4.9.14

PODERÁ FALTAR CONSISTÊNCIA. (Fernando Montalvão)

PODERÁ FALTAR CONSISTÊNCIA.
As pesquisas vinham indicando Dilma brigando para decidir no primeiro turno, Aécio com corpos de desvantagens e Campos como o coadjuvante a proporcionar o 2º Turno.
Lastimavelmente, dada à perda da liderança emergente, Eduardo faleceu em acidente aéreo, se abriu novos horizontes na política nacional com a entrada de Marina na disputa eleitoral. A recém-lançada candidata presidencial desbancou Aécio e passou a se vislumbrar vitória dela no 2º turno sobre Dilma. No dia imediato a sua indicação como candidata em substituição a Eduardo, ela  defenestrou o coordenador da campanha do PSB que xingou por todo lado.
Passado o impacto da morte de Eduardo Campos e sua substituição por Marina, em primeiro momento apareceu uma candidata avalassaladora que começa a mostrar certa de falta de consistência e clareza do que pretende ser o novo Brasil por ela pregado. Marina passou de mera assistente como candidata a vice para ser vidraça e começou amargar suas próprias contradições.  Dilma e Marina tem em comum a mesma paternidade política, Luís Inácio da Silva. Nenhum delas teria vida política própria sem ele.
Como o projeto Aécio Neves vinha fazendo água a entornar o barco, o surgimento de Marina era tudo o que queria quem se diz: “Hay Lula soy contra”. Passado o primeiro momento da euforia Marina não vem sabendo desvencilhar-se de suas próprias contradições. Não tem um projeto definido para o novo Brasil.
Estive acompanhando os debates e noticiários televisivos e o que ouça dela é que o Bolsa Família é bom e vai ser melhorado; o projeto Minha Casa e Minha Vida é bom e vai ser melhorado; o SUS é bom e vai ser melhorado; o programa Mais Médicos é bom e vai ser melhorado e por ai afora, o que vale dizer, vou continuar o que Lula fez.
Marina que era tudo alegria começou a pagar seus próprios pecados. No trato sobre política LGBT e das usinas nucleares mostrou insegurança. Na primeira arremetida do Pastor Malafia ela alterou seu programa de governo para não se incompatibilizar com os evangélicos que ela também faz parte. Noutro ângulo, ela se recursou a divulgar os nomes das pessoas, empresas ou instituições que pagaram a ela por suas palestras, faltando transparência a quem pretenda ser o cidadão acima de qualquer suspeita..
O Brasil de Jânio Quadros e Collor de Mello não foram os melhores exemplos para o Brasil e Já se liga Marina às figuras deles. Ambos fizeram campanhas dizendo combater a corrupção, o primeiro com a vassoura, e o segundo com a ira contra os marajás. Deu no que deu. Ambos renunciaram.
As pesquisas divulgadas na noite de hoje, 03.09, dão conta de certa tendência para Marina patinar e recuperação de Dilma. Todo mundo fica apreensivo com os números divulgados nas pesquisas de opinião dos eleitores como se elas fossem determinar a vitória de quem esteja em primeiro. Pesquisa tem várias interpretações e com toda sua carga cientifica não é capaz de adentrar no subjetivo das pessoas. Ela revela tendência e suas flutuações. Apenas isso. Quem vai decidir em quem votar é o eleitor.
Temos o mês de setembro pela frente e mais os cinco dias de outubro. Via de regra, eleições são decididas nos últimos dez dias, reta de chegada, quando cada candidato buscam os indecisos e esses se definem até na hora de votar.  Embora não sendo cientista político, não acredito nas simulações do 2º turno antes da realização do primeiro. O segundo turno é uma nova eleição que não guarda relação com a primeira, exceto a escolha dos dois candidatos mais votados.
Creio que poderá faltar consistência Marina lhe garantir uma estabilidade eleitoral. Tenho para mim que ela deveria  dizer como vai governar e com quem vai governar. Em um dos debates entre os presidenciáveis ele fez referencia a serra como a integrar o seu governo, aliás, como defendeu hoje o “barata tonta” do Roberto Freire. Mesmo um tanto cansado com a política PSDB X PT, não me influencio em primeira hora com qualquer candidatura. Se o novo não demonstrar coerência e isso não vou encontrar, vou continuar do lado da mesma parede das últimas eleições. 
Paulo Afonso, 03 de setembro de 2014.

Fernando Montalvão.
Montalvão Advogados Associados.

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