de habitantes. Mais ou menos nessa época os pernambucanos começaram o metrô de Recife e poucos anos depois mineiros e cearenses fizeram o mesmo. 


Autoridade internacional no assunto e professor na mesma Escola Politécnica onde se formou Mário Leal, Figueiredo deixou pronto o projeto do Anel Ferroviário. Homem das ciências e do planejamento, Roberto Santos deixou para o seu sucessor, além do projeto, o financiamento para a obra que teria nos legado outro padrão urbanístico, mas...


Mas ninguém poderia superar o grande modernizador de Soterópolis, e o projeto foi cuidadosamente esquecido em alguma gaveta. “Eleito” governador pelos mesmos coturnos golpistas que o fizeram prefeito, ACM então mandou às favas o transporte ferroviário pela segunda vez. 


Quando o velho cacique elegeu Antônio Imbassahy prefeito, em 1996, tudo indicava o fim do atraso. No Senado, o "home" subjugou o então presidente FHC em parceria com o filho Luis Eduardo presidindo a Câmara. Estava mais forte do que nunca, cacifado para realizar grandes obras, como o tão adiado sistema de transporte de massa sobre trilhos. Mas o projeto foi feito "nas coxas", a ponto de nos envergonhar com o tobogã, justamente na Avenida Mário Leal Ferreira. Inicialmente correria sobre o canal revestido do rio Campinas, mas já com a obra em andamento se constatou a inviabilidade e a alternativa foi construir o elevado. Mas de nada adiantaram a poder politico e a arrogância dos ditos modernizadores da Cidade da Bahia. Por mais de uma década, além da licitação escandalosa motivadora dos embargos do TCU, os soteropolitanos ficaram a contemplar esqueletos de elevados e estações inacabadas pelas janelas dos ônibus lotados, lagarteando pelas avenidas de vale congestionadas justamente por serem um arremedo do que foi meticulosamente planejado pelo EPUCS.
Eis que afinal o metrô de Salvador começa a operar comercialmente, enquanto expande suas duas linhas, mas não sem algumas pedras no caminho. E quem as coloca? Quem? Quem? Um ACM, agora o neto do original. Prefeito legitimado pelas urnas, Neto trava licenças municipais para o avanço das obras, e move montanhas junto com o ex-prefeito Imbassahy, agora ministro do ilegítimo Temer e com seu aliado de primeira hora, ex-ministro Geddel Vieira Lima. Conseguiram financiamento de quase R$ 1 bi para construir uma linha de BRT (ônibus) para ligar o Centro à região da Rodoviária, já conectadas pelo metrô. 


Como se já não fosse bastante, manipula a distribuição das linhas de ônibus atuais e dificulta a integração entre os dois sistemas. E quem perde com o atavismo sobre rodas de um ACM copiando o outro? Os filhos e netos dos trabalhadores que viram a nossa melhor experiência de planejamento urbano ser praticamente reduzida às avenidas de vale sem os bondes, sem as vias expressas e os cinturões verdes que as contornariam, sem os viadutos que integrariam as redes de avenidas projetadas para a nossa vida fluir sem os transtornos a que terminamos por nos acostumar, entre os vales e cumeadas que fazem de Salvador uma cidade singular.


E se você duvida dessa compulsão atávica do príncipe-herdeiro por um modal de transportes de capacidade limitada, barulhento, poluidor e causador de engarrafamentos, veja a propaganda das obras de mobilidade da Prefeitura de Salvador. O neto do ACM que nos negou um sistema de alta capacidade por duas vezes já não tem mais como nos negar um metrô pela terceira vez porque ele já é uma realidade, o povão usa e aprova. 


Mas a cidade dos sonhos do nosso jovem alcaide, lagarteando sobre rodas, com as ruas sempre congestionadas, está ilustrada em uma das suas peças publicitárias onde o metrô foi simplesmente apagado. E o trânsito de carrinhos criados com efeitos de computação gráfica flui velozmente. A Salvador virtual da propaganda do prefeito Neto não tem metrô, mas vai ter um BRT vendido como um grande feito. E nós vamos pagar a conta: a conta da tarifa cara, do sistema ineficiente e do financiamento que comprometerá as finanças do Município por longos anos.


Você pode até construir outra hipótese para o apego ao que o professor Paulo Fábio, autor de um denso trabalho acadêmico sobre o ACM original, chama de modernização conservadora. Eu, meio bobo que sou, prefiro acreditar que o atavismo sobre rodas do neto é apenas mais uma herança.

Por Ernesto Marques.

Canindé recebe prêmio Nascentes do São Francisco.


CANINDÉ EM PRIMEIRO LUGAR.

Sete meses após deixar o comando da Prefeitura da cidade, o ex-prefeito Heleno Silva ainda celebra os frutos de sua administração. O município de Canindé de São Francisco em Sergipe, foi contemplado com o prêmio de MELHOR AÇÃO  EM DEFESA DO MEIO AMBIENTE/2017, recompensa esta, instituída pelo Conselho Nacional do Ministério Publico (CNMP).

O município foi contemplado através do Projeto  "NASCENTES DO SÃO FRANCISCO - SALVANDO RIOS" uma parceria com o Ministério Publico Estadual, o Comitê da Bacia do São Francisco  e demais instituições publica e privada.

O projeto teve inicio no ano de 2013, e hoje se encontra com 30.000 arvores plantadas e irrigadas. Todas elas fazem parte do bioma caatinga, beneficiando 26,0 hectares das margens direita e esquerda do rio Curitiba  (afluente do São  Francisco), com 50,0 metros de largura em cada margem, perfazendo 5 km de plantio. Um beneficio direto a 42 famílias do Assentamento Agrícola Mandacaru.

PARA TUDO ISTO ACONTECER a gestão  municipal 2013/2016, do Prefeito HELENO SILVA, fez sua parte:

.Adesão a proposta do Ministério Publico Estadual em Salvar Rios
.Reativou o Conselho Municipal do Meio Ambiente
.Criou a lei municipal de pagamento por serviços ambientais (PSA)
.Instituiu o Fundo Municipal do  Meio Ambiente (valor inicial r$ 100.000,00).
.Diagnosticou áreas degradadas no município.
.Elaborou com apoio dos demais parceiros o projeto e encaminhou a Agencia Nacional das Águas (ANA) e ao CBHSF.
.Implantou em 2015 unidade piloto do projeto (1,0 ha) que serviu de base para o projeto atual.

O deputado Wladimir Costa pediu para uma garota mostrar a bunda durante a sessão na Câmara dos deputados.


O fotografo Lula Marques, um dos mais brilhantes profissionais da área, que cobre tudo o que aconteceu na Câmara dos deputados em Brasília, pegou do deputado da tatuagem, Wladimir Costa do Pará em uma conversa, como ele mesmo definiu, “nada republicana”.

Enquanto aconteciam os debates pela aprovação ou não da denúncia para investigação do presidente Temer, Wlad, como gosta de ser chamado, mantinha uma conversa por um aplicativo de celular com uma garota M. Melo. Na imagem aparece a de declaração dela dizendo “te amo”. E em seguida o deputado pede para ela “mostra tua bunda mostra afinal não são suas profissões que a destacam como mulher e sua bunda. Vai lá põe aí garota”, (escrito dessa forma mesmo).

A garota manda um emojione informando que está sem graça e depois cinco outros dando gargalhas.

Wlad, ainda tem tempo de humilhar A. Melo ao citar vários nomes de mulheres, entre elas Fátima Bernardes, Sônia Abrão e Marilia Gabriela. Ele diz no texto que elas são “respeitadas e até desejadas pelas suas capacidades técnicas e não por um par de bunda, já bastante banaliza por todo o Tapajos”.

Após declarar voto, Mário Negromonte Junior (PP), é chamado de Cachorro em rede social.


O deputado federal pela Bahia, Mário Negromonte Junior (PP) declarou na tarde de hoje seu voto favorável ao relatório que proibiu a investigação de ser feita neste momento contra o presidente Michel temer, que foi acusado pelo procurador geral da republica Rodrigo Janot do crime de Corrupção Passiva. Na sua declaração ele disse, mais uma vez, que estava acompanhando o seu partido.

Após o seu voto, Negromonte foi atacado em uma rede social, e os termos não foram nada elogiosos. Em uma das postagens alguém de prenome “Leandro” diz, “Mário Junior é um cachorro”. E logo em seguida foi rebatido pelo deputado que disse, “votei conforme a orientação do meu partido e aqui não tem cachorro algum”.

A pendenga continuou e Leandro ainda falou, “votou contra os trabalhadores safado msm”.

O deputado ainda tentou argumentar e sugeriu que fosse lida a reforma trabalhista e pediu, “se você não gostou crítica, mas (não) desrespeite”. Definitivamente a vida dos deputados que votam pelo impedimento da presidenta Dilma, que já está confirmado, não se envolveu em nenhum crime, que votaram contra o trabalhador e agora para salvar Temer, não está fácil. E só vamos saber o resultado dessa disputa nas urnas em 2018.

2.8.17

TV Câmara Ao Vivo - Análise da denúncia contra o presidente Michel Temer.

Denuncia contra Temer: MINHA POSIÇÃO. (Por Josias Gomes)


A população brasileira, certamente, estará de olho na Câmara dos Deputados, nesta quarta-feira, 02, um dia histórico para a vida política brasileira.
Está em jogo, em primeiro lugar, a democracia que construímos, às duras penas, e a independência dos poderes, pois, obedecendo rigorosamente ao rito constitucional, o Supremo Tribunal Federal está pedindo ao Legislativo licença para investigar o presidente da República.
E por que o Supremo está pedindo essa licença? Está pedindo por que o mandatário da Nação foi flagrado em atitudes totalmente anti-republicanas, em conluio com empresários, ambas as partes claramente praticando corrupção.
Então, cabe a cada um de nós, parlamentares, conceder exatamente o que o Supremo está pedindo, isto é, licença para investigar o senhor Michel Temer, pela conduta praticada e amplamente do conhecimento público.
Tenho, sobre isso, uma posição que pode até divergir de outros companheiros, mas, não vejo outra saída, a não ser ir à sessão da Câmara e aberta e claramente votar favorável ao pedido do Supremo, posição que é majoritária no seio do povo brasileiro, pressionando para que parlamentares de outros partidos tenham que se expor, sem vacilação, sobre o pedido do Supremo.
Minha história no Partido dos Trabalhadores é sobejamente conhecida de todos, tendo, já, presidido a sigla na Bahia, assim como sido membro efetivo dos órgãos da direção nacional petista. Como poderia, então, votar contra a orientação do PT, que é a de ser favorável ao pedido do STF?
Agora, uma outra coisa é enxergar o voto a favor do pedido do Supremo como um ato meramente em pró da ascensão do deputado Rodrigo Maia à Presidência da República. Ora, os dois, Maia e Temer, são faces de um mesmo golpe institucional, o golpe que destituiu uma presidente honesta e legitimamente eleita pela maioria da população brasileira.
Tenho claro, assim como todo o partido também, de que a verdadeira saída para o país tem de acontecer pela via da realização de eleições diretas, já, para que a Nação possa se reencontrar com a democracia após o nefasto golpe de 2016.
Por conta de posições dúbias veiculadas pela mídia, e a mim atribuídas, é que escrevo este artigo para deixar clara minha posição, que é, repito, a de votar favorável ao pedido do Supremo, comparecendo à sessão plenária da Câmara, a fim de que Temer possa responder, na Justiça, pelos seus atos.
Continuarei, como sempre, absolutamente fiel ao meu partido, o Partido dos Trabalhadores, que implementou, nesse país, uma verdadeira revolução no modo de gerir o Estado, quando praticou uma ampla e necessária distribuição de renda, fazendo com o que o país desaparecesse do mapa da fome.
Viva o PT! Viva os trabalhadores! Viva o povo brasileiro! Eleições diretas, já!

Por Deputado federal (PT).

“Não é mais possível apostar na conciliação”. (Por Roberto Amaral)

O PT e as esquerdas deveriam aprender com seus erros e preparar uma verdadeira “Carta ao Povo Brasileiro”, defende o ex-ministro Roberto Amaral.


As organizações ditas de esquerda e o PT em particular não podem mais postergar: é hora de uma reflexão profunda sobre os erros recentes. Só assim, acredita o ex-ministro Roberto Amaral, será possível recuperar a credibilidade com a população, ensaiar uma volta ao poder e reunir forças para aplicar um programa de fato transformador. Falta uma verdadeira “Carta ao Povo Brasileiro”, defende na primeira parte da entrevista. A ideia de conciliação que molda o imaginário político nacional não é mais aplicável. O PT buscou um pacto com a elite e foi traído na primeira oportunidade, relembra.
CartaCapital: Por que tem sido tão difícil mobilizar a população contra as reformas do governo Temer?
Roberto Amaral: Há uma certa depressão. Os brasileiros, à direita e à esquerda, não tem nada a comemorar. Suas teses, seus projetos, desmancharam-se no ar. Quem derrubou Dilma Rousseff está às voltas com o fracasso do governo Temer e com os escândalos de corrupção. O campo progressistas, por seu lado, não consegue mobilizar as massas. Eis o problema.
CC: Por quê?
RA: Uma de duas. Ou as organizações progressistas não estão empenhadas em interagir com a maioria da população ou não têm mais lideranças. A violência cometida contra os trabalhadores neste momento não tem precedentes na história republicana. Qual a consequência? Quantas fábricas foram paralisadas? Quantas greves foram organizadas?
CC: São pontos intrigantes. A rejeição às reformas e a Temer beira a unanimidade, mas não se converte em reação.
RA: A reprovação de Temer chegou a 95%, segundo pesquisa do instituto Ipsos. Como se explica um presidente com esta taxa de desaprovação permanecer no poder?
CC:  Devolvo a pergunta: Como?
RA: Vivemos um momento de declínio da política. O Congresso foi capturado pelo poder econômico, não mais preocupado em se reeleger, mas em realizar seus lucros neste mandato. O Poder Judiciário não se tornou apenas politizado, está partidarizado. E o Executivo não tem moral. O Rio de Janeiro é o retrato esquizofrênico, exacerbado, da situação nacional. A política é feita de esperança e ela tem sido aniquilada. Onde estão aqueles que batiam panelas e vestiam a camiseta da Seleção em São Paulo e no Rio de Janeiro?
CC: Eles se encolheram por qual razão?
RA: Estão envergonhados.
CC: Ou sumiram pelo fato de a corrupção nunca ter sido o problema de fato, mas Lula, Dilma e o PT?
RA: Não só. A mídia está dividida neste momento. A Rede Globo não mais se interessa em sustentar o governo Temer. Isso não provocou, porém, a mesma reação naqueles que saíram às ruas contra Dilma Rousseff.
CC: Qual a parcela de responsabilidade da chamada esquerda neste quadro?
RA: Muito grande. Há uma crise planetária da esquerda, ressalte-se. Talvez seja o momento de maior crise após a queda do Muro de Berlim. Ela começou na Europa, inicialmente com a autodissolução dos partidos comunistas, com as legendas socialistas se tornando sociais-democratas e estas indo para a direita e fracassando na administração. O exemplo paradigmático é o Partido Socialista francês. E, note, a França, ao contrário do Brasil, é um país industrializado, com um sindicalismo forte e uma população politizada. Depois da saga da eleição de Lula em 2002, não houve uma preocupação do campo progressista no Brasil em realizar as transformações, coisa que a direita faz neste momento. Ilude-se quem pensa que o impeachment da Dilma era um projeto isolado. Era uma necessidade tirá-la do poder. Temer é uma contingência, necessária para manter o formalismo constitucional. O projeto em curso é ideologicamente mais profundo do que aquele que levou ao golpe de 1964. Estão metodicamente a promover essas reformas, além traçar estratégias para impedir qualquer recuperação de um pensamento social no futuro. Os governos do PT não fizeram as reformas estruturais.
CC: Quais?
RA: O oligopólio dos meios de comunicação não foi enfrentado. Não se fez uma reforma tributária, não se mexeu no Imposto de Renda… O sucesso popular do Lula e de seu governo não foi canalizado para promover mudanças mais permanentes. Neste momento, não tenho certeza se teremos eleições em 2018.
CC: As eleições de 2018 poderiam não acontecer…
RA: Há ao menos duas possibilidades: ela pode acontecer com uma legislação que exclua as forças populares ou o presidencialismo pode ser transformado em um parlamentarismo misto ou puro… O que vai ser determinante é o esforço para a continuidade desse projeto em curso. Barrar o Lula é fundamental para o sucesso dessa estratégia. Ou o retiram por meio de uma destruição moral ou por uma condenação que o torne inelegível.
CC: A confirmação de uma condenação sem provas de Lula e sua exclusão da disputa eleitoral não se tornariam um catalisador da insatisfação popular não vista até agora?
RA: Espero e torço, mas não tenho certeza. Seria a maior de todas as violências cometidas até aqui. As pesquisas confirmam a força popular do Lula. Quero crer que, se acontecer, o campo progressista finalmente se convenceria de que não se trata de uma brincadeira, mas de um golpe para valer.
CC: O PT e Lula parecem inclinados em repetir o discurso da conciliação. Faz sentido insistir nesta estratégia?
RA: Nenhum. As condições internacionais mudaram e a economia e a política internas igualmente se transformaram. Torço para que o PT, Lula e as esquerdas tenham refletido sobre os erros cometidos e abandonado a ilusão da composição de classes, de que poderiam fazer concessões. Os governos petistas confundiram a coalização necessária para governar com a conciliação de classes. As forças progressistas, na nossa história, sempre buscaram a composição com as elites e sempre foram traídas.
CC: Como o senhor explica a apatia do governo Dilma, do PT e do Lula durante a campanha que culminou no impeachment?
RA: Trabalho com suposições, não consegui até hoje compreender. A esquerda, de forma geral, e o PT em particular ficaram assustados com o início do governo Dilma. Em 2015, quem acompanhava a vida parlamentar percebia que a bancada petista se movimentava no Congresso como barata tonta: sem articulação. Houve um refluxo dos movimentos populares diante das opções da presidenta. Ela foi eleita com um projeto e, no governo, adotou o programa dos adversários.
CC: Foi um estelionato eleitoral, certo?
RA: Não usaria essa expressão. De qualquer maneira, ela tem consciência dos erros cometidos. Na Frente Brasil Popular, muitos setores afirmavam a impossibilidade de defender as ações do governo naquele período. E não só. Ouvi isso de gente do PT, da CUT… Há outro ponto crucial: o movimento sindical brasileiro vive uma crise. Não consegue mobilizar nem para a defesa do emprego. É inacreditável que os petroleiros, categoria muito bem organizada, não tenham conseguido convocar uma greve na Petrobras diante do desmonte da empresa. A principal responsável pela crise do Rio de Janeiro é a política da Petrobras de corte de investimentos, de venda de ativos, do fim da exigência de conteúdo nacional.
CC: O Lula deveria ter atendido aos apelos e concorrido em 2014, em vez de apoiar a reeleição de Dilma Rousseff?
RA: Engenharia de obra pronta, ressalvo, é fácil. E é o que vamos fazer aqui, analisar fatos passados. Dito isso, a melhor solução em 2014 teria sido a candidatura do Lula. Ou, no mínimo, ele ter assumido um ministério logo início da administração da Dilma Rousseff. A história mostra agora que naquele momento era preciso um candidato e um presidente com a força popular e o prestígio internacional do Lula para enfrentar a situação. Todos estavam informados a respeito da piora da economia no Brasil. O desastre da articulação política no início do segundo mandato da Dilma revelava a falta de conhecimento do Congresso por parte dos assessores mais próximos da presidenta.
 

Roberto Amaral é escritor e ex-ministro de Ciência e Tecnologia
Publicado primeiro na Carta Capital.