12.9.16

Temer arma um pacote de ameaças ao trabalhador.

A cada dia fica mais nítido o caráter de classe do governo usurpador: antidemocrático, antipopular e antinacional. Depois de rasgar a Constituição, impondo um golpe de Estado para depor a presidenta eleita Dilma Rousseff, o presidente ilegítimo Michel Temer deixa correr solta a repressão às manifestações populares, que crescem em todo o País –- como se viu ontem em várias regiões.
Nesta semana, já deu a voz de comando a seus asseclas no Congresso para que disparem o tiro fatal contra a Petrobrás (já ferida pela entrega do campo de Carcará à norueguesa Statoil) e aprovem o projeto de José Serra, que retira da empresa a condição de operadora única dos campos do pré-sal e, em seguida, a mudança do regime de partilha para o esquema de concessão. Aliás, concessões e privatizações em série integram o programa entreguista dos golpistas.
Para quem tinha dúvida a respeito dos objetivos da súcia de investigados e denunciados que derrubaram a presidenta, está na pauta das próximas semanas um pacote de retirada de direitos sociais e trabalhistas. Tudo voltado para aumentar os ganhos dos privilegiados, que já se fartam com os vergonhosos rendimentos da especulação financeira, com juros a perder de vista.
Já não bastasse a PEC 241, a PEC do estado mínimo, que pretende congelar os gastos do orçamento (menos as despesas financeiras), sacrificando saúde, educação, saneamento, programas sociais, mobilidade urbana, moradia popular e investimentos para o Brasil crescer, agora é a vez do assalto à Previdência Social e à CLT.
Primeiro são os balões de ensaio, rapidamente esvaziados com a ajuda da mídia monopolizada. Depois, as medidas reais, como a fixação da idade mínima de 65 anos para homens e mulheres se aposentarem e a unificação do regime de aposentadoria para servidores públicos e das empresas privadas.
A mais recente investida contra os direitos dos trabalhadores -– que terá uma resposta vigorosa no próximo dia 22, com paralisações organizadas pelas centrais sindicais –- é  a proposta de estender em mais 4 horas a jornada de trabalho, além de permitir a fragmentação dos contratos, por hora trabalhada, e introduzir a figura do negociado a prevalecer sobre o legislado. Por fim, a aprovação da PEC 4330, que amplia as terceirizações para qualquer atividade laboral.

Diante desta escalada, os partidos de esquerda, frentes, movimentos sociais, jovens, intelectuais, artistas precisam dar uma dupla resposta: nas ruas (com o Fora Temer e Diretas Já) e nas eleições. O voto contra os golpistas fragiliza o governo usurpador e dificulta suas manobras. Em São Paulo, a maior cidade do País, só Fernando Haddad e Luiza Erundina combatem o golpe; os outros (e a outra) são da turma do Temer.

Rui Falcão - Presidente do Partido dos Trabalhadores.

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