19.11.16

Amor, tu tá fazendo o que? (Do Livro: Quando o Amor Incomoda)

Diferente do que possa parecer, a palavra “amor” quando aparece no início da frase, dita ao telefone por ela, não reflete sentimento, e sim uma maneira de nos induzir a prestar algum serviço. Isto poderia ser entendido por ela como uma forma agressiva de constatação. Mas, tenha a certeza, não é! É que após anos de namoro, você começa a entender a dialética da sua amada. E o que antes era prazer, para você, começa a incomodar. Você deixa de ser o parceiro, e vai se tornando um prestador de serviços não remunerado.
Você está no bar, bebendo uma cerveja estupidamente gelada com a sua turma. Evento programado com bastante antecedência. E parece que os afazeres dela acontecem sempre em momentos como estes. Não é incomum seu telefone tocar e do outro lado vir um pedido para busca-la na casa dela para levar ao supermercado, ao cabeleireiro, ao trabalho, ao médico, a alguma loja para comprar algo, ou não. A certeza é que seu telefone irá tocar e seu programa estará seriamente comprometido. E invariavelmente, você é motivo de piada no grupo por ser “um dominado”.
Você também sabe que, ao chegar no local em que ela pediu para tu ir buscar, ela nunca vai estar pronta. Se é na residência, falta pentear o cabelo, colocar a blusa, vestir a calça, pôr o tênis. Desculpas não faltam. Em qualquer outra situação e local diferentes, ela arruma uma desculpa esfarrapada. Nas primeiras vezes você sorri pelo desleixo dela. Mas depois de três quatro anos, e sempre com as mesmas desculpas e pedidos, você começa a perder a paciência. O que era motivo de sorriso, começa a encher a paciência do pobre homem, que corre de um lado para o outro para sempre estar à disposição.
- Me leva ali?
Parece até que “ali” tem endereço variado, porque serve para todas coisas. Vai de hospital ao encontro com as amigas. E você fica “ali” esperando o tempo dela. Que quando retorna, diz:
- Demorei amor?
Você dá um olhar, daqueles de lado, sem direção. Do tipo, olha mais não olha. Respira fundo e solta o ar dos pulmões como se fosse a sua última respiração do dia. E ela:
- Também, tu já vai reclamar. Por isso que não gosto de pedir nada a tu. Essa é a última vez que peço algo.
Você, por dentro, comemora. Mas sabe que amanhã, tudo vai ser igual a hoje. Então, nada de se enganar com ela, quando a frase começar com “Amor”.


Dimas Roque.

15.11.16

CORAÇÃO DE ESTUDANTE: OCUPAR, UM ATO POLÍTICO. COMO TUDO COMEÇOU.

O jogo da antipolítica foi iniciado há tempos. Dura há pelo menos 12 anos um trabalho diuturno de desqualificação da classe política: “todos os políticos são sujos e corruptos; só pensam em levar vantagem em tudo; não defendem os interesses do povo, nem do país”). Consequentemente, ”a prática política é algo também sórdido, condenável em todos os sentidos. Nós estaríamos bem melhor sem a política”. Como se pode perceber, a lógica consiste simplesmente em desqualificar os políticos e o jogo da política. Trata-se, a Política, de algo sujo, prejudicial ao Brasil. “Eles” vêm roubando sistematicamente a Petrobrás. As licitações somente servem para atender seus interesses escusos. Portanto, há que ser desencadeada uma operação de salvação – essa a palavra mágica – para livrar o país, para sempre, dessa corrupção desenfreada, incontrolável, que nos arruina.
Repetido como um mantra e de forma sistemática pelos órgãos de comunicação, esse discurso tolo, primário, tem, no entanto, a capacidade de penetrar na alma e na consciência de indivíduos sensíveis, sobretudo das camadas médias da população brasileira. Crédula e crente, por absoluta necessidade ( – eles pensam por nós…). Assim, com sua ótica simplista, simplória, passa a ver o mundo – cada vez mais complexo, belo e cheio de desafios – como algo a ser enquadrado nos rígidos moldes da ideologia neoliberal. Ultrapassada, estúpida e sem nenhum futuro. E repetem, sem sequer ruborizar, os mais tolos chavões criados pelos “jornalistas”, (a voz do dono), sempre obedientes ao comando dos seus patrões.
Criando uma cidadania de tolos obedientes, induzidos a assumir atitudes e crenças neofascistas, convenientemente esquecidos do estrago que os regimes totalitários fizeram nos países que acreditaram em suas “verdades”. Tornou-se, então, permitido e de bom tom repetir estultices nas marchas de domingo, coloridas de amarelo: “escola sem partido/basta de Paulo Freire/vão para Cuba” e outras sandices criadas nos laboratórios midiáticos. Preparando, para um futuro bem próximo, uma nação de bobinhos, facilmente manipuláveis.
Mas há um detalhe sórdido nessa campanha: o seu direcionamento prioritário para o campo progressista, buscando criminalizar, seletivamente, seus integrantes. Com isso, pretendem “neutralizar” sua militância, afastando-a de qualquer veleidade de Poder, garantindo o espaço para o exercício inconteste da Elite, num jogo que, como se sabe, não foi feito para amadores.
Dessa forma sorrateira, conseguiram “cassar” o voto de mais de 50 milhões de brasileiros, ao afastar do alto comando do país, de forma ilegítima, fraudulenta a presidente reeleita, em 2014, por decisão soberana da maioria inconteste dos eleitores, para mais um mandato.
Isso foi feito de tal forma que gerou um estado de permanente perplexidade no campo democrático. Por longas semanas incapaz de organizar reações consistentes ao esbulho político eleitoral da Elite. As portas do Congresso Nacional e do Poder Executivo se fecharam, tornando-os insensíveis a qualquer tipo de negociação política. Estava, assim, instalado um novo período autoritário no Brasil. A ditadura dos medíocres. Da antipolítica. Uma ditadura envergonhada. Apoiada em maiorias obtidas de forma discutível no Congresso Nacional. Porém autoritária, como todos os regimes de exceção. E pior, disposta a entregar sem nenhum pudor as riquezas e a soberania do país aos seus patrões alienígenas.
“Eis senão quando” um inesperado grupo de atores políticos assume a vanguarda, ainda que transitória, da luta pelo retorno à Democracia e à legítima participação do Povo nas decisões que afetam os seus verdadeiros interesses.
• UMA GERAÇÃO ESPONTÂNEA
( – Nossa ocupação não é apenas pela reforma do ensino. Queremos mudar, sim, esse governo usurpador e fraudulento!)
Os estudantes (sempre eles! em atitude de repúdio às decisões do governo espúrio que tomou de assalto o poder), para demonstrar seu inconformismo e sua revolta, assumindo todos os riscos, decidiram, iniciar num movimento de legítima rebeldia, ocupar suas escolas. Entendendo que são espaços públicos destinados à formação de cidadãos livres e conscientes. Não apenas de robôs obedientes aos ditames da Elite e da ideologia neoliberal.
Num movimento pacífico de ocupação, estão a mostrar aos adultos, ainda atônitos e perplexos, uma forma alternativa de fazer política e dessa forma, colocando o governo Temer contra a parede. Ampliando seu legítimo espaço de atuação consciente e cidadania, a juventude estudantil decidiu contestar um governo que reconhece como frágil e ilegítimo. Obrigando-o a travar o necessário diálogo político. Ensinando aos novos donos do poder que não se faz reformas de tal profundidade, tão somente com a suspeitíssima votação em bloco do Congresso Nacional. É fundamental o debate que envolva a maioria, senão a totalidade da população, em plebiscitos e referendos.
Incapaz de estabelecer um diálogo franco e honesto com os jovens estudantes, como seria natural, até mesmo essencial nas circunstâncias, o governo Temer apela para algo que a cartilha neofascista recomenda fazer em momentos de confronto político: criminalizar o movimento estudantil; atribuir intenções ilegítimas e criminosas; ameaçar com processos judiciais os pais e/ou responsáveis pelos alunos. Enfim, pronto a usar as velhas técnicas totalitárias de intimidação dos jovens. Absolutamente incapaz de reconhecer a coerência e a legitimidade das ações de uma juventude, que se sentindo ameaçada em seu presente e em seu futuro pelas estranhas decisões de um governo sem voto e sem apoio popular, demonstra claramente o seu inconformismo com tais decisões, ilegítimas e espúrias em sua origem e em suas intenções.
Talvez seja difícil aos integrantes do atual governo, neófitos na implantação de regimes ditatoriais, agora esquecidos da prática política, perceber a real natureza do movimento de rebeldia estudantil. Vale, então adiantar alguns esclarecimentos, para reflexão:
a)                      O que o Movimento não é:
– coisa de estudantes baderneiros e desocupados;
– caso de polícia;
– algo a ser reprimido pela força, pela coação e pelo amedrontamento;
– protesto orientado por partidos políticos;
– uma nova forma de introduzir o tempo integral nas escolas.
b) O que é e o que pretende o Movimento:
– é uma ação tática, de natureza política, legítima e justa;
– objetivo: mostrar a discordância dos estudantes com o atual governo;
– alertar a população sobre a atual situação das escolas públicas;
– trazer ao livre debate a urgente necessidade de repensar/reinventar a Educação;
– exercer a Cidadania, um direito inerente à juventude;
– praticar a desobediência civil (“que sera tamem”).
(*) Do Instituto Lampião – Reflexões e Debates sobre a Conjuntura
(1) Música da trilha sonora do filme “O Homem de la Mancha” – Luther Vandross
(2) Verso da paródia da música “Tristeza” dos compositores Haroldo Lobo e Niltinho

Por Geniberto Paiva Campos.

13.11.16

O mundo e o enigma Trump.

A ameaça reacionária não é fato nem novo nem isolado, mas agora se instala no cume do poder mundial.
Diante de dois péssimos candidatos, o eleitorado norte-americano, dividido ideologicamente como jamais esteve, escolheu, após campanha do mais baixo nível, aquele que lhe pareceu a negação do establishment, exatamente Donald Trump, figura heterodoxa do sistema (não fôra ele um bilionário de Walt Street), o único ‘não político’, multimilionário desde o berço, outsider na política, devedor do fisco e ao mesmo tempo defensor de menos impostos para os ricos, e militante contra a política de saúde social de seu antecessor.
O 45ª presidente norte-americano, depois de derrotar de forma avassaladora o Partido Republicano e suas lideranças mais conspícuas, impondo-se como candidato contra a vontade da máquina, fez de sua campanha uma plataforma do reacionarismo mais primário, da xenofobia e do protecionismo (uma ameaça não só à União Europeia mas a países como o Brasil, a Índia e a China, entre outros grandes exportadores).
Mas prometeu isolacionismo, o que soa como música aos ouvidos de todos, porque pode ser traduzido como menos intervencionismo político na América Latina (apesar de suas ameaças ao Mexico) e menos invasões militares no resto do mundo. A propósito, nos últimos anos de Bush e Obama, os EUA intervieram e destruíram o Iraque, a Líbia e a Síria, depois de destruírem o Afeganistão, e por essas tragédias estamos todos pagando – enquanto cada vez mais aufere lucros a miserável indústria da guerra.
De outra parte, na disputa dentro do Partido Democrata, a ex-secretária de Estado, que sempre simbolizou o continuísmo (com republicanos ou democratas) era o nome da máquina contra o senador Bernie Sanders, que representava, ele sim, o sentimento de mudança.
A vitória de Trump representa, nas circunstâncias, a derrota do neoliberalismo ortodoxo, da financeirização da economia, a derrota da mídia americana (segundo ele “desonesta e enviesada”) e da mídia mundial, como dos institutos de pesquisa em todo o globo.
Mas o presidente eleito é, ao mesmo tempo, o candidato grotesco que desmoralizou os partidos, a política, seus ritos, seus fins, sua teleologia, reduzindo-a à insignificância da inutilidade. Esse Trump, antes das eleições rejeitado por 59% do eleitorado, candidato populista de extrema-direita que nos lembra uma composição que misturasse Maluf e um Bolsonaro qualquer com uma pitada de Sílvio Santos, não é, porém, obra do acaso, fruto que é da crise política dos EUA, da crise econômica e da crise ética, e de seu sistema político; é a falência do processo eleitoral e da democracia representativa nos EUA, o esgotamento de um ciclo que se encerra sem anunciar novos tempos, senão a promessa de muita apreensão.

É a falência do sistema eleitoral, inepto, como demonstrou a eleição do Bush filho, fundada na fraude e no desrespeito à vontade majoritária, desrespeito que se repete nas pouco representativas eleições deste mês: 231 milhões de eleitores numa população de 320 milhões; 46,9% dos habilitados não votaram; 25,6% votaram em Hillary e 25,5%, em Trump.
A derrotada recebeu 250 mil votos a mais que o vencedor. É a agonia do bipartidarismo, a falência do Partido Democrata, derrotado na política e nas urnas, e a derrota do Partido Republicano, que teve se assimilar um candidato imposto de fora para dentro e com o qual não se identificou na campanha.
Mas essa eleição não pode ficar no grotesco nem pode demonizar o poder da soberania do voto, como querem analistas apressados dos dois lados do Atlântico. Como em nossa crise cabocla, é preciso considerar ingredientes tradicionais como o desemprego, a queda da renda individual, a pauperização das grandes massas (hoje, 46 milhões de norte-americanos dependem do food stamp, o ‘bolsa família’ deles) o endividamento, a moradia precária, a violência e, em país beligerante, permanentemente em guerra, o cansaço ante tantas intervenções e tantas invasões e tantas bases militares cobrindo a Terra.
Além disso, o medo em face do terrorismo difuso, o legado dos 16 anos de Bush-Obama, por seu turno a continuidade política da beligerância de Clinton, sucessor de Bush-pai, herdeiro de Nixon e Reagan, herdeiro de Johnson, herdeiro de Kennedy…
É evidente que está sob comentário fenômeno recente embora há muito anunciado – aguda guinada direitista dos EUA – e qualquer análise não passará de tentativa de antevisão, com todos os riscos inerentes. Se é possível antever o frustrado governo Hillary – preeminência do establishment, do complexo militar-industrial, dos falcões da política externa, do fortalecimento da OTAN e do crescimento das dificuldades com a Rússia e tudo o que de tudo isso é mero desdobramento –, relativamente a Trump qualquer previsão é mais insegura.
Dir-se-á, e apostamos nessa hipótese, que a complexidade do sistema político governante, com seus pesos e contrapesos que promovem o controle social e político, absorvendo as crises – o complexo militar-industrial de que nos falava Eisenhower, o Congresso, Wall Street, o Pentágono, CIA e FBI, a Suprema Corte – estaria vacinada contra aventureiros.
Mas nada disso impediu a loucura democrata no Vietnã nem a irresponsabilidade republicana no Iraque. De outra parte, Trump assume contando com o apoio (que faltou a Obama) tanto da Câmara dos Representantes quanto do Senado (o Partido Republicano renovou sua maioria em ambas as Casas) e com reais possibilidades (preencherá três vagas) de influir na composição da Suprema Corte.
Diz um comentarista nativo que Trump venceu por haver convencido o eleitorado de que era sincero, ou seja, que ele próprio acreditava em suas ideias, mais precisamente nas ideias que expunha como suas.
Ora a questão central é o fato de essas ideias impregnadas de ódio e discriminação (sinceras ou não, bem ou mal transmitidas), haverem encontrado eco nos EUA profundos: o discurso contra os latinos de um modo geral e os mexicanos de forma particular (“Quando o México envia suas pessoas [para os EUA], eles não estão mandando seus melhores […] Eles estão trazendo drogas, crime. São estupradores. […] Eu vou construir um grandioso muro em nossas fronteiras. E vou fazer o México pagar por ele”), o discurso contra os imigrantes de um modo geral (promete expulsar 11 milhões de imigrantes em situação irregular) mas contra os muçulmanos de um modo particular, dos deficientes, dos intelectuais, das mulheres ‘modernas’, pós-feministas e independentes, a ladainha contra aliados políticos e militares dos EUA e da OTAN em especial, as ameaças (por enquanto comerciais) à China, a quem acusa de haver deflagrado uma espécie de guerra econômica contra seu país.
Observe-se, de passagem, que a China, com um caixa de 1,244 trilhão de dólares de títulos da dívida pública dos EUA, é seu principal credor.
Como já foi observado, o problema não é Donald Trump, mas o fato de parcela considerável do eleitorado dos EUA, após quase dois anos de campanha eleitoral, se haverem convencido de que tal personagem podia ser presidente da República.
O problema não é esse personagem, mas a fragilidade do sistema democrático dos EUA que – depois de Reagan e Bush – enseja sua emergência, a partir de uma campanha fundada no ódio, na exclusão, na divisão, na segregação, na política de terra arrasada (para anunciar um novo EUA teve de primeiro decretar a derrocada do atual).
O fato objetivo, desagradável mas real, é que o novo presidente reflete uma sociedade dividida, clivada em seus valores mais profundos, falando mais alto que todos (nas eleições) os valores majoritários do americano branco classe-média, principalmente aquele que vive na América rural, a qual assegurou a Trump vitórias decisivas em Estados chamados “pêndulo” (por indicarem nas eleições uma tendência para a qual se inclinaria o eleitorado nacional), como Flórida, Ohio e Carolina do Norte, ressentido com os efeitos da globalização e da imigração.
Não é fato novo, porém, esse avanço da direita e da extrema-direita em sociedades desenvolvidas: assim marcha a política na Alemanha, na Polônia, na França, na Áustria, na Hungria, na Turquia e no Reino Unido, de que constitui eloquente sintoma a rejeição inglesa à Comunidade Europeia, como símbolo de unificação e globalização. Em ambos os casos, nas vitórias de Trump e do Brexit, houve a clara derrota das elites locais.
Mesmo entre nós, inclusive na América do Sul (a eleição de Macri, na Argentina, o “não” ao acordo de Paz na Colômbia, a crise na Venezuela) e no Brasil, essa ameaça reacionária não é fato nem novo nem isolado. E agora se instala no cume do poder político mundial, do poder econômico e do poder militar (tudo isso ao mesmo tempo), compreendendo o controle do mais poderoso arsenal atômico jamais conhecido pela humanidade.
Não é, pois, uma ameaça trivial. A questão não é Donald Trump, mas os EUA que estão emergindo desse 8 de novembro (o resultado chocante veio a lume em 9/11 o que sugere um curioso, e um tanto sinistro, espelhamento com o 11/9).
Donald Trump, porém, na presidência, poderá ser algo diverso do candidato grotesco, e dessa metamorfose já deu sinais em seu discurso logo após o reconhecimento da eleição. Metade dele foi de uma frivolidade e de um vazio dolorosos. Outra é ambígua: ele faz o discurso conciliatório de todo vencedor (e não menos de alguém preocupado com o bom funcionamento dos mercados), mas ao mesmo tempo cria imagens de reconstrução de um pais devastado. Poderá mesmo ser um acelerador do processo histórico, acentuado contradições.
Há ainda pouco indicadores de como será Donald Trump instalado no salão oval da Casa Branca, aí então à mercê de suas circunstâncias. Por enquanto, um enigma.


Roberto Amaral é escritor e ex-ministro de Ciência e Tecnologia