9.6.17

PRECISAMOS DE UM SENADO, COM URGÊNCIA. (Por Francisco Costa)

A escrotidão brasilis atingiu o seu apogeu ontem, num cartório de homologação das vontades empresariais, chamado Senado da República.
Vamos começar do início: Temer, o lacaio da podridão, investigado sob a acusação de organizar e chefiar uma quadrilha, mandou uma PEC para a Câmara, dirigida pelo não menos corrupto Rodrigo Maia(Dem-RJ), com sete(7) propostas que praticamente acabavam com a CLT.
O relator da matéria, deputado Rogério Marinho(PSDB-RN) acrescentou mais de cem(100) emendas na PEC, quase licitando a escravidão, acabando de detonar com a CLT.
Teve deputados tão sem vergonha, tão bem sustentados pelos empresários, que não se dignaram a transcrever o que os empresários mandaram a eles, para ser adicionado à PEC. Simplesmente colaram, eletronicamente, sem sequer terem o cuidado de tirar o timbre da empresa que mandou a emenda.
Em vinte e quatro horas, sem que praticamente nenhum deputado tivesse lido a proposta do relator (ainda que quisessem ler, os mais responsáveis e comprometidos, não teria dado tempo, dado o tamanho e a complexidade do documento), a PEC foi para votação. 
Como era de se esperar, foi aprovada pela Câmara e enviada para o Senado.
Ontem foi dia de discussão e votação, no Senado.
Diante dos discursos indignados da oposição, a PEC foi aprovada, na Comissão de Assuntos Econômicos – CAE, exatamente como veio da Câmara, sem nenhuma alteração, e como isso foi possível?
O projeto é tão desgraçadamente ruim que nenhum senador deixou de fazer restrições a ele, mesmo os do PSDB, PPS e Dem, inclusive o relator, Senador Ricardo Ferraço(PSDB-ES),
O único senador da base do governo que teve coragem de se pronunciar, diante de tanto descalabro, foi José Serra, que não tocou no assunto, limitando-se a falar sobre Banco Central e Taxa Selic.
E porque foi aprovado?
Percebendo que a PEC não passaria, Temer fez o seguinte acordo com a sua base no Senado, os propinados senadores de corrente e coleira, guiados pelos empresários: o Senado aprova tudo como chegou da Câmara e, depois, através de medida provisória – MP, o Presidente veta o que achar conveniente, e aí chegamos a uma suruba que não acontece nem em prostíbulo de quinta categoria.
Primeiro: constitucionalmente o Senado Federal é uma casa revisora, é atribuição do Senado revisar TODOS os textos que chegam da Câmara e da Presidência da República.
Ao abrir mão disso o Senado perdeu a razão de ser, e o que assistimos foi um Senado de joelhos, rendido, servindo de cartório homologador das vontades de Temer.
Ficou assim: Temer fez a proposta, ordenou que a Câmara e o Senado aprovassem como ele queria e, se ele quiser, muda alguma coisa, através de MP. 
Nem na Ditadura Militar, excetuando-se o AI-5, vi uma medida tão antidemocrática, tão ditatorial. Temer, leia-se grande empresariado, se tornou o dono do Brasil.
Segundo: que presidente vai emitir a MP? Temer está sendo julgado no STF e poderá cair dentro de poucas horas.
A Procuradoria Geral da República pode pedir o afastamento de Temer a qualquer momento, se o STF acatar, quem vai sucedê-lo? Quanto tempo depois, em eleições diretas ou indiretas? 
O STF pode anular o golpe, motivos tem, e com provas, reconduzindo Dilma, mas o STF é parte do golpe, o que faz o apagar do sol ou a queda da lua no meu quintal, fatos mais fáceis de acontecerem que Dilma retornar à presidência.
Mais ilícitos de Temer podem e devem aparecer, vão aumentar as pressões nas ruas e na classe política, e, por mais cúmplice que seja, nas falcatruas de Temer-Cunha, Rodrigo Maia acabará tendo que acatar um pedido de impeachment, dentre os muitos que já foram protocolados.
Que MP? Protocolada por quem? Quando? A Lei Áurea está revogada.
Exagero? No próximo artigo mostrarei as belezuras embutidas no monstrengo, mas como o Face está cheio de pseudo feministas, mais preocupadas em bater em Lula e rotular os que defendem as diretas já, do que ler, para entender as bandeiras do verdadeiro feminismo, adianto como a trabalhadora, mulher, será bem tratada, doravante:
1) Gestantes e mulheres em aleitamento materno ficarão OBRIGADAS a trabalhar em ambientes insalubres, ainda que isto possa causar danos físicos e mentais irreversíveis aos bebês, salvo se for impedida por um médico. Detalhe: o médico terá que ser FUNCIONÁRIO DA EMPRESA (na empresa grande o médico estará ao lado do patrão, claro, e as empresas pequenas não terão como pagar médicos, deixando mulheres e bebês sem proteção);
2) As indenizações por assédio sexual, nas empresas, obedecerão a uma escala de valores, respeitando cargos e salários, o que quer dizer que uma operária assediada, humilhada, vilipendiada... Receberá dez vezes menos, de indenização por danos morais, que uma engenheira ou gerente de produção. Para os nossos parlamentares (e para Temer) a moral da pobre é menor ou vale menos que a da rica. Baratinhas para os patrões, as empregadas domésticas tornar-se-ão mucamas, objetos de cama e mesa.
Com a palavra a mulherada que se vestiu com a camisa da CBF e foi para a Paulista, dançar funk e gritar Fora Dilma!

Por Francisco Costa.

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