27.12.07

Morte de Fernando Aldo era tramada desde maio

A morte do vereador por Delmiro Gouveia, Alagoas, Fernando Aldo Gomes Brandão, crime praticado na madrugada de 1º de outubro em Mata Grande, vinha sendo tramada desde o mês de maio. É o que apontam as investigações dos delegados Kátia Emanuelly Castro, José Edson Freitas Júnior e Paulo Cerqueira, divulgadas agora há pouco na direção-geral da Polícia Civil. Os delegados que presidiram as investigações são aprovados no último concurso, tendo cerca de 5 anos dentro da instituição. Segundo o inquérito policial, que foi entregue no final desta tarde à 17ª Vara Criminal (dos crimes de mando), em maio, um homem identificado como Arnóbio teria ido a Delmiro Gouveia e procurado o militar da reserva Dilson para que ele acompanhasse toda a movimentação do vereador Fernando Aldo. No dia das mães, ou seja, em maio, Arnóbio foi assassinado em Pernambuco com mais de 100 tiros. De acordo com os delegados, Arnóbio havia sido citado pela família Ferro como um dos autores do crime de “Bastinho Ferro”. Esta acusação teria sido a motivação da morte de Arnóbio. No início de setembro, os pistoleiros Wellington e Nildo, irmãos de Arnóbio, estiveram em Delmiro Gouveia e procuraram Dilson a fim de contratá-lo para matar Fernando Aldo. Durante a estadia em Delmiro Gouveia, Wellington e Nildo ficaram na granja de um comerciante, identificado pela polícia apenas como Alexandre. “Aproveitando a presença dos pistoleiros, Alexandre encomendou a morte de dois homens que assaltaram seu estabelecimento. Os ladrões estavam em Piranhas. Os pistoleiros estavam com um Astra creme, roubado no Rio de Janeiro. Com este veículo eles interceptaram uma Van de transporte alternativo e conseguiram matar um dos bandidos. O outro conseguiu fugir. Mas o plano não havia dado certo, uma vez que o carro tinha sido visto e a placa divulgada, e também um dos bandidos fugiu. Wellington e Nildo tiveram que sair da cidade e não completaram ainda o plano de matar Fernando Aldo. Eles levaram o carro para o lixão de Piranhas e atearam fogo no carro”, explica o diretor-geral da Polícia Civil, delegado Carlos Alberto Rocha Fernandes Reis. No dia 30 de setembro, depois de fecharem com o soldado Carlos Marlon Gomes a participação no homicídio, Wellington e Nildo teriam voltado para Delmiro Gouveia, a fim de matar Fernando Aldo. O homicídio seria praticado após a Missa do Vaqueiro, mas o crime não teria sido consumado porque o vereador estava o tempo todo com o filho de seis anos no colo e os criminosos não teriam tido coragem de efetuar os disparos. “Dia seguinte, Fernando Aldo foi para a cidade de Mata Grande, para o último dia do carnaval fora de época. Por volta das 1h, ele deixou sua família no palanque da festa e disse que ia até o carro para descansar um pouco. Ao chegar em seu veículo, notou que um dos pneus estava vazio. Quando abria a porta do carro foi rendido pelo soldado Marlon, que efetuou nove disparos de pistola nove milímetros”, afirma o delegado Edson Júnior. Segundo a equipe que investigou o caso, todos os resultados obtidos foram fruto de intenso trabalho de inteligência. “Todas as reuniões pós-crime foram fotografadas e filmadas. Temos fartas provas. Monitoramos telefones, além de movimentações bancárias de todos os envolvidos”, garante Carlos Reis. O ex-guarda municipal Wagner André, também de Delmiro Gouveia, teria sido contactado por Wellington e Nildo para matar Fernando Aldo, mas não teria aceitado. André e Dilson foram ouvidos pela Polícia e pelos juízes da 17ª Vara e contaram os detalhes do plano criminoso. “Tanto o André quanto o Dilson revelaram que o crime teria sido encomendado pelo deputado Cícero Paes Ferro e que os acusados receberam 20 mil reais pelo assassinato. Fernando Aldo era um feroz opositor do deputado e o crime teve motivação política”, completa o delegado Edson Júnior. A arma utilizada no crime estaria de posse de Wellington e Nildo, que estão foragidos. Soldado Marlon está preso, assim como o comerciante Alexandre. Os delegados afirmam que já entraram com o pedido de prisão preventiva do parlamentar no Tribunal de Justiça.

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