20.8.12

A POBREZA É FRANCISCANA E É DE DAR DÓ.


Que eu me lembre, o atual processo de eleição para prefeito e vereadores em Paulo Afonso é o mais insosso e menos empolgante dentre todos a contar da redemocratização da vida política em Paulo Afonso com eleição direta de Prefeito no ano de 1985, quando José Ivaldo foi eleito derrotando Luís de Deus e o ex-padre Alcides com mais de 50% dos votos.
Na sucessão de José Ivaldo concorreram Luís de Deus, Gilvo de Castro e Francisca Barros, saindo vencedor Luís de Deus com uma margem de votos de dois a três mil sobre Gilvo de Castro que era o candidato oficial, salvo engano, e se eu estiver errado que seja corrigido.
Depois da gestão de Luís de Deus seguiram-se as demais administrações dos Deuses com Anilton e Paulo de Deus e ai deixou de haver oposição e os candidatos oposicionistas que concorreram naquele período se apresentaram mais como sparings ou anticandidatos, como Ulisses Guimarães na ditadura militar e como toda regra tem exceção, quando da primeira eleição de Anilton concorreram José Ivaldo e o hoje Dep. Fed. Mário Negromonte, quando a disputa foi acirrada.
Como o modelo político-administrativo situacionista se exaurira, quando concorreram Wilson Pereira e Raimundo Caires na sucessão de Paulo de Deus, deu o último, ainda sob o efeito psicológico da retirada da candidatura de José Ivaldo que criou o sentimento de unida a oposição ganharia. Em verdade, isso foi muito importante para o crescimento da candidatura de Raimundo sem ser o pano de fundo que na verdade era o cansaço da população com as administrações repetidas.
Raimundo Caires assumiu o poder e no esvaziamento das lideranças políticas até então de oposição, durante os quatros anos de sua administração constituiu liderança própria, o que foi confirmado na eleição para deputado estadual, contudo, o que se viu naquele período é que as oposições reunidas em Paulo Afonso não tinham um projeto político para Paulo Afonso e nem modelo de desenvolvimento.
Na sucessão de Raimundo Caires as oposições não comungaram da mesma hóstia e deu no que deu, Anilton na cabeça em margem apertada em relação a Raimundo (diferença por volta de 3.000 votos) e duas candidaturas pífias, a do PT, com Maninho, e a do PP, com Val, que somadas sequer garantiriam a vitória de Raimundo.
Dimas Roque em artigo subscrito para o noticiasdosertao sob o título “Oposição em Paulo Afonso perde eleição para ela mesma” lembrou que a falta de aliança do PT com o PSB em 2008 foi determinante para a derrota de Raimundo, e como lá, entende que agora tem forças de oposição apostando na derrota.
Nas eleições de 2008 eu participei dela em alguns momentos e principalmente nos últimos, antes do fechamento das atas convencionais na tentativa de fechar uma composição PT-PSB. Depois daquelas eleições me convenci de que nem Raimundo Caires e nem Paulo Rangel tinham interesse na aliança. Para Raimundo, ele Prefeito, sozinho, ganharia as eleições e quase ganhou. Creio que se as eleições demorassem mais 15 dias o resultado poderia ser outro. Raimundo em abril já escolhera seu vice-prefeito, Aldo se desincompatibilizara do cargo. Para Paulo Rangel, talvez a vitória de Raimundo consolidasse a liderança que Raimundo já tinha, retirando a possibilidade de consolidação de lideranças políticas outras.
Dimas deverá entender que as oposições perdem para si mesmas não apenas por mera incapacidade de se reunir no processo eleitoral. Elas perdem para si mesmas quando durante 04 anos não fizeram oposição, não podendo se confundir oposição como alternativa de poder com algumas brigas pessoais entre alguns vereadores e determinados integrantes do Poder Executivo, coisas paroquiais e sem relevância para o eleitorado, ou a conduta da bancada de oposição por ser maioria na Câmara votar contra o Prefeito ou retardar a discussão de matérias de relevância para a população.
Embora aguas passadas não movam moinho, somente se recorrendo à história é que se poderá traçar caminhos e alternativas para o futuro.
Quanto ao pleito do próximo dia 07 de outubro em Paulo Afonso não estando engajado em campanha de qualquer candidato, politicamente ou como técnico profissional, me sinto a cavalheiro para tecer considerações, mesmo batendo em teclas anteriormente já batidas. No dia das eleições irei até a minha seção de votação localizada no Sete e darei o meu voto, tão somente.
O que me levou ao presente artigo foi o título que encontrei no jornal A Tarde, edição on line de hoje, domingo, 19.08, de onde extraio: “Candidatos querem educação em tempo integral na cidade.”
A política de desenvolvimento para um Município vai da melhoria dos sistemas de saúde, educação, transporte, serviços urbanos, criação de emprego e renda, implantação de projetos de desenvolvimento econômico-social, lazer, supressão das carências e por ai vai.
A partir do gancho do título do jornal A Tarde (“Candidatos querem educação em tempo integral na cidade) é que criei o título do texto (“a pobreza é franciscana e é de dar dó”).
Eu digo que a campanha eleitoral de Paulo Afonso é a menos empolgante e a culpa maior cabem às oposições que nos últimos 04 anos não fizeram uma oposição construtiva e sólida e até agora na campanha não apresentaram uma alternativa política de desenvolvimento e de melhoria de vida da população, especialmente a mais carente. Sem discurso não se constrói candidatura.
Em Salvador todos os candidatos defendem escola em tempo integral que é um modelo de ensino construído por Anísio Teixeira e incorporado por Brizola no Rio de Janeiro com os CIEPS. Aqui em Paulo Afonso a pergunta é: Qual é o modelo de desenvolvimento do ensino defendido pelos candidatos? Resposta: Nenhum, já que não se tem notícias de que algum candidato tenha discutido a matéria, pelo menos até agora nada se divulgou.
A situação em Paulo Afonso que era oposição ao Governo do Estado hoje faz parte dessa mesma base política e isso derrubou o viés ideológico que poderia haver na atual campanha eleitoral. Se a situação que antes era DEM, conservadora, agora está com o PT e o Governador do Estado, progressistas, formado a mesma base, afastou qualquer discurso ideológico, discurso que já fora enterrado na queda do muro de Berlim e nas alianças do Governo Lula, mantido por Dilma. Anilton rodeado por Paulo Rangel, dep-PT, e Marcelo Nilo, Presidente da Assembleia Legislativa e dep- PDT, coligado com o PT local, se reuniu a nata da situação no Governo do Estado. Se o Governador Wagner influenciar no eleitorado de Paulo Afonso, pedirá voto para Anilton.
Como estamos ainda a 10 dias do término de agosto, e até 07 de outubro, dia das eleições, teremos ainda 47 dias de campanha, até lá esperamos que os candidatos discutam os temas que interessam aos munícipes, já que o eleitor nas eleições municipais é imediatista, ele vota a quem atendeu as suas necessidades e contra quem não atendeu.
Se for mantida a falta de discurso político no processo eleitoral e se as oposições não levantarem questões ou não oferecem alternativas de desenvolvimento para o Município capazes de atrair o eleitor, a situação que tem uma máquina administrativa azeitada e eficiente agradecerá e aguardará 07.10 para correr para o abraço.
Se não for possível ganhar, que se enriqueça o debate político-administrativo. Pelo menos isso.
NUMEROS DE PAULO AFONSO. Segundo o TSE, em Paulo Afonso, 75.920 eleitores estão aptos para o exercício do voto nas próximas eleições. Nas eleições de 2008, para prefeito, entre abstenção, votos nulos e brancos, o percentual foi de 26,66%. Mantida a média nas próximas eleições, arredondando esse percentual para 27%, o resultado é que serão 55.529 votos válidos e que elegerão o prefeito. Quem obtiver 27.765 votos não perde mais. Esse número poderá ser reduzido a depender do desempenho de cada candidato, desde que o vencedor tenha a maioria dos votos válidos.
Mantida essa tendência, o quociente eleitoral para eleição de vereador será de 3.701 votos. Nas eleições passadas somente três vereadores tiveram mais de 2.000 votos e 03 outros ficaram acima de 1.500 votos. O que se elegeu com a menor votação teve 1.039, embora 03 outros candidatos com votação maior ficassem de fora. O problema é a complexidade do preenchimento de vagas pelo sistema de sobras. Quem conseguir um patamar mínimo de 2000 votos deverá se eleger na primeira rodada, o mesmo devendo acontecer quem tiver entre 1.500 e 2.000 em segunda rodada. Mesmo com 15 cadeiras para se preencher quem tiver menos de 1.000 muito dificilmente poderá encomendar o paletó para a posse, salvo se surgir um tiririca que se eleja e leve mais outros.
Paulo Afonso, 19 de agosto de 2012.
Fernando Montalvão. montalvao@montalvao.adv.br
Montalvão advogados Associados.

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