14.3.15

“Não vai ter Golpe!”.

Foi este o som que ouvi ao chegar na rodoviária de Brasília ontem, 13. Já do hotel dava para ver e ouvir o barulho de um helicóptero sobrevoando, por mais de uma hora, a região onde aqueles que querem a permanência do estado de direito no Brasil, tinham marcado o ato público. A primeira visão foram carros de polícia ao redor. O governo do Distrito Federal mobilizou um grande contingente para, proteger, manifestantes e a população.
Ao chegar, onde estava a multidão, encontrei as escadarias e escadas rolantes, tomadas por “Vermelhos”, entusiasmados. Bandeiras da CUT, do PT e do Brasil, faziam parte com um só objetivo, a manutenção da democracia e não a tentativa de golpe que a grande mídia está patrocinando. Eu me senti entre os “meus”. Como se estivesse na minha cidade. Como é bom participar de mais uma luta política, onde jovens estavam juntos dos “velhos companheiros”. Eu tive a sensação de que não estamos sós. A renovação virá, que uns queiram ou não. A juventude está presente e mais uma vez será a vanguarda nos movimentos.
Ao me misturar na multidão, vi o sorriso, a felicidade de estarem ali, no rosto de todos.
Policiais, tinham para arrumar problemas até demais. Mas eles se comportaram. Visto que, os manifestantes não deram o menor motivo para serem atacados. E olhem que, em alguns momentos, a impressão era de que eles iriam fazer alguma “merda”.
Sem provocação! Sem provocarem! Os manifestantes passaram mais de três horas circulando pela rodoviária de Brasília e seus arredores. Foi um ato cívico daqueles que votaram na permanência do Governo Dilma, e na manutenção das políticas públicas que foram criadas nestes últimos doze anos pelo Partido dos Trabalhadores na Presidência da República do Brasil.
No domingo, 15, vem a turma do Golpe. Andam falando que estão sendo patrocinados por famílias de magnatas americanos, que enriqueceram com o mercado do petróleo. Isso eu não sei se é verdade. Mas aposto R$ 1,00 que tem o dedo do Governo Americano nesse falso clima de desgoverno que está sendo massificado pela grande mídia brasileira.
Dimas Roque.


10.3.15

Bomba! Doleiro delatou FHC e Cerra!

Batam as panelas por eles.

No domingo eu estava em casa, e soube pelas redes sociais que “houve” um panelaço no Brasil. Aí me bateu um sentimento de que estou morando em outro país. Sim, isto mesmo! Porque de onde eu estava, a única panela que fazia barulho era a que meu filho estava usando para fritar carne de soja. E de tanta pressão nos programas televisivos, eu tive a curiosidade de sair na rua em que moro para “ouvir” o tal “panelaço”. Encontrei as belas crianças que sempre estão brincando de bola, correndo de um lado para o outro, e até distante da internet, vivendo no mundo real.
Mais surpreso eu fiquei quando surgiram vídeos mostrando Ruas em São Paulo, onde algum barulho estava sendo feito. No primeiro momento, achei que a turma do golpe estava se saindo bem, há estes paulistas. Mas um dos meus filhos, mais atento as artes, percebeu que vários desses vídeos estavam bastantes produzidos. Com edição profissional. E foi ai que percebemos que muito daquilo era uma armação. Porque, como disse ele, “como alguém sabia que naquele prédio, naquele momento, pessoas iriam bater panelas?”.
Enquanto na segunda-feira, 09, a grande mídia vociferava que o “Brasil bateu panelas”, eu em minha inocência falava com uns amigos, que é preciso que a Dilma distribua canais de TVs, Rádios, comunitárias e comerciais aos quatro cantos do país a pessoas que possam falar o outro lado da história. Ela precisa dar voz aos que são bombardeados diariamente com mentiras que de tanto serem ditas, parecem ser a verdade.
Ou Dilma, porque o Partido dos Trabalhadores me parece impotente neste momento, faz alguma coisa para que o contraditório as notícias manipuladas diariamente, possa ter voz, ou iremos continuar perdendo a luta da comunicação. É desproporcional o que acontece atualmente no Brasil. Não podemos viver no mundo virtual, mesmo que seja o novo e a saída que encontramos. Nós precisamos ter vez para debatermos com a voz dos donos dos grandes conglomerados de mídia no Brasil.

Para a turma do “Coração Valente” no Whatssap, que batam as panelas por eles, os sem voz do Brasil.
Dimas Roque.

A crise elétrica e a grande imprensa.


Sem dúvida é grave a situação do setor elétrico. E pode se tornar dramática se medidas urgentes não forem tomadas. Pode-se até repetir o desabastecimento ocorrido há 15 anos, por deliberada decisão política de não se fazer os investimentos necessários na geração, transmissão e distribuição de energia.

As condições de hoje não são as mesmas do passado recente, mas os resultados da atual crise poderão ser idênticos. A oferta e o consumo de energia cresceram, como também cresceu a malha de transmissão. Mas nada cresceu como a ganância das distribuidoras privatizadas que – lastreadas em contratos draconianos de concessão (também chamados de privatização)– impõem ao consumidor uma das mais caras tarifas de energia elétrica do mundo, enquanto a qualidade dos serviços prestados é sofrível. E piora com o passar do tempo.

Para o não especialista, ávido por compreender o que se passa para ter a sua opinião, reina uma grande confusão. Pois uma grande parte dos chamados “especialistas”, convidados a opinar e debater, e dos chamados “articulistas”,ou “formadores de opinião”, acaba cometendo uma fraude contra os cidadãos. Querem fazer crer que o que dizem são comentários objetivos, isentos, sem ideologia. Quando estão, na verdade, comprometidos com os interesses das empresas, do capital, do mercado.

Não assumir a visão ideológica é cinismo, empulhação. Dizem acreditar de fato que a mão invisível do mercado pode tudo, que o liberalismo é o que pode resolver os problemas existentes.  Problemas esses resultantes essencialmente da mercantilização da energia elétrica, promovida pelos guardiões do pensamento do mercado a partir de 1995, e que culminou no racionamento de 2001/2002. Em 2004, depois de sofrer pequenas mudanças cosméticas, o Modelo do Setor Elétrico passou a ser chamado de “Novo Modelo do Setor Elétrico”.

Dizem que a situação vai de mal a pior por obra e culpa do governo de plantão. Falam em nome de uma ideologia à qual devotam uma crença inabalável, e prestam um desserviço aos interessados em informações, quando emitem opiniões baseados em um só lado da moeda. Partidarizam a discussão, fazem a luta política em um contexto no qual a política elétrica atual é uma continuação daquela de governos e partidos políticos que governaram o país desde o começo da Nova República. É o sujo falando do mal lavado.

O que esses “especialistas” não questionam é a existência de uma concentração de poderes e de um acentuado caráter autoritário na condução da política do setor elétricono país, o que acaba subordinando o futuro ao presente. Verifica-se que, ao longo do tempo, feudos partidários foram instalados no governo federal, sendo um deles o Ministério de Minas e Energia, cujo segundo escalão concentra muitos órgãos com alto e forte poder de decisão financeira e administrativa. É uma excrescência este ministério, tão relevante e estratégico ao país, ser considerado como moeda de troca no “toma lá, dá cá” das composições políticas. E o loteamento político do atual Ministério de Minas e Energia repete fórmulas já usadas nos governos anteriores.

Preconiza-se, com urgência, uma maior publicização da questão energética na sociedade, incentivando o debate de idéias e o confronto de interesses em condições adequadas de informação e conhecimento, se constituindo assim em instrumentos fundamentais na formulação de uma estratégia energética sustentável e democrática. A democratização do planejamento do setor energético por meio da abertura de espaços efetivos e transparentes de participação e controle social é tarefa para ontem.

Dentre as medidas recentes tomadas para combater a crise elétrica, uma que se convencionou chamar de “realismo tarifário” promoveu um aumento desproporcional e despropositado das tarifas elétricas, beneficiando diretamente o caixa das distribuidoras, que exercem um forte lobby junto às autoridades do setor elétrico. Sem dúvida, energia mais cara acarretará menor consumo, que assim aliviará, em parte, a pressão sobre a demanda, i.e. sobre o sistema como um todo.

Entre essas e tantas, debater a regulação econômica da mídia é mais do que necessário é urgente. Somente assim poderemos almejar uma sociedade com mais pluralismo e mais democracia, com cidadãos que poderão olhar criticamente uma notícia sob variados pontos de vista e não apenas a partir da “verdade única” dos colunistas, dos “especialistas”, desses endeusadores do oráculo do mercado.
Heitor Scalambrini Costa - Professor da Universidade Federal de Pernambuco.

9.3.15

Rui assegura abertura de concurso na Educação e quer apoio da sociedade.

O governador Rui Costa voltou a defender maior participação da sociedade no Pacto Pela Educação, que vai ser lançado ainda este mês. O Pacto prevê acordos entre Estado e Prefeituras com metas de desempenho como melhoria da qualidade de ensino e informatização das redes públicas com acesso a internet nas salas de aula. Rui também assegurou a abertura de concurso público para professores para este ano e contratações especiais nas áreas em que não há educadores.

Confira a íntegra da coletiva de imprensa, agora pela manhã durante a cerimônia de abertura do ano letivo, na escola Parque, em Salvador.

8.3.15

O que é ser politizado.

Ser politizado é entender como funcionam as relações de poder em cada sociedade e no mundo em geral. É compreender que, por trás das relações de troca no mercado existem relações de exploração. Que, por trás das relações de voto, existem relações de dominação. Que, por trás das relações de informação, há um processo de alienação.

Ser politizado, no mundo de hoje, significa compreendê-Io no marco das relações capitalistas de acumulação e de exploração. Representa entender o mundo no marco da hegemonia imperial estadunidense, baseada na força militar e na propaganda do modo de vida estadunidense.

Ser politizado é compreender que tudo o que existe foi produzido historicamente, pelas relações entre os homens e o meio em que vivem. Ou melhor, entre os homens, intermediados pelo meio em que vivem. E que, portanto, tudo o que foi construído pelos homens pode ser desconstruído e reconstruído. Que tudo é histórico. Que a própria separação entre sujeito e objeto - que nos aparece como "dada" - é produzida e reproduzida cotidianamente mediante relações econômico-sociais alienadas.

Ser politizado é saber subordinar as contradições menores às estratégicas, saber que as contradições com o capitalismo são sempre também contra o imperialismo, pela fase histórica atual do capitalismo.

E o que é ser despolitizado
Já ser despolitizado é achar que as coisas são como são porque são como são, sempre foram assim e sempre serão. É considerar que as pessoas sempre buscam tirar vantagens que não têm grandeza para lutar desinteressamente por um mundo melhor. Que o que diferencia as pessoas é a ambição de melhorar na vida, que a grande maioria não tem jeito mesmo.

Entre o ser politizado e o despolitizado está a alienação, a falta de consciência da relação entre nós e o mundo. Alienar é entregar o que é nosso para outro - como diz a definição jurídica em relação a bens. Ser alienado é não perceber a presença do sujeito no objeto e vice-versa, sua vinculação indissolúvel.

A luta pela emancipação humana é uma luta contra toda forma de exploração, de dominação, de discriminação, mas, antes de tudo e sobretudo, uma luta contra a alienação - condição de todas as outras lutas.

Emir Sader é Cientista Político.