28.12.14

Marco Aurélio Garcia: Reforma política e regulação da mídia só com mobilização da sociedade.

Uma longa entrevista ao site Sul21 por Marco Aurélio Garcia. assessor especial do Planalto, parece dar alguma luz aos planos do novo governo Dilma em relação à reforma política e à regulação da mídia no Brasil. Nesta entrevista, que não mereceu muita repercussão, dada talvez à proximidade do Natal, o assessor, ex-presidente nacional e um dos principais teóricos do PT, além de formulador, juntamente com Celso Amorim e Samuel Pinheiro Guimarães, da política externa independente, iniciada por Lula e reforçada por Dilma, Marco Aurélio cuida em explicar a posição do governo frente a esses dois temas cruciais para a governança e a soberania brasileira.
(Veja adiante opinião de Tânia Faillace)

Sobre a reforma política, Garcia assinala: “Acho que a reforma política está muito dependente da mobilização da sociedade. O governo terá suas iniciativas, obviamente, mas sem grande mobilização da sociedade não haverá reforma política”. Sobre o projeto respectivo da OAB e da CNBB, com base na coleta de assinaturas, (veja aqui video-entrevista com Marcello Lavanère), ele diz que  ”vamos chegar em um momento onde vai afunilar esse grupo de projetos, permitindo que a gente tenha uma alternativa suficientemente inovadora, mas, ao mesmo tempo, passível de ser aprovada”. O fato de ter sido eleito um Congresso mais conservador, em 2014, ” vai fazer com que nós tenhamos que combinar objetivos mais de fundo, mais gerais, com uma habilidade tática, por assim dizer”.
Igual cuidado é observado quando Marco Aurélio Garcia fala do projeto anunciado pela presidenta da regulação da mídia: “”A presidenta tem insistido que vai fazer isso. Agora, os problemas da comunicação no Brasil não passam exclusivamente por esse mecanismo de regulação. Eu acho que vai ser muito importante, também, que os setores democráticos possam construir os seus instrumentos. Estamos em um período de transição, do ponto de vista global, do que diz respeito aos meios de comunicação. Porque se fala muito que estaria ocorrendo um declínio da imprensa escrita. Eu não acho que seja tanto assim, porque uma pesquisa recente mostrou que cerca de 60% dos conteúdos que estão na blogosfera são conteúdos publicados pelos jornais. O que está ocorrendo é uma espécie de mudança da função dos jornais impressos. Os jornais impressos, que antes eram uma fonte de notícias, hoje, além de serem essa fonte de notícia, de comentários e de, análises, eles passam a ser também uma agência de notícias. Nas rádios, onde a audiência ainda é muito grande, e mesmo na televisão, o que há, de uma certa maneira, é uma repercussão dessa matéria escrita que sai nos jornais e na blogosfera também. Acho que aqueles setores democráticos, que querem construir uma mídia alternativa, vão ter que pensar nessas questões”.
Por: FC Leite Filho do Café na Politica.

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