13.2.16

DESALENTO PETISTA (MAS HÁ OUTRO CAMINHO)

Após mais de uma década sob a hegemonia de uma estratégia que elegeu a  conciliação como valor absoluto; do pragmatismo  consolidado como caminho único para mudanças (sempre graduais); da estigmatização da mobilização social e do enfrentamento ideológico, eis que hoje a maioria dos quadros petistas e boa parte da militância de base se encontra prostrada.

Converso com meus companheiros e companheiras, militantes, quadros intermediários e mesmo dirigentes do PT e, em quase todos, só vejo desalento, pessimismo e desorientação sobre o cenário político-econômico. Sobram derrotismo, passividade,  conformismo. 

Mas, ora: nunca o PT e o projeto democrático-popular estiveram tão atacados. Estivemos à beira do impeachment de Dilma e Lula pode  até ser preso! A conjuntura exige mais do que nunca reflexão, coesão,  clareza, disposição de luta, mobilização.

TODAVIA, a responsabilidade sobre esse estado de torpor não  pode ser atribuída apenas à militância e aos quadros médios. 

Defensivismo, falta de combatividade,  burocratismo, acomodação, ausência de formação política, hiper-pragmatismo, distanciamento da luta social foi um arcabouço construído pela maioria da direção petista  e pelo nosso Lula nos últimos 20 anos.

O mais grave: mesmo nesse momento de crise mais aguda, nem a maioria da direção do  PT, nem Lula, e muito menos Dilma fazem qualquer movimentação assertiva, combativa, de enfrentamento ao tsunami reacionário.

Parecemos todos avestruzes, com nossas cabecinhas docemente enfiadas no chão.

Será que a tática (genial e secreta)  é apanhar seguidamente sete rounds e reagir no final do oitavo, com um nocaute espetacular, mimetizando Mohamed Ali - naquela lendária luta contra Foreman?

Um exemplo: alguém sabe explicar o  que foram aquelas três inserções do PT veiculadas semana passada? 

A protagonizada pelo Rui trouxe bom discurso, mas sem um chamado mais concreto à luta. A outra, reproduziu um senso comum, meio auto-ajuda, na linha "sou brasileiro, não desisto nunca" - inócua. E a terceira, pior de todas: conclamou todos brasileiros, os azuis, os verdes e  os vermelhos a abaixarem suas bandeiras, porque o momento agora é de união nacional. Cumã? Será que combinaram com os tucanos isso? Really?

Logo agora, no momento que deveria ser  de absoluta resistência, de organizar a contra-ofensiva ao golpismo e à tentativa de destruição do PT e  linchamento do Lula? 

Nesse quadro crítico, a linha da nossa direção é baixar as bandeiras vermelhas? Fugir do enfrentamento político? Torcer para crise  passar? É conciliar com quem quer nos exterminar?

Todos os dias fico me perguntando o que mais  precisa acontecer para o governo Dilma mudar sua política econômica ou para a presidenta trocar o Ministro da Justiça e dar um basta aos abusos da Polícia Federal tucana.

E o que ainda mais falta para que  Lula e a  maioria da direção do PT reajam  partam para a disputa aberta contra a direita? Quando vão parar de subestimar a grande mídia, o aparato MP-PF-Judiciário, o PSDB, a burguesia, o imperialismo?

Será que estamos esperando a prisão de Lula e a cassação de registro do PT para pensar em começar a reagir?

Daí porque que só restou à  maioria da militância petista - forjada na política de conciliação - um governismo acrítico e um profundo desalento.

O que nos salva é que nesse Brasil  existe  muita esquerda organizada. E existe o petismo, uma ampla massa militante e simpatizante, que pode fazer a diferença. 

Temos a Frente Brasil Popular (com CUT, MST, UNE, CMP), temos a Frente Povo sem Medo, temos movimentos sociais, temos o ativismo digital, a juventude progressista, temos PSOL, PCdoB, setores do PDT, PCO, a base petista não entorpecida. 

Esses setores barraram o impeachment. Apontaram a  possibilidade da construção  um campo de resistência e re-afirmação do projeto democrático-popular e socialista no Brasil.

E são esses atores que no dia 17 de fevereiro, 10h, estarão no Fórum da Barra Funda dizendo para as elites: "mexeu com Lula, mexeu comigo".
 CAMINHO) Julian Rodrigues.

12.2.16

Dilma e ministros viajam para participar de ações contra Aedes.


Presidente participará de ato no Rio de Janeiro neste sábado (13).
Cerca de 220 mil militares atuarão em 356 municípios durante mobilização.

A presidente Dilma Rousseff e 23 ministros do governo viajarão no próximo sábado (13) para participar do dia nacional de mobilização contra o mosquito Aedes aegypti, responsável pela transmissão dos vírus da zika, da dengue e da febre chikungunya.
O dia nacional de mobilização ocorre em meio às medidas do governo para combater o vírus da zika, apontado pelo Ministério da Saúde como responsável pelos casos de microcefalia que têm sido registrados em bebês desde o ano passado.

Segundo o Ministério da Defesa, no sábado, cerca de 220 mil militares da Forças Armadas percorrerão 356 municípios do país – as 27 capitais e 329 cidades consideradas “endêmicas” – para informar a população sobre a importância de erradicar os criadouros do Aedes aegypti.
Em discursos nos eventos dos quais tem participado desde as últimas semanas, a presidente Dilma tem dito que, enquanto não há vacina contra o vírus da zika, a sociedade precisa se engajar para que os focos de reprodução do mosquito sejam eliminados. Ela chegou a fazer um pronunciamento à nação, na semana passada, no qual disse que a “guerra” contra o Aedes é complexa.
Dilma
Enquanto os ministros estarão em 23 cidades do país, a presidente Dilma deverá participar da mobilização contra o mosquito no Rio de Janeiro. A cidade sediará os Jogos Olímpicos deste ano, em agosto, e tem sido foco do noticiário internacional quando o tema do vírus da zika é abordado.
Segundo o ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, mesmo com o atual cenário, não há a possibilidade de o Brasil abrir mão de sediar as Olimpíadas. Ele tem dito também que órgãos internacionais, como a Organização Mundial de Saúde (OMS) e o Comitê Olímpico Internacional (COI), podem ajudar a explicar à comunidade internacional que não é preciso deixar de visitar o Brasil em fução do surto do vírus da zika.
Veja abaixo a lista de onde cada ministro estará no dia de mobilização:
Jaques Wagner (Casa Civil) – São Luis (MA)
Ricardo Berzoini (Secretaria de Governo) – Manaus (AM)
Edinho da Silva (SECOM) – Maceió (AL)
Marcelo Castro (Saúde) – Salvador (BA)
José Eduardo Cardozo (Justiça) – Fortaleza (CE)
Juca Ferreira (Cultura) – Rio Branco (AC)
Nelson Barbosa (Fazenda) – Goiânia (GO)
Armando Monteiro (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) – Natal (RN)
Gilberto Occhi (Integração Nacioanl) – Aracaju (SE)
Alexandre Tombini  (Banco Central) – Brasília (DF)
Celso Pansera (Ciência e Tecnologia) – Vitória (ES)
Patrus Ananias (Desenvolvimento Agrário) – Belo Horizonte (MG)
Henrique Eduardo Alves (Turismo) – João Pessoa (PB)
Tereza Campello (Desenvolvimento Social) – Recife (PE)
Nilma Lino Gomes (Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos) – Teresina (PI)
Antonio Carlos Rodrigues (Transportes) – São Paulo (SP)
Kátia Abreu (Agricultura, Pecuária e Abastecimento) – Curitiba (PR)
Eduardo Braga (Minas e Energia) – Porto Alegre (RS)
Valdir Simão (Planejamento) – Belém (PA)
Miguel Rossetto (Trabalho e Previdência Social) – Palmas (TO)
George Hilton (Esporte) – Campo Grande (MS)
Gilberto Kassab (Cidades) – Cuiabá (MT)
Aldo Rebelo (Defesa) – Campinas (SP)
Filipe Matoso
Do G1, em Brasília.

8.2.16

Os equívocos do PT e o sonho de Lula!

Durante quatro a cinco décadas houve vigorosa movimentação das bases populares da sociedade discutindo que “Brasil queremos”, diferente daquele que herdamos. Ele deveria nascer de baixo para cima e de dentro para fora, democrático, participativo e libertário. Mas consideremos um pouco os antecedentes histórico-sociais para entendermos por quê esse projeto não conseguiu prosperar.

É do conhecimento dos historiadores, mas muito pouco da população, como foi cruenta a nossa história tanto na Colônia, na Independência como no reinado de Dom Pedro I, sob a Regência e nos inícios do reinado de Dom Pedro II. As revoltas populares, de mamelucos, negros, colonos e de outros foram exterminadas a ferro e fogo, a maioria fuzilada ou enforcada. Sempre vigorou espantoso divórcio entre o Poder e a Sociedade. Os dois principais partidos, o Conservador e o Liberal, se digladiavam por pífias reformas eleitorais e jurídicas, porém jamais abordaram as questões sociais e econômicas.

O que predominou foi a Política de Conciliação entre os partidos e as oligarquias mas sempre sem o povo. Para o povo não havia conciliação mas submissão. Esta estrutura histórico-social excludente predominou até aos nossos dias.

No entanto, pela primeira vez, uma coligação de forças progressistas e populares, hegemonizadas pelo PT, vindo de baixo, chegou ao poder central. Ninguém pode negar o fato de que se conseguiu a inclusão de milhões que sempre foram postos à margem. Far-se-iam em fim as reformas de base?

Um governo ou governa sustentado por uma sólida base parlamentar ou assentado no poder social dos movimentos populares organizados.

Aqui se impunha uma decisão. Na Bolívia, Evo Morales Ayma buscou apoio na vasta rede de movimentos sociais, de onde ele veio como forte líder. Conseguiu, lutando contra os partidos.

Depois de anos, construiu uma base de sustentação popular, de indígenas, de mulheres e de jovens a ponto de dar um rumo social ao Estado e lograr que mais da metade do Senado seja hoje composta por mulheres. Agora os principais partidos o apoiam e a Bolívia goza do maior crescimento econômico do Continente.

Lula abraçou a outra alternativa: optou pelo Parlamento no ilusório pressuposto de que seria o atalho mais curto para as reformas que pretendia. Assumiu o Presidencialismo de Coalizão. Líderes dos movimentos sociais foram chamados a ocupar cargos no governo, enfraquecendo, em parte, a força popular.

Para Lula, mesmo mantendo ligação com os movimentos de onde veio, não via neles o sustentáculo de seu poder, mas a coalizão pluriforme de partidos. Se tivesse observado um pouco a história, teria sabido do risco desta política de Coalização que atualiza a política de Conciliação do passado.

A Coalizão se faz à base de interesses, com negociações, troca de favores e concessão de cargos e de verbas. A maioria dos parlamentares não representa o povo mas os interesses dos grupos que lhes financiam as campanhas. Todos, com raras exceções, falam do bem comum, mas é pura hipocrisia. Na prática tratam da defesa dos bens particulares e corporativos. Crer no atalho foi o sonho de Lula que não pode se realizar.

Por isso, em seus oito anos, não conseguiu fazer passar nenhuma reforma, nem a política, nem a econômica, nem a tributária e muito menos a reforma agrária. Não havia base.

A “Carta aos Brasileiros” que na verdade era uma Carta aos Banqueiros, obrigou Lula a alinhar-se aos ditames da macroeconomia mundial. Ela deixava pouco espaço para as políticas sociais que foram aproveitadas tirando da miséria 36 milhões de pessoas. Nessa economia, o mercado dita as normas e tudo tem seu preço.

Assim parte da cúpula do PT, metida nessa Coalizão, perdeu o contato orgânico com as bases, sempre terapêutico contra a corrupção. Boa parte do PT traiu sua bandeira principal que era a ética e a transparência.

E o pior, traiu as esperanças de 500 anos do povo. E nós que tanta confiança depositávamos no novo, com as milhares comunidades de base, as pastorais sociais e os grupos emergentes…

Elas aprenderam articular fé e política. A mensagem originária de Jesus de um Reino de justiça a partir dos últimos e da fraternidade viável, apontava de que lado deveríamos estar: dos oprimidos. A política seria uma mediação para alcançar tais bens para todos. Por isso, as centenas de CEBs não entraram no PT; fundaram células dele e grupos, como instrumento para a realização deste sonho.

O partido cometeu um equívoco fatal: aceitou, sem mais, a opção de Lula pelo problemático presidencialismo de coalizão. Deixou de se articular com as bases, de formar politicamente seus membros e de suscitar novas lideranças.

E aí veio a corrupção do “mensalão” sobre o qual se aplicou uma justiça duvidosa que a história um dia tirará ainda a limpo. O “petrolão” pelos números altíssimos da corrupção, inegável, condenável e vergonhosa, desmoralizou parte do PT e parte das lideranças, atingindo o coração do partido.

O PT deve ao povo brasileiro uma autocrítica nunca feita integralmente. Para se transformar numa fênix que ressurge das cinzas, deverá voltar às bases e junto com o povo reaprender a lição de uma nova democracia participativa, popular e justa que poderá resgatar a dívida histórica que os milhões de oprimidos ainda esperam desde a colônia e da escravidão.

Apesar de tudo, e quer queiramos ou não, o PT representa, como disse o ex-presidente uruguaio Mujica, quando esteve entre nós, a alma das grandes maiorias empobrecidas e marginalizadas do Brasil. Essa alma luta por sua libertação e o PT redimido continua sendo seu mais imediato instrumento.

Quem cai sempre pode se levantar. Quem erra sempre pode aprender dos erros. Caso queira permanecer e cumprir sua missão histórica, o PT faria bem em seguir este percurso redentor.

Por Leonardo Boff.